Sabrina Noivas 06
Designs on Love

O grande sonho de Sophie  era casar-se vestida de noiva Acostumada apenas a criar maravilhosos trajes de noiva, Sophie Fleming ansiava por mais: queria usar um de seus prprios modelos um dia! Foi ento que Richard Parrish, o atraente reprter da tev, apareceu em sua vida. Sophie jurou para si mesma que sua atrao por ele era apenas fsica, mas, no fundo, sabia que estava mentindo. Richard era o nico homem a qliem ela confiaria a realizao de seu grande sonho...


Digitalizao e correo: Nina


Srie Vus e Votos (Veils and Vows)

Ordem	Ttulo	Ebooks	Data
1	Taking a Chance on Love
	Apr-19922	Designs on Love
Sabrina Noivas 06 - Vestido De Noiva	Jun-19923	At Long Last Love
	Aug-1992



Ttulo: Vestido de noiva 
 Autor: Gina Wilkins

Ttulo original: Designs of love 

 Dados da Edio: Editora Nova Cultural 1993

Gnero: Romance Comtemporneo

  Estado da Obra: Corrigida












CAPTULO I

Sophie olhou para o relgio enquanto andava de ' um lado para outro da pequena sala que ela transformara em escritrio.
Sara Archer j estava dez minutos atrasada. Esperava que a moa no tivesse esquecido do encontro que haviam marcado para que ela examinasse os esboos finais do vestido de noiva.
Conhecia Sara h anos e sabia que a moa era meio desorganizada, apesar de inteligente. Todavia, era impossvel no gostar de Sara e no atender qualquer pedido que ela fizesse. A armao da saia do vestido, por exemplo. Sara insistira que queria uma que comeasse logo abaixo da cintura.
Sophie tentara desenhar os esboos seguindo todas as instrues de Sara, entretanto, no apreciara muito o resultado final. J trabalhara com armaes daquele tipo, e at gostara do visual, mas o modelo que Sara escolhera no era adequado para aquele tipo de saia armada.
Sendo assim, tambm fizera um esboo sem a armao, para que Sara pudesse ter uma ideia de quanto o modelo ficaria mais bonito. Se ela no gostasse... Bem, seu trabalho era criar vestidos de noiva que agradassem s noivas, e no a ela prpria.
No momento, o que mais a preocupava era a deciso de Sara, que resolvera encontrar uma esposa para o pai. Segundo ela, ele ficaria muito sozinho depois do casamento.
No incio, Sophie considerara divertida a ideia da amiga, pelo menos at se dar conta de que Sara queria que ela se tornasse sua madrasta. Com vinte e oito anos, Sophie no se sentia nenhuma adolescente  procura de namoricos. Tentara resistir  ideia maluca, mas quando dera por si, Sara j havia marcado um jantar para os dois na sexta-feira.
Olhou novamente para o relgio, imaginando o que estaria atrasando Sara. Sabia que a amiga estava ansiosa para ver os modelos e no faltaria ao encontro. Sophie desejou que Sara chegasse logo, para que ela pudesse se concentrar no trabalho e parar de pensar no encontro com Neal Archer.
Richard Parrish dirigia o pequeno carro esporte ao longo da University Avenue. Vez por outra, seu olhar voltava-se para as pessoas na calada.
Seus lbios curvaram-se num sorriso quando ele avistou a bela morena lhe acenando a certa distncia. Parou o carro bem diante dela.
	Oh, obrigada pela carona, Richard. No sei o que faria se voc no tivesse passado por aqui. No estou com dinheiro suficiente para pegar um txi, papai est em uma reunio e Philip fazendo prova. Prometi a Sophie que estaria na casa dela s onze horas, mas aquele maldito carro no quis pegar e agora estou atrasada!
Acostumado  tagarelice de Sara, Richard apenas sorriu.
	Neal a avisou que aquele carro daria trabalho, principalmente no frio. Porm, mesmo assim decidiu compr-lo.
	Mas  que ele  to bonito! O seu sim  que um modelo velho, e, no entanto, nunca o deixa na mo.
	 porque eu e Bessie temos um acordo, no , beleza? disse Richard, acariciando o volante.  Forneo uma boa quantidade de combustvel e ela me leva para onde quero. Trata-se de uma relao mutuamente satisfatria.
	Bem, ento, acho que o segredo est em cham-lo por um nome de mulher. Realmente no conheo nenhuma que resista ao seu charme  Sara brincou, dando um beijo no rosto dele.
Richard riu.
	Exceto a que se encontra ao meu lado, claro.
	Oh, no  verdade. Sou to vulnervel quanto as demais  Sara confessou. 
	Ento por que vai se casar com Philip quando esperei anos para que voc crescesse?  indagou ele com um brilho de divertimento no olhar.
Sara riu, balanando a cabea. Parecia to jovem e feliz que, por um momento, Richard se sentiu muito mais velho do que seus trinta e oito anos. Teria ele sido to alegre quando estava com vinte?
	Oh, no brinque comigo, Richard  respondeu Sara, ainda sorrindo.  Sei que se alguma mulher tentasse pr um anel no seu dedo, voc fugiria dela como o diabo foge da cruz. Papai me avisou sobre isso quando eu tinha doze anos e, desde ento, desenvolvi minha autodefesa com relao a voc.
	 mesmo?  ele riu.  E o que seu pai disse exatamente a meu respeito?
	Que voc era do tipo que arrasava o corao das mulheres.
"Ame-as e deixe-as", era o" seu lema. Claro de depois de saber disso, considerei-o ainda mais atraente. Todavia, parei de sonhar com a ideia de um dia me casar com voc.
Estranho, mas Richard sentiu-se ainda mais velho. Se a conversa continuasse naquele tom, acabaria precisando de uma bengala para sair do carro, pensou consigo.
	Para onde devo lev-la, Sara?  resolveu mudar de assunto.
	Oh, desculpe.  Sara explicou o trajeto para ele.  Sophie trabalha em casa  disse.  Ela est desenhando meu vestido de noiva. Marquei de encontr-la hoje, para examinarmos os esboos. Prometo que demorar apenas alguns minutos. Porm, se estiver com pressa, pode me deixar l que pegarei um txi na volta.
	Pensei que houvesse dito que no tinha dinheiro para pegar um.
Sara lanou-lhe um sorriso maroto.
	E no tenho mesmo. Tive que dar tudo que eu tinha para contribuir com o presente de um amigo, essa manh.
Richard sorriu.
	Algo me diz que sair mais barato para mim se eu a esperar.
No que eu imagine que esse encontro demorar apenas "alguns minutos". Mas, felizmente, estou com a tarde livre.
	timo. Ento pode me levar para tomar um sorvete depois.
H muito tempo que no vamos  nossa sorveteria preferida.
	 isso que mais gosto em voc, Sara.  to tmida e pouco exigente!  Richard ironizou.
Ela apenas sorriu de maneira afvel. Alis, como teria feito com qualquer senhor de uma certa idade, pensou Richard. Talvez fosse bom ir pensando mesmo em comprar uma bengala.
A campanhia soou vinte minutos depois do horrio marcado para Sara. Aliviada, Sophie percorreu a vista pelos esboos espalhados sobre a mesa e, num gesto automtico, ajeitou os longos cabelos negros.
O sorriso que preparara para receber Sara, desvaneceu-se quando seus olhos se depararam com o homem que a acompanhava. Ele era alto, tinha cabelos castanho-claros, olhos azuis, nariz reto, lbios firmes... Puxa, como ele era atraente! O sorriso que lanou para ela, fez seu corao se acelerar.
	Oi, Sophie!  Sara cumprimentou-a.  Desculpe pelo atraso, mas  que meu carro no quis pegar. Tive que vir de carona. Oh, esse  Richard, amigo de meu pai. J deve t-lo visto 	comentou eia, entrando e fazendo um sinal para que ele a seguisse.
O sorriso de Richard tornou-se irnico.
	Sara est sempre superestimando minha celebridade  insinuou com um charmoso sotaque britnico.  Deixe que eu me apresente. Sou...
	Richard Parrish, reprter do noticirio da tev  Sophie terminou por ele, sorrindo ao estender a mo para cumpriment-lo.
	No foi exagero de Sara. Reconheci-o imediatamente. Sou Sophie Fleming.
Richard arqueou a sobrancelha de uma maneira atraente ao apertar a mo dela. O brilho em seus olhos refletia apreciao masculina ao observar o rosto dela.
Sophie tentou disfarar o embarao, sabendo que ele devia olhar daquela maneira para qualquer mulher com mais de dezoito e menos de oitenta anos.
	 um grande prazer conhec-la, Sophie. Por acaso, seu pai  muito bravo?
Sophie pestanejou, confusa.
	Oh, Richard!  Sara riu.  Ser possvel que nunca pra?
No ligue para o que ele disser, Sophie. Richard  o flerte em pessoa.
	Sou apenas um homem de bom gosto, Sara  ele corrigiu, ainda segurando a mo de Sophie.
Passou o polegar pela palma da mo delicada, causando arrepios pelo corpo de Sophie, enquanto Sara ria da tcnica que j conhecia muito bem.
Sophie soltou a mo com visvel embarao.
	 melhor comearmos a examinar os esboos  sugeriu, encaminhando-se para a mesa. Um impulso a fez voltar-se para Richard no meio do caminho e dizer:  A propsito, no h nenhum sr. Fleming.
Sophie pensou ter visto satisfao no rosto dele, embora houvesse virado rpido demais para ter certeza do que vira.
	Oh, esto lindos, Sophie! Maravilhosos!  Sara exclamou assim que viu os esboos.  O modelo est exatamente como eu queria. O que acha, Richard? Voc entende de roupas femininas mais do que qualquer homem que conheo.
Ele lanou um olhar repreensivo para Sara, antes de examinar os esboos. Por alguma estranha razo, Sophie flagrou-se ansiosa pela opinio dele. Apreensiva, perguntou-se que importncia teria aquilo. Desenhara os esboos para Sara, no para ele!
Richard observou os desenhos com ateno, deixando-a ainda mais tensa. Por fim, entregou um deles a Sara.
	Gostei mais dessa maneira  disse.
Sara mordeu o lbio.
	Verdade? Gostou mais sem a armao por baixo da saia?
	Sim.
Ela suspirou.
	Sophie tambm. Mas achei to bonito com a armao! Vi um assim em uma revista de noivas e...
	Ento deixe com a armao  Richard interrompeu-a.  O vestido deve agradar a voc, no aos outros. No importa se... Bem, deixe para l.
	O que no importa?  Sara inquiriu, apreensiva.
	Esquea, Sara. Voc tem um corpo muito bonito  Richard assegurou-a.  Claro que a armao aumentar o volume do seu traseiro, mas todos sabero que  apenas o modelo do vestido. O importante  que voc fique satisfeita.
Sophie mordeu o lbio, contendo a vontade de rir diante da expresso horrorizada com que Sara o fitou.
	A armao far meu traseiro parecer maior?  perguntou, voltando-se para Sophie no mesmo instante.
	Talvez um pouquinho  Sophie respondeu com cautela.
	Mas realmente voc tem um belo corpo, Sara. Portanto, se quiser manter...
	No. Esquea. Por favor, Sophie, mudei de ideia.
Sophie evitou olhar para Richard, embora soubesse que ele a observava com divertimento.
	Est bem  prometeu a Sara.  Deixaremos a armao de lado. Talvez prefira apenas algumas saias sobrepostas. Como esse outro desenho que fiz. O que acha?  mostrou outro esboo a ela.
	Sim, esse est muito bonito  Sara concordou no mesmo instante. Olhou para Richard:  O que acha?
.*  um bonito vestido  ele respondeu.  E o volume da saia est perfeito.
Sara sorriu, aliviada. Sophie ficou apreensiva ao sentir o mesmo.  
	Poder fazer a primeira prova no incio do prximo ms 	Sophie avisou-a, reunindo os esboos.  Ligarei, marcando o dia e horrio. Depois discutiremos sobre os vestidos das damas-de-honra.
	Para mim est perfeito  Sara afirmou.  Est vendo, Richard? Eu disse que no demoraria muito.
	Confesso que isso me deixou desapontado  Richard in sinuou, sorrindo para Sophie.
Sara revirou os olhos.
	Eu no disse que ele  o flerte em pessoa? Vamos, Richard, pare de dizer galanteios e me leve para tomar aquele sorvete que voc prometeu.
	Eu prometi?  ele ironizou, seguindo-a at a porta.
Sophie os acompanhou. Antes de sair, Richard voltou-se para ela:
	Foi muito bom conhec-la, Sophie. Voltaremos a nos encontrar  disse, estendendo a mo.
	Talvez  ela respondeu.
Richard segurou a mo de Sophie por mais tempo que o necessrio. H muito que ela no experimentava aquela sensao prazerosa de arrepios pelo corpo. E isso com um mero aperto de mos. Tambm nunca conhecera um homem como Richard Par-rish. Suspeitou que os comentrios de Sara quanto ao sucesso dele com as mulheres comeava a fazer sentido.
	Pode ter certeza  Richard confirmou.
Levou a mo dela aos lbios, olhando-a com intensidade e acrescentando todo um significado ao gesto. Por fim, ele voltou-se para Sara com um sorriso.
	Vamos?
Ao ouvir o riso de Sara cada vez mais longe, Sophie fechou a porta e encostou-se contra ela. Observou a mo como se estivesse olhando-a pela primeira vez. Suspirou alto.
	Esse sim  o tipo de homem que mame e vov me avisariam para manter distncia!  disse para si mesma.
Mas claro que esse detalhe s servia para torn-lo ainda mais fascinante.

CAPITULO II

Richard esperou at que Sara comeasse a degustar -a enorme taa de sorvete, para perguntar:
	Ela  casada?
	No. Nunca foi. Ela e minha tia Liz so amigas h muito tempo.
	 mesmo?
	Hum-hum. O fato de minha tia tambm trabalhar com noivas facilita as coisas. Ela recomenda o trabalho de Sophie sempre que fica sabendo de uma que deseja fazer o vestido sob encomenda.
Richard fingiu interesse em sua taa de sorvete.
	Ela mesma costura os vestidos?
	s vezes. Mas o que Sophie gosta mesmo  de elaborar os modelos. Ela emprega pessoas que fazem a parte da costura.
J vi o local onde elas trabalham. Meia dzia de mquinas de costura, grandes mesas de trabalho e tecidos lindssimos por todo lado. Sophie passa por l, para verificar o trabalho, duas vezes ao dia.
	Sophie deve ser bem-sucedida no negcio para ter pessoas que trabalham para ela.
	Oh, ela  sim. Seu nome  conhecido aqui em Atlanta e por toda a Georgia. Muitas butiques de noivas desse estado e at dos vizinhos tm vestidos da coleo oferecida por ela. Sophie at desenhou um vestido de noite para a miss Georgia usar no ltimo concurso de miss Estados Unidos. A revista Flair fez uma reportagem de trs pginas com ela. Ela e papai daro um belo casal, no acha?
Richard abaixou a colher de sorvete no mesmo instante.
	Sophie e Neal?! Como assim?
	Tero um encontro, amanh  noite  Sara explicou em tom confidencial.  Dei um jeitinho para que se conhecessem, sabe. Estou torcendo para que os dois se casem.
Richard disfarou uma careta e afastou a taa de sorvete. Seus planos de conhecer a bela Sophie melhor comeavam a ruir antes mesmo de se realizarem.
	Um casamento...  disse, pensativo.
	Bem, talvez eu esteja sendo otimista demais  Sara admitiu.
	Afinal, eles ainda nem se conhecem direito. Ainda assim, tenho esperanas de que tudo d certo. Tia Liz concorda comigo.
Agora s o que precisamos fazer  facilitar alguns encontros entre eles.  Sara inclinou a cabea, olhando-o com mais ateno. O que foi, Richard? Voc no aprova?
Ele respirou fundo.
	No  isso.  provvel que os dois formem um belo casal 	admitiu, relutante.
Sara riu.
	Voc ia convid-la para sair, no ia?
	Confesso que o pensamento passou pela minha cabea.
Sara colocou a mo sobre a dele.
	Desculpe ter estragado seus planos. Todavia, estou com esperanas de que esse encontro entre Sophie e meu pai inicie um relacionamento permanente. E voc, pelo jeito, no est nem um pouco interessado em casamento ou em um relacionamento srio, no , Richard?
Ele disfarou um sorriso.
	Claro que no. Como ficaria minha reputao?
	Sabe de uma coisa? No me arrependo de estar desencorajando seus planos com relao a Sophie. Ela  muito conservadora. No  do tipo que voc gosta.
A tarde no estava sendo das melhores para Richard. Primeiro seus sonhos de conquista tinham ido por gua abaixo e agora a filha de seu melhor" amigo dizia abertamente que o considerava um perigoso galanteador, capaz de flertar com qualquer coisa que usasse saia!
	A menos que queira outro sorvete, creio que est na hora de irmos embora  Richard declarou, olhando para o relgio.
Sara olhou para a grande taa vazia e ficou de p.
	No  respondeu com um suspiro.  No tenho coragem de tomar outro sorvete depois que algum insinuou que estou com o traseiro um pouco avantajado.
Richard olhou o traseiro de Sara e arqueou uma sobrancelha.
	, talvez seja melhor no tomar outro sorvete mesmo  ele riu.
	Richard!  Sara beliscou o brao dele, enquanto saam da sorveteria.  Que comentrio mais indelicado! E eu que pensei que voc fosse um cavalheiro!
Richard riu, abrindo a porta do carro para ela. Passou os vinte minutos seguintes tentando convenc-la de que seu comentrio fora apenas uma brincadeira.
Sara j parecia convencida disso quando ele a deixou em frente a casa que ela dividia com o, pai, em um dos melhores bairros de Atlanta.
Quando partiu, Richard no conseguia parar de pensar em Sophie. Ela e Neal fariam um belo casal. E isso era realmente desapontador.
Na manh de sexta-feira, Richard permaneceu deitado por um longo tempo, embora estivesse acordado.
Apoiou o brao sobre a testa e ficou olhando o teto. No estaria de frias se seu produtor no houvesse insistido. E isso s porque ele quase desmaiara trs dias antes, quando retornava de uma cobertura jornalstica sobre um golpe militar em outro tumultuado pas da Amrica Central.
Tambm, quem no teria desmaiado? Ele passara quase setenta e duas horas sem dormir, fora ameaado, presenciara tiroteios, passara um bom nmero de horas em um avio que mal se sustentava no ar e chegara em casa s duas da manh.
Apesar disso, essas duas semanas de frias no eram necessrias, pensou consigo, imaginando o que as pessoas faziam quando tinham um dia inteiro pela frente e absolutamente nada para preencher o tempo.
O telefone comeou a tocar. No mesmo instante lembrou do telefonema que recebera no dia anterior. Estava como agora, sem fazer nada, e at agradecera a oportunidade de sair um pouco e dar a carona que Sara pedira. Claro que no esperava se sentir uns vinte anos mais velho ao lado dela, alm de totalmente desencorajado, aps conhecer uma mulher bonita e interessante.
Cruzando os dedos, na esperana de que no fosse Sara de novo, atendeu o telefone.
	Al?
	Acho que agora estou devendo um favor a voc, pelo que fez por Sara, ontem.
	Oh, ol, Neal. Sim, est me devendo esse favor - Richard respondeu sorrindo.  Decidirei depois a forma de pagamento.
Neal riu.
	Foi uma tarde difcil?
	Por acaso, s vezes Sara o faz se sentir bem mais velho do que voc ?
	Quase todo o tempo  Neal respondeu ainda rindo.  E ento, como esto indo as frias?
	Os dias parecem cada vez mais longos.
Neal riu, sabendo bem que o amigo odiava ficar parado.
	Mas que desnimo  esse? No tem nenhuma companhia para ajud-lo a passar o tempo?
	No  Richard respondeu, lembrando-se de Sophie.  Fiquei sabendo que voc tem um encontro esta noite.
	Sim. Aposto que isso  alguma armao de Sara. Conheceu Sophie, ontem?
	Sim. Ela  encantadora.
	Realmente.
Richard notou que o amigo no parecia muito entusiasmado com o encontro.
	No est interessado nela, Neal?
	Sophie  uma mulher atraente, mas...
Richard sentou no mesmo instante.
	Mas...?
	Bem, no estou pensando em casamento nesse momento da minha vida. Sara inventou essa ideia maluca de que irei me sentir sozinho quando ela se casar, e no consigo convenc-la de que isso no  verdade. Quero mesmo ficar um tempo sozinho, entende?
Embora Richard no quisesse discutir com o amigo, especialmente agora, duvidava que Neal apreciaria viver sozinho. Ele prprio morava sozinho h anos e sabia bem que no era fcil. Tambm sabia que Neal no era do tipo de homem que aguentaria levar uma vida assim. Seu amigo estava acostumado a ter a famlia por perto. Logo, logo ele voltaria a morar com algum, talvez at com Sophie Fleming.
Bem depois de haver desligado o telefone e tido um desjejum reforado, Richard ainda pensava por que a ideia de um relacionamento entre Neal e Sophie o aborrecia tanto. Nem a conhecia direito!
Todavia, bastara um aperto de mos e alguns olhares para que quisesse Sophie para si. Alm do mais, Neal no parecia nem um pouco interessado nela. Pelo visto, sairia com Sophie apenas para agradar a filha.
Sendo assim, a disputa pela ateno de Sophie seria mais que justa, mesmo que seu oponente fosse tambm seu melhor amigo.
Richard ficou desapontado quando uma mulher que ele nunca vira antes atendeu  porta na casa de Sophie.
Enfiou as mos nos bolsos do casaco, ainda tentando encontrar uma explicao para estar ali. Olhou um instante para a mulher de semblante oriental.
	Ahn, Sophie est em casa?  perguntou.
	Est sim  respondeu a mulher com um sorriso simptico.
 Est na sala dos fundos, revisando um vestido de noiva que acabei de fazer. Ela avisou que no estava esperando ningum.
Posso ajud-lo em alguma coisa?
	No  Richard sorriu com gentileza.  Vim para falar com Sophie.  assunto particular.
A mulher lanou-lhe um olhar indagador.
	O senhor  aquele reprter da tev, no ? Richard...
	Parrsh  ele completou.  Posso entrar?
	Claro.  Ela abriu mais a porta, permitindo que ele entrasse na sala.  Sou Mali. Trabalho para Sophie.
Mali  ele repetiu, observando melhor o rosto dela.   um nome tailands, no ?
Ela assentiu.
	Minha me  tailandesa. Meu pai  um ex-soldado americano, aqui de Atlanta mesmo. Fui concebida na Tailndia, mas nasci na Georgia.
Richard sorriu, imaginando se ela seria to expansiva com qualquer estranho.
	Disse que Sophie est na sala dos fundos?
	Sim, mas est provando um vestido. As medidas dela so exatamente iguais s da moa que o encomendou e eu no tenho tempo para esperar que a prpria noiva venha prov-lo, por isso pedi a ela que o experimentasse.  o modelo mais detalhado que j fiz, mas est belssimo.
Richard sempre acreditara que fora seu excesso de curiosidade que o levara a seguir a carreira jornalstica. De repente, sentiu uma enorme vontade de ver Sophie trajando o "belssimo" vestido de noiva.
	Onde fica a sala?  questionou, encaminhando-se para o corredor.
Indecisa, Mali fitou-o por um momento. Por fim, deu de ombros e o seguiu.
	Ela vai me matar  comentou a costureira.
	E a mim tambm  Richard acrescentou.
Mali passou por ele e o conduziu a uma sala no fim do corredor.
	Sophie?
	Quem era, Mali?  a voz de Sophie soou atrs da porta entreaberta.  Outro entregador de tecidos? Acabei esquecendo que havia uma entrega para esta tarde.
	No, no era o entregador  Mali sorriu para Richard por cima do ombro.
	No? Ento quem era?
	Uma visita para voc.
Permanecendo fora do alcance de viso de Sophie, Richard tambm sorriu.
	Oh, droga!  Sophie reclamou.  Ajude-me a tirar esse vestido, Mali. No consigo desabotoar todos esses botes. Quem est a, afinal?
	Acho melhor eu mesmo me anunciar  Richard interviu quando Mali ia responder.
Abriu mais a porta e entrou. Sophie, mais atnita que nunca, olhou-o atravs do grande espelho oval que tinha diante de si.
Richard prendeu o flego, encantado com o que viu. A luz do sol insinuava-se por entre as cortinas, criando uma aura de luz em torno de Sophie. O vestido, do mais puro branco, era todo rebordado com prolas. Havia detalhes em renda no corpete, mangas e na saia longa e ampla. O colo de pele acetinada revelava-se atravs do tecido transparente logo abaixo da gola, tambm rebordada com prolas. As mangas, bufantes na altura dos ombros, iam se estreitando at os punhos-; marcados com renda e prolas.
Sophie prendera os cabelos, exibindo a longa fileira de prolas que prendiam as costas do vestido. A cintura delgada marcava o final do corpete e o incio da saia ampla, tambm com detalhes rebordados.
Richard sentia-se como se tivesse sido atingido por um raio. De sbito, respirar ou falar tornou-se uma tarefa difcil.
	Nunca vi algo mais belo em toda minha vida...  foi s o que conseguiu dizer.
Sophie corou e abaixou a vista para o vestido, apalpando a saia com mos trmulas.
	Obrigada  ela agradeceu.  Estamos muito orgulhosas desse vestido. E uma de nossas mais belas criaes.
	Eu no estava falando do vestido.
Sophie olhou-o no mesmo instante, enrubescendo ainda mais.
	Com licena  Mali disse com um sorriso de desculpas , preciso conferir alguns tecidos que chegaram ontem. At mais,
Sophie.
Richard esquecera-se que havia mais uma pessoa na sala. Virou-se para se despedir, mas Mali j havia sado.
	Mali, espere!  Sophie correu at a porta.  Tarde demais  lamuriou-se.  Precisava da ajuda dela com esses botes.
Richard deu um passo  frente.
	Ser mais que um prazer ajud-la.
	No!  Sophie ergueu a mo, dando um passo atrs.  Posso me virar sozinha, obrigada. Por que veio at aqui?
S ento Richard se deu conta de que esquecera o motivo que planejara como desculpa para visit-la. Olhou em volta,  procura de uma desculpa aceitvel e viu-se obrigado a improvisar:
	Fiquei com receio de t-la ofendido ontem. Vim pedir desculpas, se for necessrio.
Sophie inclinou a cabea, fazendo Richard voltar a ateno para o pescoo delicado. Enfiou as mos nos bolsos. Deus, como ela era bonita...
	No me senti ofendida, Richard  ela esclareceu num tom surpreso.  Por que pensou em pedir desculpas?
	Ah, bem, critiquei seu esboo. Aquele com a armao  acrescentou rpido.
Sophie sorriu.
	Mas, Richard, Sara explicou que eu tambm no estava satisfeita com aquele modelo. S fiz o desenho para mostrar a ela como o vestido ficaria. Fiquei aliviada quando me ajudou a convenc-la a mudar de opinio.
	Ento no preciso pedir desculpas?
	No. Mas mesmo assim obrigada pela preocupao.  Olhou em volta, embaraada.  Preciso mesmo tirar esse vestido, se no se importa.

	Est me mandando embora, Sophie?
Ela olhou-o, surpresa.
	Claro que no. S pensei... Aceita um caf? Ou ch, talvez?
Richard sorriu, nem um pouco arrependido do jogo de palavras que fizera.
	Aceito sim, obrigado. Esperarei na sala da frente, para que termine de se trocar.
	No vou demorar  ela prometeu, movendo as mos em direo s costas.
	Fique tranquila; no estou com pressa.
Foi com grande relutncia que Richard saiu do aposento, fechando a porta atrs de si.
Somente quando chegou na sala da frente conseguiu respirar com mais calma, encostando-se contra a parede. Nunca imaginara sentir desejo por uma mulher vestida de noiva! A imagem virginal e sedutora ao mesmo tempo deixara-o muito afetado. Sophie ficara bonita demais com aquele vestido. Como... como uma princesa sada de um conto de fadas. Ou um anjo, quem sabe.
Pestanejou, espantado com o rumo de seus pensamentos. Talvez seu produtor estivesse mesmo com a razo ao dizer que ele precisava de umas frias. Que outra explicao haveria para essa sbita reao  imagem de Sophie?
Ainda tentava encontrar uma resposta para suas dvidas quando ouviu um resmungo de frustrao seguido de um som de batida de p.
	Sophie? Algum problema?
Houve um momento de silncio antes que ela respondesse:
	So esses botes! Esto apertados demais. No consigo...
Richard sorriu quando as palavras ficaram no ar.
	Quer que eu a ajude?  ofereceu-se.  Prometo me comportar como um cavalheiro.
Ouviu um resmungo abafado. Sorriu ainda mais ao imaginar Sophie perdida em meio s rendas e prolas. Ele voltou  sala onde ela estava e abriu a porta devagar.
	Preciso de ajuda  ela admitiu, contrariada.  Vou estrangular Mali da prxima vez que me deixar dessa maneira! Foi ela quem insistiu para que eu provasse o vestido.
	No a culpo por isso  Richard replicou.  Ela deve ter passado muito tempo fazendo esse vestido. Ela mesma o bordou?
	Ns duas trabalhamos no bordado, alm de Betty, que tambm trabalha conosco.
Ela estremeceu quando Richard desabotoou o primeiro boto.
	Puxa, esses botes esto mesmo um bocado apertados  ele comentou.  Espero que a noiva tenha algum para ajud-la
na hora de se vestir para o casamento.
	H sempre muitas pessoas prontas a ajudar a noiva a se vestir.
	E um par de mos ainda mais ansiosas para despi-la Richard insinuou.
	Provavelmente.
O vestido foi se abrindo aos poucos, sob os dedos hbeis de Richard, revelando a pele clara e acetinada das costas de Sophie. Dando-se conta de que ela no usava nada por baixo do tecido, Richard lutou para lembrar-se da promessa de se portar como um cavalheiro.
Ao desabotoar o ltimo boto no resistiu  tentao de deslizar o dedo desde a nuca at a cintura de Sophie.
	Duvido que a noiva fique to bela quanto voc nesse vestido  Richard murmurou.
	Espero que ela fique deslumbrante. Afinal, est me pagando para que eu a deixe bonita.
Richard teria adorado percorrer com os lbios o mesmo caminho que seu dedo fizera h pouco, mas forou-se a manter certa distncia e levar a conversa para um lado informal.
	Quanto custa um vestido desse?  indagou, curioso. Quando Sophie revelou a quantia, ele arregalou os olhos:  Tudo isso?!
Ento estava explicado como ela conseguia manter o ateli de costura e pagar as mulheres que a ajudavam.
Sophie voltou-se para ele, segurando a frente do vestido contra o corpo.
	Sei que parece muito caro, mas ele  feito de seda importada e renda alenon. Alm disso, as prolas foram todas bordadas  mo...
Richard ergueu a mo com um sorriso, interrompendo-a.
	Sophie, no precisa justificar seu trabalho para mim. Tenho certeza de que a noiva no se arrepender de nem um centavo que gastou com esse vestido. Ser um tesouro que ela guardar por toda a vida.
Sophie sorriu, satisfeita.
	Espero que sim. Gosto de pensar que talvez as filhas dela venham a us-lo um dia. Acho que sou sentimental demais, s vezes.
	Pois eu a considero encantadora...
Os olhos de Sophie ergueram-se devagar para fit-lo. Entreolharam-se por um longo momento de silncio. Richard notou que o instante era crtico. Se quisesse manter a promessa de portar-se como um cavalheiro, teria de sair logo dali.
	Eu... irei esper-la na sala  anunciou, virando-se para sair, antes que tivesse alguma chance de mudar de ideia.
	Obrigada pela ajuda  Sophie agradeceu.
Richard sorriu para ela.
	Foi um grande prazer ajud-la. Acredite-me.
Dizendo isso, saiu, fechando a porta atrs de si com firmeza.
Quando Sophie se vestiu e deixou a sala de provas, encontrou Richard debruado sobre uma de suas mesas de trabalho, analisando um lbum de fotografias com alguns modelos que ela desenhara. Levantou a vista assim que a viu entrar.
	Sophie, voc  genial!  elogiou-a com um sorriso. Esses vestidos so incrveis!
Sophie sentiu-se lisonjeada, embora estivesse acostumada a receber elogios pelo seu trabalho. No entanto, a opinio de Richard parecia ter um valor diferente, especial.
	Obrigada  agradeceu.   isso que gosto de fazer.
	Onde estudou?
	Me formei em belas-artes pela Universidade da Georgia.
Minha av me ensinou a costurar quando eu tinha dez anos. Consegui dinheiro para fazer faculdade trabalhando no departamento de ajustes de uma loja de noivas. Naquela poca uma amiga minha pediu que a ajudasse a criar o modelo de seu vestido de noiva. O modelo acabou fazendo tanto sucesso que uma das damas-de-honra, que estava noiva, me pediu para desenhar o dela tambm. Uma coisa levou a outra e quando me dei conta estava tendo mais encomendas do que podia dar conta. Foi ento que resolvi montar meu prprio negcio.
	Interessante  Richard comentou, voltando a olhar o lbum.
	 impresso minha, ou esse vestido de noiva  mesmo cor-de-rosa?  ele apontou um dos modelos.
Sophie se posicionou ao lado dele para observar melhor.
	 renda branca sobre tafet cor-de-rosa  ela confirmou.
	O vu  de um tom bem suave de rosa. Os tons pastis passaram a ser bastante usados em vestidos de noiva de uns anos para c.
Confeccionamos um lils no ms passado. O tom de lils era to suave que chegava quase a ser branco. O vestido ficou belssimo.
Cor-de-pssego  outro tom bastante usado.
	E, no deixa de ser interessante quebrar um pouco a tradio.
	Concordo  Sophie anuiu.  Aceita um pouco de caf? Ou prefere ch?
	Ch, por favor.
Richard sorriu para ela, fazendo Sophie ter mais conscincia da proximidade entre os dois. Fez meno de se afastar, mas parou quando Richard levou a mo aos seus cabelos, afastando uma mecha de seu rosto. Em seguida, traou o contorno do queixo dela com a ponta do dedo.
No estou atrapalhando seu trabalho?
Os olhos dela tornaram-se pesados, devido quele toque sensual. Sophie teve que se esforar para mant-los abertos ao responder:
	No, eu... estou com um pouco de tempo livre esta tarde.
	Eu tambm  Richard sorriu.  Importa-se se passarmos esse tempo juntos?
Sophie umedeceu os lbios, hipnotizada pelo brilho daqueles olhos azuis.
	Eu gostaria  foi s o que conseguiu dizer.
O olhar de Richard desviou-se para os lbios rosados, convidativos.
	Eu tambm  murmurou ele.  Muito.
"Estou agindo da maneira correta. Nada de precipitaes", pensou Richard enquanto Sophie o acompanhava at a porta, depois de haverem passado a tarde juntos.
Ela abriu a porta e sorriu para ele.
	Foi muito bom rev-lo.
Richard ficou to surpreso quanto ela quando a puxou para si e beijou-a nos lbios. Nem ele mesmo planejara aquilo. Sophie tornou-se tensa no incio, mas aos poucos seus lbios foram se abrindo e retribuindo as carcias de Richard. Pousou a mo sobre o peito forte, sentindo um delicioso calor sob os dedos.
Com muito esforo, Richard resistiu ao impulso de tornar o beijo mais intenso. No queria se precipitar. Sentiu o corpo estremecer em protesto quando se afastou de Sophie. Mesmo assim conseguiu esboar um sorriso.
	Nos veremos de novo  prometeu.
	Sim  Sophie respondeu num fio de voz.
Richard tocou o rosto dela uma ltima vez, antes de sair e fechar a porta. Ainda mantinha o sorriso no rosto quando entrou em seu carro esporte. S tornou-se srio no momento em que olhou para o relgio e lembrou que Neal se encontraria com Sophie dentro de poucas horas.
Com um suspiro contrariado, imaginou se ela dormiria com a lembrana do beijo de Neal ou do seu nos lbios.

CAPITULO III

Sara ficou encantada com os desenhos do vestido. Esse foi seu nico assunto durante o jantar, ontem. Sophie sorriu para Neal.
	Fico feliz que ela tenha gostado. Tambm fiquei muito satisfeita com o modelo.
	Otimo. Quero que ela escolha tudo que quiser, pois espero que minha filha s se case uma vez.
	Sara aparenta ser uma mulher muito determinada  Sophie comentou.  Tenho certeza de que se ela resolver ter um casamento feliz, ela conseguir t-lo.
Neal assentiu, satisfeito com o comentrio. Sophie sorveu um gole de ch enquanto pensava em outro assunto. Neal era uma companhia agradvel. Entretanto, todas as vezes em que olhava para ele, por sobre a mesa do restaurante, no conseguia deixar de compar-lo a Richard. Droga, por que no parava de pensar naquele homem? Nem o conhecia direito!
No entanto, a lembrana do toque daquelas mos persistia em sua mente, assim como a deliciosa sensao dos lbios dele sobre os seus. Haviam conversado sobre tantos assuntos variados enquanto tomavam ch, que era difcil no compar-lo a Neal, cujo assunto preferido era apenas a filha.
Flagrou-se pensando como seria jantar com Richard em um lugar romntico, depois permitir que ele a levasse para casa, entrasse um pouco...
	Disse alguma coisa, Sophie?  Neal perguntou com polidez, fazendo-a imaginar se emitira algum som de frustrao.
	No  respondeu ela.  Falei com Liz essa manh  mudou de assunto.  Ela me pareceu muito feliz.
	E est mesmo  ele anuiu.  Ela e Chance formam um belo casal. Ele  um bom rapaz. Um pouco teimoso, s vezes, mas  louco por Liz. Os dois combinam muito mais do que ela e o primeiro marido.
	Tambm estou fazendo o vestido de noiva dela.
	Oh, isso  timo. Seu bom gosto  indiscutvel.
	Obrigada.
Sophie ficou realmente aliviada quando Neal a levou para casa. Talvez teria apreciado mais o jantar com ele se no houvesse passado a tarde em companhia de Richard.
Uma voz interior dizia que o motivo que levara Richard a sua casa no fora o que ele declarara. Mas qual seria ento? Era difcil de acreditar que um homem como ele estivesse interessado nela. Todavia, depois do beijo que haviam trocado, a chance de isso ser verdade no se tornava impossvel.
Podia at ser insensato, mas desejava ardentemente que Richard voltasse a beij-la. E muito em breve.
	Richard, meu velho,  impresso minha ou voc est com um pssimo humor?  perguntou o cameraman.
Sentado em uma confortvel cadeira, diante do amigo e companheiro de trabalho, Richard levantou a vista para ele.
	No estou de mau humor  respondeu mantendo o rosto srio.
Mitchell Drisco riu, tomando outro gole de seu quinto copo de cerveja. Ou seria sexto? Bem, Richard no conseguia lembrar nem mesmo quantos ele prprio j havia tomado. Estavam em um barzinho onde algumas pessoas do meio jornalstico costumavam se encontrar.
No podia dizer que estivesse se divertindo, mas era melhor ficar na companhia dos amigos do que em casa, sem fazer nada, pensando como estaria sendo o encontro entre Sophie e Neal.
	Hei, Parrish, que bicho o mordeu?  insistiu Hal, um homem negro, sentado  mesma mesa.
Hal no gostava de beber e ainda bebericava o nico copo de cerveja que pedira. Todavia, apreciava a companhia dos amigos e sempre que podia se reunia com eles no bar. Ele e Richard se conheciam h vrios anos. Eram muito amigos, embora no tivessem nada em comum, exceto um aguado senso de humor e uma extrema dedicao  profisso.
Uma mulher era a quarta ocupante da mesa. Mantinha as pernas esguias cruzadas sobre uma cadeira  frente da sua. Embora a maquiagem que aplicara pela manh j houvesse desaparecido, sua aparncia ainda contava com a aprovao do time masculino, mesmo quela hora da noite.
Contudo, Richard, Hal e Mitchell conheciam Tyler Jessica Harris o suficiente para saber que ela estava muito mais interessada em um furo exclusivo de reportagem do que em romance.
	Nosso amigo no est nem um pouco animado esta noitecomentou ela, observando Richard por sobre o copo de cerveja.
	Qual  o problema, Rich? Odeia tanto assim tirar frias ou trata-se de outro assunto? Mulheres, talvez?
Mitchell riu.
	Problemas com mulheres? Parrish? Ora, T.J., conte outra!
Richard manteve-se srio ao responder:
	S porque.-., porque bebi um pouco alm da conta no significa que estou tendo problemas com mulheres ou qualquer outro assunto.
	Qual  o nome dela?  Tyler indagou, ignorando o que ele dissera.  No me diga que h alguma mulher em Atlanta que resista ao seu tpico charme ingls?
Richard resmungou algo incompreensvel entre um gole e outro de cerveja.
	O problema  mesmo uma mulher, no , Parrish?  Hal fitou-o de modo indagador.  Ela  casada?
	No  Richard respondeu.  E no h mulher alguma acrescentou rpido.
	Ela no  casada  Tyler repetiu.  Ento o que ? Ela odeia os homens?
Richard suspirou.
	No, ela no odeia os homens.
	Ento odeia voc?  Mitchell sugeriu, rindo.
	No, ela no me odeia! Ser possvel que no podem mudar de assunto?
Quando se trata de uma mulher que consegue fazer nosso amigo mergulhar na cerveja por causa dela? Nada feito, Rich  replicou Tyler.
Richard estreitou o olhar.
	Sabia que  uma bisbilhoteira de primeira linha, Tyler Jessica?
	Claro. Sou reprter, meu caro  ela respondeu, indiferente.
	E se me chamar de Jessica de novo, vai andar de forma esquisita durante dias. Entendeu o que eu quis dizer, Rich?
Richard apenas resmungou e terminou o copo de cerveja.
	Por que no a conquista de uma vez?  Mitchell inquiriu, apoiando os cotovelos na mesa.
	Boa pergunta, Mitchell  Tyler concordou.  Por que est aqui, perdendo tempo cnosco, em vez de estar com ela, Richard?
	Simplesmente porque ela saiu para jantar com meu melhor amigo  Richard explicou, contrariado. Olhou em volta,  procura da garonete. Estalou os dedos, ou pelo menos tentou, j que
eles no pareciam querer cooperar.  Traga mais uma cerveja, por favor  pediu.
A moa assentiu e foi pegar a bebida.
	Est apaixonado pela mulher de seu melhor amigo?  Hal questionou.  Isso  perigoso, meu caro.
	Mesmo para voc  Mitchell acrescentou, balanando a cabea em desaprovao.
Richard empertigou-se na cadeira.
	Ela no  mulher dele! Eles mal se conhecem. Esse  o primeiro encontro.	
	Ah, ento ele passou na sua frente?  Mitchell sugeriu.
	Pode-se dizer que sim.
	E  assim que voc reage?  Tyler indicou os copos vazios diante dele.
	Estou apenas sendo justo  Richard se justificou.  Ele merece a chance de tentar conquist-la, mas se no conseguir o problema  dele.
Tyler mordeu o lbio.
Arrogncia tipicamente machista  protestou.Quer dizer que voc est dando uma chance para que ele a conquiste? E a opinio dela no conta? E se ela gostar dele? Ou de voc?
Richard permaneceu em silncio. No gostava de ser chamado de machista, mas nesse caso teve de reconhecer que Tyler estava certa.
	TJ. tem razo  Mitchell anunciou num tom solene.  Deve deixar que a moa decida com quem quer ficar. Todavia, precisa demonstrar seu interesse. Caso contrrio, como ter chance de ser escolhido?
Tyler suspirou.
	No se trata de uma disputa, Mitchell  Tyler salientou.
 Voc fala como se ela fosse nomear um vencedor para receb-la como prmio.
	Ainda assim acho que Mitch est certo  Hal interviu.  Talvez a moa nem saiba que voc est interessado nela.
Richard lembrou do beijo que haviam trocado.
	Ela j sabe do meu interesse  declarou.
	Ento a deciso depende dela agora, certo?  Tyler presumiu.
Richard balanou a cabea que sim.
	Sim. Agora a escolha  dela.
Richard imaginou se seus amigos ficariam desapontados se soubessem que ele estava torcendo para que o encontro entre Sophie e Neal fosse um fiasco.
Sentada diante do espelho, vestida com a confortvel camisola que ganhara da me como presente de Natal, Sophie escovava os cabelos enquanto pensava no jantar com Neal.
Fora um encontro agradvel. Aps algumas tentativas frustradas de estabelecer um dilogo, ela e Neal haviam conseguido ficar mais  vontade um com o outro.
Ele a levara para casa e se despedira sem um beijo ou um outro convite para sair. Sophie tinha de admitir que ficara aliviada com isso. De qualquer maneira, no deixara de ser um jantar agradvel, embora em alguns momentos houvesse desejado algo mais... excitante, intenso. Como a companhia de um homem de olhar penetrante e um charmoso sotaque britnico.
Sophie gemeu, ralhando consigo mesma por querer algo que s traria problemas no futuro, como chocolate, cafena ou um atraente reprter chamado Richard Parrish.
Sobressaltou-se ao ouvir a campainha. Olhou de relance para o relgio, notando que era quase meia-noite. No devia ser Neal, j que ele partira h mais de duas horas. Ento, quem poderia ser?
A campainha voltou a tocar. Sophie vestiu o robe de cetim, encaminhando-se para a sala. Pensamentos de acidentes e tragdias vieram-lhe  mente, fazendo seu corao se acelerar. Uma visita a uma hora dessas s podia ser indcio de m notcia. Esperando ver algum policial ou algo do gnero, abriu a pequena janela no alto da porta.
	Richard!  exclamou, espantada, abrindo a porta.  Voc me assustou! O que est fazendo aqui a essa hora da noite?
Richard fitou-a de uma maneira que indicava que nem ele mesmo sabia a resposta. Sophie observou-o melhor, notando o olhar enevoado e os cabelos desalinhados.
	E-eu, ahn, n-no lembro p-por que vim aqui  ele admitiu com um sorriso preguioso.
Oh, Deus, ele andara bebendo.
	Richard, voc est bbado!
- Acho que sim. Desculpe.
Com um suspiro, Sophie o segurou pelo brao, fazendo-o entrar.
	Francamente, Richard! No devia ter bebido tanto!
- No costumo beber em excesso  ele explicou, seguindo-a com obedincia.
Sophie levou-o at o sof e o ajudou a tirar a jaqueta.
	Ento por que bebeu tanto essa noite?
	Estou de frias  ele replicou como se isso justificasse tudo.
	E  assim que prefere passar o tempo?
Richard respirou fundo.
 No. O problema  que odeio ficar sem trabalhar. Engraado, a maioria das pessoas daria tudo para tirar umas frias de vez em quando.
- S que elas planejam algo para fazer no perodo em que no estiverem trabalhando.  Ele deu de ombros:  E eu no planejei nada.
	No pratica algum esporte? Ou tem um passatempo prefe rido?
	No. Meu nico hobbie  trabalhar.
	No admira que voc e Neal sejam to amigos  Sophie comentou.  Os dois so viciados em trabalho!
A meno do nome de Neal fez com que Richard levantasse a cabea para encar-la.
	Saiu com ele para jantar?
Sophie arqueou uma sobrancelha.
	Sim.
	E como foi?
	Muito bom. Acho melhor fazer um caf forte para voc.
	Ele a convidou para sair novamente?
Sophie ergueu levemente o queixo.
	Creio que isso no lhe diz respeito.
Richard fez meno de protestar, mas acabou encostando-se contra as almofadas com um gemido.
	Tem razo  disse.  -Desculpe.
	Vou preparar o caf. Por que no fecha os olhos e descansa?
	Otima ideia  Richard respondeu, fazendo o que ela sugerira.
Sophie o observou por um momento antes de se dirigir  cozinha. Mal podia acreditar que Richard Parrish estava quase bbado em seu sof,  meia-noite. Mal se conheciam!
Quando voltou para a sala, encontrou-o adormecido, com o rosto encostado em uma almofada. A mo de Sophie estava tremula quando o tocou no ombro.
	Richard?
	Hmm?  ele murmurou, mal abrindo os olhos.
	No veio dirigindo at aqui, veio?
	Eu... No. Peguei um txi. Mas por que dei seu endereo?
 perguntou para si mesmo.
	Quer que eu chame outro txi para lev-lo para casa?
	Sim, obrigado. Mas antes eu gostaria de descansar um pouco, se no se importa  disse, voltando a fechar os olhos.
Sophie no conteve o riso. Richard tinha a incrvel capacidade de manter a educao mesmo estando bbado. Provavelmente ela se arrependeria do que iria fazer, pensou, inclinando-se para tirar os sapatos dele.
Sabia que a atitude mais sensata a tomar seria chamar um txi e mand-lo de volta para casa. Pegou as pernas dele e esticou-as no sof. Richard procurou uma posio mais confortvel, sem se dar ao trabalho de abrir os olhos. Ainda rindo do modo como ele estava se comportando, pegou um lenol e cobriu-o.
Richard abriu um pouco os olhos quando ela ajeitava o lenol na altura dos ombros dele.
	Sophie?
	Sim?  ela fitou-o nos olhos.
	Vai se encontrar com Neal novamente?
Ele era mesmo persistente.
	No, Richard  respondeu com um suspiro.
Os lbios firmes curvaram-se num sorriso satisfeito.
	Ento aceita sair comigo?
Sophie mordeu o lbio, contendo o riso.
	Talvez  respondeu.
"Se lembrar de me convidar quando estiver sbrio", ela pensou consigo.
Pelo visto, Richard aceitou a resposta como uma afirmao, pois voltou a fechar os olhos, murmurando algo como "ele teve sua chance", antes de adormecer.
Divertindo-se com a situao inusitada, Sophie ajoelhou-se ao lado dele por um longo tempo, observando cada trao do rosto bonito. Richard era atraente tanto acordado quanto dormindo, concluiu, imaginando por um momento como seria t-lo em sua cama, dormindo a seu lado.
No resistiu ao impulso de tocar os cabelos dele. Algo lhe dizia que Richard se sentiria completamente embaraado pela manh. Devia t-lo mandado de volta para casa. Todavia, deix-lo ficar tambm no era m ideia.
	Boa noite, Richard  sussurrou.
Nunca imaginara que um dia iria dormir deixando um homem adormecido em seu sof. Por isso ainda sorria quando se encaminhou para o quarto. Afinal, era sempre bom viver novas experincias.

CAPITULO IV

Richard tornou-se consciente da dor de cabea anates mesmo de acordar completamente. Franziu o cenho sem abrir os olhos, tentando lembrar direito o que fizera na noite anterior.
Lembrava-se de haver tomado uma cerveja depois da outra. Comportara-se de uma maneira to pattica que os amigos haviam rido dele. O que estava acontecendo com ele, afinal? Nunca bebera daquela maneira e no tinha a mnima inteno de tornar-se um alcolatra.
Quando se mexeu, seu brao caiu e tocou o cho. Hei, sua cama no era to baixa assim. Ou ser que...?
Abriu os olhos de repente, voltando a fech-los no mesmo instante ao se dar conta de onde se encontrava. Foi ento que a lembrana do que dissera na noite anterior lhe veio  mente. Por que diabos no tinha a sorte de ser uma dessas pessoas que esquecem o que fizeram quando estavam bbadas?
"Juro que nunca mais vou beber cerveja ou qualquer bebida alcolica!", pensou consigo.
	Bom dia!
A voz de Sophie chegou a seus ouvidos com um tom de divertimento. Resignado a encarar o inevitvel, Richard abriu os olhos de novo. Distinguiu Sophie de p, trajando um bonito suter azul e cala branca. Os cabelos sedosos caam-lhe sobre os ombros como ondas calmas em um mar de guas escuras. Os brilhantes olhos castanhos no demonstravam qualquer sinal de aborrecimento pelo comportamento dele na noite anterior.
	Bom dia  respondeu, levantando com cuidado.
A cabea latejou com o movimento, mas Richard ignorou a dor, esforando-se para corrigir a idiotice que cometera. Passou a mo pelos cabelos desalinhados, disfarando o embarao.
	Parece que devo um pedido de desculpas a voc.
Sophie cruzou os braos, sorrindo para ele.
	Deve?
	Sim. Por favor, acredite-me, no costumo agir assim. Refiro-me a ficar bbado e importunar as pessoas. Minha nica desculpa  que no consegui parar de pensar em voc, ontem, por isso acabei dando seu endereo ao motorista do txi.
Sophie inclinou a cabea, intrigada com o que ele dissera.
	Estava pensando em mim? Mas por qu?
Bem devagar Richard conseguiu ficar de p. Sorriu para ela ao responder:
	Depois do beijo que trocamos ontem, acha mesmo que precisa me perguntar por que no a tirei do pensamento?
Sophie desviou a vista, tomada por uma onda de embarao.
	Est com fome?  perguntou, mudando de assunto. Vou preparar o desjejum.
Richard queria responder que sim, no por estar com fome, mas pela desculpa de ficar um pouco mais com Sophie. Todavia, a boas maneiras foraram-no a dar outra resposta:
	No  precisa se incomodar, afinal, no foi voc que me convidou para passar a noite aqui.
Sophie voltou a sorrir.
	 verdade  concordou.  Mas j que est aqui, no custa nada eu tambm oferecer o desjejum. Gosta de waffles?
	Mais do que minha prpria vida  Richard respondeu, solene.
Sophie riu. Ele teve que se controlar para no tom-la nos braos e beij-la. Nunca uma mulher lhe parecera to desejvel quanto Sophie.
	O banheiro fica  esquerda, no final do corredor  ela o avisou.  O desjejum estar pronto em vinte minutos.
Obrigado.  Richard ficou olhando ela se dirigir  cozinha. Sophie?  chamou-a no ltimo instante. Ela olhou-o por cima do ombro. --Sim?
	Sinto muito sobre ontem  noite.
	Considere-se perdoado  ela sorriu e se retirou antes que ele tivesse chance de dizer mais alguma coisa.
Richard calou os sapatos e saiu  procura do banheiro. Sua cabea ainda doa, mas uma ressaca era at um pequeno preo a pagar depois do que fizera. Alm do mais, tomar o desjejum com Sophie seria um verdadeiro prmio. Realmente no tinha motivo para reclamar.
"Depois do beijo que trocamos ontem, acha mesmo que precisa me perguntar por que no a tirei do pensamento?"
Enquanto preparava os waffles, Sophie recordava as palavras de Richard. Ser que o beijo o afetara realmente tanto quanto a ela? Ou seriam aquelas palavras apenas parte de um plano de Richard para quebrar suas resistncias com relao a ele?
Sobressaltou-se com seus prprios pensamentos. Mas que resistncias? No tentara resistir a Richard em nenhum momento.
Trataria-se ento de atrao mtua? Ou seria Richard um desses homens que tentam conquistar todas as mulheres que encontram pela frente? Pensando bem, ele parecia realmente interessado nela, embora Sophie no estivesse acostumada a ser o alvo de ateno de um homem como Richard Parrish. Homens como ele costumavam se interessar por mulheres como sua irm, Brandy, bem mais expansiva que ela.
Entretanto, seria tolice no aproveitar o interesse de Richard, afinal, no sabia se teria outra chance de ser cortejada por um homem como ele. O nico detalhe que precisava manter em mente era que homens como Richard no estavam interessados em relacionamentos duradouros.
	Tempo feio, no acha?  Richard comentou entrando na cozinha.
Surpresa com a presena dele, Sophie olhou atravs da janela da cozinha. S ento notou que chovia.
	Sim, est feio mesmo  respondeu, por fim.
Richard olhou em volta, apreciando a cozinha.
. Sua casa  muito agradvel. Oh, o aroma desses waffles est incrvel! No imaginei que estivesse com tanta fome.
	Acho melhor comermos aqui mesmo. Quer suco de laranja ou prefere caf?
	Caf, por favor.
	Est bem. Sente-se. Pode deixar que eu sirvo.
Dizendo isso, Sophie colocou um prato com waffles sobre a mesa e serviu caf para os dois, sentando-se em seguida.
	Deixou o carro em algum lugar ontem?
	No. Sa de taxi, levando em conta a possibilidade de no poder dirigir na volta.
Sophie levantou a vista para ele.
	Ento tinha inteno de se embebedar?
	No, claro que no. O que aconteceu...  Ele interrompeu-se de repente e mudou de assunto:  Esses waffles esto deliciosos.
Sophie sorriu.
	Que bom que gostou.
	Fale-me mais sobre voc, Sophie.
Ela sorveu um gole de caf antes de dizer:
	O que gostaria de saber?
	Sempre morou em Atlanta?
	Cresci na zona rural da Georgia. Minha me e av ainda moram l.
	Tem irmos?
	S Brandy, minha irm mais nova.
	Qual  a diferena de idade entre vocs?
	Quatro anos. Ela est com vinte e quatro.

	Voc se d bem com sua famlia?
Sophie hesitou um instante.
	Me dou bem com minha me e minha av.
	E com sua irm?
Ela hesitou novamente.
Brandy e eu somos muito diferentes  respondeu, por fim. -    Ela  um pouco rebelde, gosta de ser extravagante e espontnea. Richard inclinou a cabea, curioso.
	E como  Sophie?
A pergunta deixou-a confusa. O que poderia dizer de si mesma?  Confesso que tenho me perguntado o mesmo ultimamente. Richard considerou a resposta um tanto reveladora.
	Voc me fascina, Sophie.
Ela desviou a vista, concentrando-se na xcara de caf.
	Tome seu caf antes que esfrie  sugeriu a Richard.
Ele riu, mas obedeceu. Quando terminaram, Richard a ajudou a retirar a mesa. Em seguida, mesmo com relutncia, revelou que precisava ir embora. Olhou atravs da janela, notando que a chuva continuava forte.
	Tem algum plano para hoje?  Sophie inquiriu, lembrando-se que ele dissera que no gostava de tirar frias por no ter o que fazer para preencher o tempo.
Era difcil de acreditar que no houvesse uma lista de mulheres atraentes para as quais ele poderia ligar, se quisesse. Por que um homem to bonito e bem-sucedido no tinha nenhuma mulher em sua vida?
Richard olhou para a roupa amarrotada.
 No  respondeu.  Creio que vou passar mais um dia em casa.
Claro que Brandy nunca deixaria um homem daqueles ir embora, sem convid-lo para alguma coisa, pensou Sophie. Mas Brandy saberia o que dizer em um momento como esse. Contudo, no custava tentar, e foi isso que Sophie resolveu fazer: ,  Ouvi pelo rdio que vai chover o dia todo. Tenho dois filmes alugados que planejava assistir hoje  tarde. Disseram-me que so muito bons, embora seja possvel que voc j os tenha visto. Sei que no  um passatempo dos mais interessantes, mas...
	Sophie - Richard interrompeu-a num tom gentil , est me convidando para passar o dia com voc?
- Se... se voc quiser...  ela balbuciou, lutando contra a timidez que a dominara durante toda a vida.
O sorriso de Richard fez seu corao se acelerar.
	Claro que quero  ele respondeu.  Muito.
Sophie engoliu seco, rezando para no haver cometido uma grande besteira.
Richard voltou a olhar a roupa amassada.
	Eu gostaria muito mais se pudesse trocar essa roupa. Importaria-se se eu fosse primeiro a minha casa tomar um banho e mudar de roupa?
Sophie estava to encantada com o sotaque britnico e a voz profunda de Richard, que nem se deu conta do que ele perguntara.
	Adoro seu sotaque  disse sem pensar.  H quanto tempo mora nos Estados Unidos?
	Quase dezesseis; desde que eu tinha vinte e dois anos.
	Mudou-se para c com sua famlia?
	No. Vim sozinho. Minha me  americana, por isso tenho dupla cidadania.
	V sua famlia com frequncia?
	Fui v-los h cinco anos, no funeral de meu pai  Richard revelou, enfiando as mos nos bolsos.
	Oh, sinto muito.
Ele meneou a cabea.
	No nos dvamos muito bem. Importa-se se eu usar o telefone para chamar um txi?
Aquilo indicava que o assunto sobre a famlia dele estava encerrado.
	No precisa ir de txi. Posso lev-lo at l e depois voc volta em seu prprio carro, aps se trocar.
	Obrigado, mas no  necessrio  Richard agradeceu. No quero faz-la sair nesse tempo horrvel.

	Eu no ligo  Sophie assegurou-o, sorrindo.  De verdade.
Richard tocou o rosto dela de leve.
	Voc  uma pessoa muito especial, Sophie.
Especial. No era bem um sinnimo de excitante, sexy ou desejvel. Suprimindo um suspiro, ela sorriu ao responder:
	Obrigada. Est pronto para ir?
	Quase  disse Richard, segurando o rosto dela entre as mos.  Primeiro quero realizar um desejo...
Dizendo isso, beijou-a. S ento provou, sem sombra de dvida, que o primeiro beijo fora apenas um ensaio. Esse revelou-se muito mais intenso, excitante.
Sophie tremia como uma folha embalada pelo vento quando Richard se afastou. O mais interessante foi notar que o corpo dele estava to trmulo quanto o seu.
	Agora estou pronto para ir  afirmou ele.
Sophie gostaria de poder dizer o mesmo. Suas pernas mal a sustentavam de p.
Quando parou o carro diante da casa de Richard, Sophie ficou impressionada com a imponncia da construo, situada em um dos melhores bairros de Atlanta.
Recusou o convite para entrar, embora estivesse curiosa para conhecer o interior da casa. Entretanto, no se sentiu preparada para ficar sozinha com Richard na casa dele.
	Irei esper-lo em minha casa  ela anunciou.  Preciso dar alguns telefonemas.
	Ento estarei l dentro de uma hora  Richard prometeu, fazendo meno de abrir a porta do carro.
	Gosta de salmo?  Sophie indagou num impulso.
	Sim.
	Ento prepararei uma receita para o almoo.
	Nada disso. Voc conseguiu os filmes, eu providenciarei a refeio. At daqui a uma hora, Sophie. Dirija com cuidado.
Richard saiu do carro e levantou a gola do casaco, protegendo-se da chuva. Sophie ficou olhando-o at ele desaparecer de vista. S ento exalou um suspiro e ligou o carro, partindo em seguida.
Exatamente como prometera, Richard chegou  casa de Sophie   . uma hora depois.
Ao ouvir a campainha, ela respirou fundo e foi abrir a porta. Os cabelos de Richard ainda estavam midos do banho. Quando ele passou por ela, uma deliciosa essncia de colnia masculina chegou s narinas de Sophie.
Richard trocara a roupa amarrotada por uma jaqueta e cala pretas e uma camisa cinza-prola. Estava mais atraente que nunca.
	Pedi que nosso almoo fosse entregue  uma hora  Richard informou-a, tirando a jaqueta.  Creio que isso nos dar tempo de assistir um filme.
"Entregar o almoo?", pensou Sophie. "Ento ele deve ter pedido pizza".
	Sim, teremos um bom tempo  respondeu.  Sente-se e fique  vontade, Richard. Quer tomar alguma coisa? Refrigerante, suco... Acho que tenho umas duas latas de cerveja, se preferir.
Ele fez uma careta.
No quero nem pensar em cerveja depois de ontem. Um refrigerante est timo.
Sophie riu.
	Volto j.
Richard acomodara-se confortavelmente no sof quando ela voltou com dois copos de refrigerante.
	Guardei um lugar para voc  Richard apontou o lugar ao lado dele.
Sophie engoliu seco, depositando os copos sobre a mesinha.
	Primeiro vou colocar o filme no vdeo.
Quando no havia mais como escapar, ela andou devagar e sentou no sof. Procurou manter uma boa distncia de Richard, ciente de que ele no tirara os olhos dela desde que chegara.
Richard riu, estendendo o brao sobre os ombros dela para tra z-la mais para perto.
, Disse que eu ficasse  vontade, no disse?  ele lembrou quando Sophie lanou-lhe um olhar surpreso.  Assim no  muito mais confortvel?
 Sim, creio que sim  Sophie respondeu, sem ousar encar-lo.-Sem perder mais tempo, apertou o boto do controle remoto. Cosnciente demais da proximidade de Richard, ela demorou a relaxar. Aos poucos, foi ficando cada vez mais normal estar ali, ao lado de Richard, sentindo a respirao dele nos cabelos, trocaram comentrios a respeito do filme.
Uma chuva continuava a bater contra o vidro da janela. As nuvens pesadas tornaram o dia mais escuro, de modo que a nica iluminao da sala era proporcionada pela tela da tev e um pequeno abajur ao lado do sof.
A penumbra criava um agradvel ambiente de intimidade. Sophie nunca imaginara que estar sentada em um sof assistindo a um  filme, pudesse ser to excitante. Felizmente, o filme terminou de uma maneira interessante.
	Eu gostei e voc?  indagou Sophie, apertando o boto para voltar a  fita.
O  brao de Richard a estreitou ainda mais. _ Muito  ele tocou o rosto dela, fazendo-a encar-lo.  O filme, tambm no foi  ruim  acrescentou antes de beij-la.
O controle remoto caiu sobre o tapete. Sophie enlaou o pescoo de Richard, beijando-o da maneira como desejara desde a primeira vez em que o vira.
Os lbios de ambos exploravam-se com perfeio. Richard sabia beij-la como ningum antes soubera. Com a lngua ele tocou os lbios dela, deslizando-a devagar para dentro da boca de Sophie.
Gemeu baixinho quando ela correspondeu sem reservas, tambm beijando-o com ardor. Richard enfiara a mo por baixo dos cabelos dela, acariciando-lhe a nuca e deixando-a numa posio meio inclinada, perfeita para que ele acariciasse o rosto e o pescoo delicados.
	Sophie...  sussurrou com voz rouca.  Sophie, eu... A campainha tocou, interrompendo-o.  Deve ser nosso almoo.
	O qu?  ela perguntou, tentando raciocinar.
Richard riu, divertindo-se com a situao.
	Deixe que eu atendo  disse a ela.  Espere aqui.
As mos de Sophie estavam geladas quando encostaram sobre as faces enrubescidas. Ela cobriu o rosto, envergonhada com o comportamento que tivera. Como pudera corresponder daquela maneira s carcias de um homem que s conhecia h dois dias? Uma moa ajuizada nunca agiria assim!
Baixou as mos devagar e deu um risinho antes de ir atrs de Richard. Quando chegou  sala de jantar, parou de repente.
	Richard! O qu...?
Pensamentos sobre salmo e pizza logo saram de sua mente. Dois garons aprontavam a mesa com esmero, ajeitando uma toalha de linho, porcelanas e talheres. No centro da mesa, um delicado vaso com rosas completava a decorao.
Richard riu ao ver a expresso atnita de Sophie. Quando os garons terminaram de colocar a mesa, ele puxou uma cadeira para ela.
	Espero que esteja com fome.
Sophie tentou falar, mas a voz no saiu. Estava emocionada demais. Aproximou-se da mesa devagar e sentou. Provavelmente Richard estivesse acostumado a fazer esse tipo de coisa. Todavia, nunca um homem fizera algo to romntico por ela.
Os garons serviram a refeio com muita eficincia. Aspargos
na manteiga e galinha regada com champanhe eram os pratos principais. Sophie observava tudo, encantada. No conseguia imaginar como Richard conseguira providenciar tudo aquilo em to pouco tempo.
Um dos garons se dirigiu a ela com um sorriso:
	Champanhe?
	Sim, obrigada.
Ele despejou a bebida borbulhante na taa de cristal.
	Agora nos serviremos sozinhos, obrigado  disse Richard acompanhando-os at a porta e dando uma boa gorjeta a cada um.  Digam a Claude que estou devendo mais essa a ele.
	Claro  respondeu o mais alto dos garons.  Voltaremos para pegar os pratos em, digamos, duas horas?
	Perfeito.
Quando ficaram sozinhos, Richard voltou a sentar  mesa. Estendeu o guardanapo sobre o colo e sorriu para Sophie.
	Espero que goste da refeio.
A resposta de Sophie foi um pequeno soluo e duas lgrimas que rolaram por seu rosto.
	No chore, Sophie. Se preferir salmo posso pedir que troquem os pratos  ele sugeriu.
Sophie deu um risinho, enxugando as lgrimas com a ponta do guardanapo.
	No diga bobagens. Essa  a melhor surpresa que algum j fez para mim.
Richard sorriu com gentileza, levando a mo dela aos lbios.
	Queria lhe agradecer por ter sido to atenciosa comigo ontem  noite  ele explicou.  Outra pessoa teria me enxotado por eu ter aparecido naquela condio deplorvel.
Sophie no pde deixar de rir.
	Seu estado no chegava a ser "deplorvel". Na verdade, achei-o at educado demais.
Richard olhou-a de um modo contrariado.
	No sei o que deu m mim  confessou. Beijou a mo dela mais uma vez antes de solt-la.  Vamos comer antes que esfrie. Separe um lugarzinho para a sobremesa. Pedi bolo de chocolate regado com licor e coberto com framboesas.  uma especialidade do restaurante de meu amieo Claude.
Sophie soltou um suspiro de satisfao.
 Oh, parece maravilhoso!
Richard assegurou-a de que era mesmo.
Ela no se lembrava de j ter vivido um momento to romntico em companhia de um homem to interessante. Duvidava que qualquer mulher conseguisse resistir ao charme de Richard. Ela prpria no tinha a mnima inteno de faz-lo.
Queria aproveitar cada minuto ao lado dele, mesmo que o encanto durasse apenas um dia.

CAPITULO V

Richard e Sophie assistiam o segundo filme quando os garons apareceram para recolher os pratos e talheres do restaurante. Contudo, mesmo antes da interrupo Sophie, no estava conseguindo se concentrar nas imagens.
Quando os garons se retiraram, os dois continuaram a assistir o filme. Sentada ao lado de Richard, Sophie apoiava a cabea no ombro dele, mantendo os ps descalos sobre o sof. Richard tambm tirara os sapatos e cruzara as pernas na altura dos calcanhares. Nenhum homem pareceria mais sexy aos olhos de Sophie.
Richard acariciou o rosto dela com o dorso dos dedos.
	Sua pele  to macia...  sussurrou.  To clara...
	No posso me bronzear  Sophie explicou.  Minha pele  muito sensvel.
A mo de Richard deslizou at o queixo dela, fazendo-a olhar para ele. Sophie sentiu as faces corando e um delicioso calor percorrer seu corpo. Continuou encarando-o como que hipnotizada pela fora daquele olhar. Viu neles um brilho que indicava algo que ela tambm estava sentindo, mas que no tinha coragem de revelar nem para si mesma.
Richard tocou os lbios nos dela com muita leveza, apenas sentindo o contato. O olhar de Sophie tornou-se enevoado, embora ela tentasse manter os olhos abertos. Richard beijou seu rosto repetidas vezes.
Macia...  murmurava entre um beijo e outro.  Doce...
Sophie levou a mo ao peito dele. Ficou feliz ao notar que o corao de Richard batia forte, como o seu. Virou o rosto, a procura dos lbios dele; querendo mais do que aqueles beijos quase castos.
Richard retribuiu do modo como ela esperava e muito mais. Aps um longo momento, ele se afastou apenas o suficiente para sussurrar o nome dela. Beijava o pescoo de Sophie enquanto sua mo acariciava o seio ofegante.
Sophie arqueou o corpo com um gemido. Aos poucos Richard deitou-a no sof, inclinando-se sobre ela. Apertou o controle re-moto e parou o filme.
	Sophie...  Richard sussurrou, mordiscando a orelha dela. 
Sorriu quando ela estremeceu em resposta.  Ah, Sophie, voc  linda... Especial...
	Richard...  Sophie adorou ouvir sua prpria voz sussurrando o nome dele.
Richard afastou-se um pouco, levantando o suter que ela usava, acariciando a pele aveludada com os lbios e a lngua.
Sophie estremeceu, perdendo o flego por um instante. Comi gestos gentis ele levantou mais o suter e abriu o suti. Em poucos segundos sua boca acariciava os mamilos rosados, trgidos dej desejo.
	Eu a quero, Sophie  Richard murmurou.  Eu a desejo como nunca desejei nenhuma outra mulher.
Claro que Sophie no acreditou naquilo. Porm, era algo to agradvel de se ouvir naquele momento que ela sorriu, satisfeita.
	Tambm o quero, Richard.
Dizendo isso, Sophie comeou a abrir os botes da camisa dele. Richard tambm ajudou-a a tirar o suter. Beijou-a longamente, encostando o peito nu contra os seios dela.
A certa altura, Richard ergueu a cabea e fitou-a nos olhos.
	Talvez seja melhor que eu v embora.
	Embora?  Sophie repetiu, atnita.  Mas por qu?
Ele sorriu de modo incerto.
	No tenho muito controle sobre minhas atitudes quando estamos juntos. Se eu ficar, terei que fazer amor com voc.
Sophie passou a mo pelos cabelos dele.
	Richard, no quero que voc v embora.
Ele beijou a palma da mo dela.
Voc s me conhece h dois dias. Por mais que eu a queira, entenderei se voc quiser esperar at me conhecer melhor. Sophie traou o contorno dos lbios dele com a ponta do dedo.
	Est querendo dizer que prefere esperar?  indagou.
	Para ser sincero, a primeira vez em- que a vi senti vontade de jog-la sobre o ombro e lev-la para a cama mais prxima.
	Richard, estou espantada. Vinda de voc, essa parece uma atitude muito primitiva.
Ele estreitou o olhar. Inclinou-se mais sobre Sophie, fazendo-a encostar-se contra as almofadas.
- Voc desperta meu lado primitivo, Sophie Fleming. No sei se j notou, mas preciso controlar meus instintos quando estou perto de voc.
Sophie,sorriu, demonstrando que tinha conscincia do efeito que exercia sobre Richard.
Ele tambm sorriu, beijando-a de leve nos lbios.
	Eu a quero muito  disse e tornou-se srio.  Mas se quiser que eu v... diga-me agora. No sei se aguentarei parar, se voc mudar de ideia depois.
Sophie o abraou, trazendo-o para junto de si.
	No irei me arrepender  assegurou com voz rouca.   isso mesmo que quero.
Dizendo isso, ela ficou de p e estendeu a mo para ele.
	Meu quarto est em reforma, mas se no se importar...
Richard ficou de p, segurando a mo dela.
	No me importo nem um pouco.
O quarto de Sophie cheirava a tinta fresca. Apreensiva, ela mordeu o lbio quando entraram. Richard, no entanto, nem pareceu notar a baguna; s tinha olhos para Sophie.
Ao lado da cama, forrada com um bonito acolchoado, ele a enlaou em seus braos. No instante em que seus lbios se encontraram, Sophie esqueceu de tudo. S o que importava era Richard, ali a seu lado, ansioso para am-la.
Ele deitou-a sobre a cama macia. Aos poucos, terminou de despi-la, prosseguindo o mgico ritual do amor. Em seguida, livrou-se das prprias roupas e deitou ao lado de Sophie. As mos e lbios experientes passaram a explorar aquele corpo delicado com infinita ternura, conhecendo cada detalhe, cada curva...
Sophie rendeu-se s intensas sensaes. Queria que Richard;
experimentasse o mesmo que ela, por isso comeou a acarici-lo tambm. A princpio com gestos tmidos, mas que aos poucos foram se tornando mais ousados. Deliciou-se quando ele estremeceu sob o efeito de suas carcias.	
Quando finalmente Richard a possuiu, foi como se o mundo de Sophie houvesse sido completado. Agora tudo fazia sentido:  alegria, felicidade, prazer...
Entregaram-se um ao outro sem reservas. Juntos, atingiram o auge da satisfao fsica e amorosa, dizendo o nome do outro  como um grito final de triunfo.
Ofegantes, caram um nos braos do outro. Richard escondeu o rosto na curva do pescoo de Sophie, aspirando o delicioso perfume que emanava dos cabelos macios. Seu corpo ainda estava tremulo e notou que o dela tambm.
Sophie sabia que com Richard seria diferente, s no imaginava que fosse tanto. Tinha conscincia de que o que sentia por ele era muito mais do que mera atrao fsica. Isso a deixou apreen-a siva. Todavia, preferiu deixar tais pensamentos de lado. Queria aproveitar cada segundo ao lado de Richard. Segundos que, para; ela, faziam parte de um momento muito especial de sua vida.
Sophie acordou com um sobressalto ao ouvir a campainha da porta. Afastou os cabelos do rosto e, apoiando-se sobre o cotovelo, olhou o rdio-relgio sobre a mesa de cabeceira ao lado de Richard. Seis horas... da noite, ela concluiu, notando que escurecera. Ela e Richard haviam dormido mais de uma hora.
A campainha tocou pela segunda vez. Sophie vestiu o robe. Richard acordou, sentando na cama.
	Sophie?  chamou-a com voz sonolenta.
Ela sorriu para ele.
	Algum tocou a campainha  avisou.
O sorriso preguioso que Richard deu em resposta foi infinitamente sexy.
	Volte para a cama e vamos fingir que no h ningum em casa  ele sugeriu.
	A sugesto  tentadora  Sophie admitiu.  Mas no posso fazer isso. Pode ser algo importante.
Richard suspirou.
	Estou com sede  declarou.
	Vou atender quem estiver  porta e depois farei um lanche para ns. Encontre-me na cozinha, daqui a uns quinze minutos, ok?
	Voc  quem manda  Richard sorriu.
Aps ajeitar os cabelos com as mos, Sophie correu at a porta da frente quando a campainha j tocava pela terceira vez.
	Quem ?  perguntou, devido ao hbito de morar sozinha h anos.
	E Holly. Eu trouxe sua jaqueta, Sophie.
Apertando o robe em torno de si, Sophie suprimiu um resmungo contrariado. Em outras circunstncias teria at gostado de receber uma visita, mas por que Holly tinha que aparecer logo agora?
Abriu a porta para a amiga de olhos verdes e cabelos curtos. Trazia  mo a jaqueta que Sophie emprestara para ela ir a uma festa, na semana anterior.
	Vi um carro diferente estacionado aqui em frente e sei que est ocupada, por isso no vou ficar. S vim devolver a jaqueta antes que...
A moa interrompeu-se de repente ao se dar conta da aparncia de Sophie. Com evidente embarao, entregou a jaqueta a ela.
	Oh, Sophie, sinto muito. No vim numa boa hora, no  mesmo? Mas como eu poderia imaginar... ahn... eu j vou indo, ok?
Sophie segurou o brao de Holly.
	Voc no atrapalhou nada, Holly. Vamos, entre um pouco  convidou.
Fez a amiga entrar e fechou a porta, amenizando o ar mido que vinha de fora.
	Realmente preciso ir  respondeu ela, sem encarar Sophie.
De fato, Holly no estava apenas surpresa, parecia atnita.
	Holly?  Sophie chamou-a, preocupada.  Voc est bem?
A moa balanou a cabea que sim, ajustando os culos respingados de chuva.
 Estou bem, Sophie. Verdade. Ahn, pelo visto seu encontro com Neal foi muito bom.
S ento Sophie compreendeu. Holly estava pensando que ela
estivera na cama com Neal. Um erro at compreensvel, j que Holly sabia que Sophie sara com Neal na noite anterior.
	Holly...
Ela comeou, mas foi interrompida pela voz de Richard:
	Sophie, onde est o ch? J procurei em toda a cozinha e no consegui encontrar!
Sophie olhou por cima do ombro e viu Richard de p,  porta da cozinha. Vestido com a camisa para fora da cala, estava apenas de meias e tinha os cabelos meio desalinhados, como quem acabara de acordar. Estava incrivelmente atraente, pensou Sophie contendo um suspiro de admirao.
 Est no armrio ao lado do microondas, Richard - respondeu.
S ento ela lembrou de Holly. Quando se virou, viu que a amiga olhava Richard, boquiaberta. No momento seguinte, Holly desviou o olhar para Sophie e sorriu.
	Ora, ora  insinuou , quem  ele?
Divertindo-se com o alvio estampado no rosto de Holly, Sophie nem sentiu embarao.
	Esse  Richard Parrish  respondeu.  Richard, essa  Holly Baldwin, uma grande amiga minha.
Richard olhou para Sophie com hesitao, sem saber se devia um pedido de desculpas pela sbita apario. Ficou mais aliviado quando Sophie sorriu em resposta ao seu olhar indagador. Ele se aproximou delas.
	 um prazer conhec-la, Holly. Voc  fotgrafa, no ?
Sara me falou que voc vai fotografar o casamento dela.
	Oh, esse  aquele Richard Parrish!  Holly riu ao reconhec-lo.  O reprter da tev. J assisti alguns de seus trabalhos.
Sara fala sobre voc o tempo todo.
Richard riu.
	Sara fala sobre tudo o tempo todo  comentou ele.  Para ser franco, Sara fala o tempo todo. Mas no deixa de ser uma tima pessoa.
	Realmente  Holly concordou.
Richard indicou a porta da cozinha com um gesto de cabea. - Sophie e eu amos preparar um lanche para ns. No quer nos acompanhar?
No, obrigada  Holly agradeceu.  Estou com um pouco de pressa. S vim entregar essa jaqueta antes que pudesse acontecer algo a ela. Obrigada por hav-la me emprestado, Sophie.
	Quando quiser  s me avisar  Sophie respondeu.
	Bem, vou preparar o ch  Richard anunciou.  Tenho certeza de que voltaremos a nos ver, Holly.
	Oh, adoro a maneira como ele fala  Holly sussurrou para Sophie quando Richard se retirou.  Esse sotaque  de tirar o flego! Como se no bastasse, ele  o charme em pessoa!
	Hum-hum  Sophie confirmou, satisfeita ao perceber que a admirao de Holly era apenas platnica.
	Que tal almoarmos juntas na prxima semana?  Holly sugeriu, animada. - Estou morrendo de curiosidade para saber como conseguiu jantar com Neal Archer e terminar na cama com o melhor amigo dele.
Aps tal comentrio, Sophie no pde deixar de se sentir embaraada.
	Holly!
A moa sorriu e deu uma piscadela para Sophie, saindo antes que esta pudesse dizer mais alguma coisa. Sophie fechou a porta com um gesto contrariado.
	Desculpe, Sophie  Richard disse assim que ela entrou na cozinha.  Quando ouvi a porta se fechar, imaginei que estivssemos sozinhos de novo. Se eu soubesse que sua amiga havia entrado, no teria aparecido daquele jeito.
	No se preocupe com isso, Richard.
No havia motivo para preocupao, ela concluiu. No ficara perturbada por Holly t-la visto em companhia de um homem fascinante. Na verdade, at gostara.
Richard, porm, no pareceu convencido.
	Ainda assim eu...
	Acredite-me, Richard  Sophie o interrompeu.  Sou uma mulher adulta; dona do meu nariz. Nenhum problema, certo?
Ele franziu o cenho, como se algo naquela resposta no o houvesse agradado, entretanto no fez mais nenhum comentrio. Concentrou-se em preparar o ch de uma maneira toda especial, fazendo Sophie rir de seus gestos estudados.
	Esse ser o ch mais perfeito que voc j experimentou  ele anunciou segurando a delicada xcara de porcelana diante dela.
Sophie sorriu, sorvendo um gole da bebida com muita cautela.
	E ento?  Richard questionou quando ela permaneceu em silncio.
	Perfeito.
Richard suspirou, fingindo enxugar a testa com a manga da camisa, num sinal de alvio. Sophie riu do gesto teatral. Sobressaltou-se quando ele tirou a xcara de suas mos e a tomou nos braos, beijando-a repetidamente.
Resolveram comer um lanche leve. Enquanto comiam, conversaram sobre amenidades. Fazia tempo que Sophie no ria tanto. Richard tinha um senso de humor muito aguado.
	Tem planos para amanh?  ele perguntou quando terminaram o lanche.
	Muitos, e todos muito excitantes  Sophie respondeu num tom irnico.  Terminar de forrar meu quarto com papel de parede, arrumar toda aquela baguna...
	Voc mesma est forrando o papel?  Richard surpreendeu-se.
	Sim. Sou to perfeccionista com papis de parede quanto voc  com ch  ela brincou.  No gosto que outros faam esse tipo de trabalho para mim.
	Mesmo assim posso me oferecer para ajudar?
Sophie lanou-lhe um olhar incrdulo.
	Colar papel de parede no  o que eu chamaria de passatempo interessante, Richard. Tem certeza de que no ter nada melhor para fazer?
	No consigo pensar em nada melhor do que passar outra tarde com voc  ele respondeu.  A menos,  claro, que esteja cansada da minha companhia. Se esse for o caso, pode ser sincera.
Cansada da companhia dele?, pensou Sophie. Era mais fcil cansar de respirar! Tentou demonstrar isso na resposta que deu:
	Adorarei que me ajude, Richard.
Ele tornou-se pensativo por um momento e quando falou foi com muita cautela:
	Sendo assim, no h necessidade de eu voltar para casa, j que amanh de manh terei que estar aqui. Concorda?
Como quiser. Ser bem-vindo, se quiser ficar  Sophie asseverou.  S que sua roupa no est muito adequada para o servio.
Richard sorriu com charme.
	Sou um homem prevenido, querida. Sempre carrego um jeans e uma camiseta extra no carro. No meu tipo de trabalho, nunca sei quando vou precisar trocar de roupa de repente.
	, parece que anda mesmo preparado  Sophie comentou.
Ser que ele realmente carregava outra roupa consigo por causa do trabalho? Ou teria planejado passar outra noite com ela?
Arrumou os pratos na lava-louas, consciente de que Richard observava cada movimento seu.
	O que gostaria de fazer pelo restante da noite?  perguntou, voltando-se para ele.
Richard fitou-a com um sorriso insinuante e a tomou nos braos.
	Adivinhe...  murmurou antes de beij-la.
Sophie enlaou-o pelo pescoo, pressionando o corpo contra o dele. No era preciso ter muita imaginao para deduzir o que Richard tinha em mente. Ela prpria no conseguia pensar em outra coisa a no ser fazer amor com ele novamente.
CAPTULO VI

Richard, estou dizendo que voc no ..passou cola suficiente na ponta direita do. papel  Sophie reclamou, pressionando o lado esquerdo do papel contra a parede.
Olhou para cima, onde Richard se equilibrava sobre a escada, enquanto pressionava a parte de cima do papel.
	Tenho certeza que passei cola suficiente  ele disse olhando para baixo.
	Mas no desse lado  Sophie insistiu, afastando-se para olhar melhor.
A proteo de plstico que colocara no cho fez barulho quando ela se movimentou. Richard respirou fundo e voltou a olh-la.
	Voc  mesmo um bocado exigente com essa histria de papel de parede, no ?
Sophie sorriu.
	Eu avisei.
	Realmente. Disso no posso reclamar.
Ele pressionou o papel uma ltima vez, utilizando a ferramenta plstica destinada a esse fim. Em seguida, desceu dois degraus da escada e olhou para cima, admirando seu trabalho. Um leve sorriso insinuou-se em seus lbios.
	Richard, realmente acho...
	Sophie, confie em mim. O papel est bem colado. No vai cair.
	Bem, se tem tanta certeza...  ela disse, incrdula.
	Absoluta  ele afirmou no instante em que a parte de cima do papel dobrou e caiu sobre sua cabea.
Sophie comprimiu os lbios, contendo o riso, enquanto Richard praguejava ainda com a cabea sob o papel.
	Eu no disse?
	No me venha com sermes, Sophie  Richard contestou, levantando o papel novamente.  Agora fique quietinha e me passe o balde de cola.
Mordendo o lbio para no rir, Sophie inlinou-se e pegou o balde de cola. Nunca imaginara que se divertiria tanto colando papel de parede. O mais surpreendente era que Richard tambm parecia estar gostando do trabalho.
	Aquela faixa do desenho est torta  ela apontou.
Richard resmungou algo incompreensvel, ajeitando o papel.
	Pode me passar aquele pincel, amor?
Sophie sentia as pernas amolecerem todas as vezes em que ele a chamava daquele jeito. Era difcil raciocinar direito com Richard por perto, mas mesmo assim conseguiu encontrar o pincel que ele pedira.
	Seu quarto ficar muito bonito quando estiver pronto ele comentou, admirando o desenho sofisticado em tons de azul-claro e cinza.
	Obrigada. Eu estava mesmo cansada do velho visual cor-de-rosa. Lembrava muito o quarto da minha av  Sophie admitiu.  Esse desenho  bem mais moderno.
	Mas muito feminino ao mesmo tempo  salientou Richard, traando os contornos de uma flor estilizada.  Como voc.
	Obrigada  ela sorriu, satisfeita.
De sbito, Richard franziu o cenho.
	A quem estava planejando impressionar com essa nova decorao?  indagou, enciumado.
	Eu mesma  Sophie respondeu sem hesitar.  Cuidado, Richard! Desse jeito vai acabar rasgando o papel!
	Por acaso algum j lhe disse que voc  exigente demais, srta. Fleming?
Sophie riu.
	Agora est entendendo por que ningum havia se voluntariado para me ajudar?
	Sim, estou comeando a entender. Tambm trata suas empregadas assim quando elas esto fazendo os vestidos?
	Receio que sim  ela admitiu.  Felizmente, elas sabem que  porque fico ansiosa para que os vestidos fiquem bem-feitos e agradem s clientes.
	No fundo, voc tem razo. Querer as coisas bem-feitas no  defeito.
Richard passou uma generosa quantidade de cola no local onde o papel desgrudara.
Sophie suspirou alto ao observar o movimento dos msculos dos braos e das costas de Richard por baixo da camiseta, cujo tom intenso de azul combinava perfeitamente com a cor dos olhos dele. O jeans apertado moldava-se ao corpo dele com tanta intimidade quanto ela quando faziam amor.
	Oh, droga  Richard resmungou quando a esponja que ele usava caiu no cho.
Sophie olhou para ele e dessa vez no tentou conter o riso.
	Richard, s vezes voc consegue ser mais atrapalhado que eu  disse, inclinando-se para pegar a esponja.
Ele lanou-lhe um olhar repreensivo, tomando o objeto da mo dela.
	J voc gosta de viver perigosamente. Estou avisando, querida, pare de zombar, caso contrrio ir se arrepender.
Sophie arqueou uma sobrancelha.
	Estou tremendo de medo  provocou-o.
	Otimo.  assim que eu gosto.
Sophie estava gostando de Richard mais do que imaginara, pensou, disfarando um sorriso e voltando a se concentrar no trabalho. Todavia, recusava-se a pensar que "gostar" poderia facilmente se transformar em "amar".
	Que tal?  Richard perguntou quando Sophie ficou em silncio vrios segundos, observando o resultado.  Est de acordo com suas exigncias, chefe?  ele brincou.
Ela virou-se para fit-lo. Lanou um belo sorriso por sobre o ombro, fazendo Richard ansiar para sentir aqueles lbios convidativos junto aos seus.
	Muito prximo  perfeio  ela respondeu.
	Fico contente que tenha gostado. Agora, ser que podamos parar e comer alguma coisa? Estou quase desmaiando de inanio.
Sophie revirou os olhos.
	Richard, voc comeu quase uma pizza ainda h pouco, no almoo!  lembrou ela dando alguns passos de costas, ainda observando a parede.  No  possvel que esteja...
	Sophie, cuidado com...
Tarde demais. Antes que Richard pudesse alcan-la, Sophie tropeou em um rolo de papel e, ao tentar se equilibrar, enfiou o p no balde de cola.
	Ah, no!  Sophie lamuriou-se. O lquido pastoso fez um barulho esquisito, mantendo o p dela dentro do balde.  Richard, ajude-me! Meu p est preso. Oh, essa cola  to nojenta! Hugh!
 exclamou fazendo uma careta.
Richard bem que se esforou para no rir. Porm, s teve sucesso durante alguns segundos. Por fim, explodiu numa gargalhada.
	Richard!  Sophie ralhou.
Ele no conseguia parar de rir. Jogou a cabea para trs, rindo ainda mais da indignao de Sophie.
	Ora, muitssimo obrigada pela ajuda!  ironizou ela.
	Quem  mais atrapalhado agora?  Richard provocou-a.
Sophie o encarou.
	Devo pensar que isso  engraado?  indagou, furiosa.
Ele deu de ombros.
	Daqui  muito  respondeu.  Se voc pudesse se ver agora...  comeou a rir de novo.
Sophie abaixou a vista para si mesma. Aps um momento, acabou rindo tambm. Encontrava-se numa situao realmente engraada.
	Seu bobo  disse quando recobrou o flego.  Como pode ficar a, rindo de mim, quando me encontro numa situao to delicada?
	Desculpe, amor, mas no pude me conter. Um verdadeiro cavalheiro teria ido ao seu socorro, em vez de ficar rindo de voc, no ?
Sophie suspirou.
	Bem, voc avisou que eu me arrependeria se zombasse de voc  ela lembrou.  E o pior  que nem precisou fazer fora para se vingar! Eu mesma tratei de me punir.
Richard riu alto.
	Pode crer que sim.
	Se eu pedir desculpas com a mais sincera humildade, me ajudar a sair daqui?
: Com o maior prazer  Richard respondeu.
Inclinou-se, pegando a perna dela na altura do joelho e puxando-a com cuidado para fora do balde. O movimento provocou outro barulho esquisito, fazendo os dois voltarem a rir.
Sophie olhou com desgosto para o sapato e a cala sujos com o lquido gosmento.
	Espere, no ponha o p no cho ainda  Richard avisou.
 Espalhar cola por todo lado.
Sophie fitou-o de modo indagador.
	Terei que ficar de p sobre uma perna at que a cola seque?
	Tenho uma ideia melhor.
Sem falar o que tinha em mente, Richard a pegou no colo, tendo o cuidado de manter a perna dela afastada de si. Sophie segurou nos ombros dele para se equilibrar.
	O que est fazendo?  perguntou quando viu que ele se dirigia ao banheiro.  Richard? O qu...?
Ele a colocou de p embaixo do chuveiro, ainda sem responder.
	Boa ideia  Sophie aprovou.  Posso molhar a perna sob o chuveiro e lavar o sapato aqui mesmo. Evitar maiores bagunas.
Em silncio, Richard tirou os prprios sapatos e se posicionou ao lado dela. Para surpresa de Sophie, ele abriu o chuveiro.
	Richard! O que est fazendo?
	Bem, ambos estamos um pouco sujos de cola  ele salientou.  Uma chuveirada no nos far mal.
Sophie olhou-o como se ele tivesse perdido o juzo.
	Mas estamos vestidos!
Richard comeou a desabotoar a blusa dela.
	No por muito tempo...  insinuou com um sorriso.
Sophie mordeu o lbio, compreendendo o que Richard tinha em mente. Seus olhos tornaram-se pesados, da mesma maneira como haviam ficado quando Richard a amara na noite anterior. A gua deixara o suti transparente, permitindo que Richard visse os mamilos trgidos atravs da renda delicada. Ele acariciou-os com os polegares, enquanto beijava Sophie com languidez.
	Diga que me quer, Sophie  sussurrou junto ao ouvido dela.
	Eu o quero, Richard. Muito!  ela respondeu, ofegante.
As palavras carinhosas soaram como um consentimento aos ouvidos de Richard. Sophie no se oporia em ser amada ali mesmo, sob a gua morna do chuveiro.
Trocaram beijos e carcias por um longo tempo, at que finalmente Richard a possuiu. Entre murmrios e carcias, amaram-se com loucura, conduzindo seus corpos ao ritmo cada vez mais intenso do desejo, culminando no clmax mgico do amor.
 noite, resolveram sair para jantar, j que haviam passado a maior parte do fim de semana fechados em casa.
Sophie vestira uma cala larga e um suter; prendera os cabelos em um coque francs.
	Acho melhor irmos a um lugar informal. O que acha? Richard inquiriu.
	Para mim est timo.

	Quero lev-la a um lugar mais requintado muito em breve.
Sophie vestiu uma jaqueta e pegou a bolsa.
	Iremos quando quiser. Importa-se se formos no meu carro?
	No. Por qu?
	Tenho um encontro com uma cliente amanh de manh e meu carro est quase sem gasolina. Eu pretendia encher o tanque esse fim de semana, sabe, mas algum me manteve muito distrada e no pude sair  insinuou com um sorriso maroto.
Richard tambm sorriu.
	Adorei distra-la, se quer saber a verdade.
	Confesso que tambm gostei da distrao.
Enquanto conduzia o carro, Sophie se deu conta de que estava dirigindo todas as vezes em que sara com Richard. Isso no parecia incomod-lo nem um pouco. Sentado  vontade, no assento de passageiro, ele conversava com naturalidade.
Sophie no pde deixar de compar-lo ao seu ex-noivo, Wade. Ele costumava dizer que no era uma atitude masculina quando o homem deixava que a mulher dirigisse o carro. Engraado como a postura machista de Wade nunca dera a ele nem metade da masculinidade e autoconfiana de Richard.
Ela parou no posto onde costumava abastecer, h alguns quarteires de sua casa. Ia saindo do carro quando Richard segurou seu brao.
	Deixe que eu abastea para voc  ele se ofereceu.
	No  preciso, Richard. Estou acostumada a fazer isso.
	Fez tantas coisas por mim nos ltimos dias que o mnimo que posso fazer para agradecer  colocar gasolina no seu carro.
Sophie sorriu, consentindo. Porm, no resistiu  tentao de provoc-lo:
	Pensei que vocs, britnicos, chamassem gasolina de "petrleo".
Richard olhou-a de soslaio.
	Moro nos Estados Unidos h dezesseis anos, Sophie. Considero-me um cidado americano.
	 mesmo?
	Sim. Agora abra o capo, amor, para que eu possa verificar o leo tambm. Quer que eu limpe o pra-brisa?
Sophie deu um risinho, puxando a alavanca que abria o capo. Estava cada vez mais encantada com Richard. E sabia que isso era sinal de que seu corao corria perigo.
Richard no passou a noite com Sophie. Nem mesmo entrou na casa dela quando voltaram do jantar. Sorrindo, disse que ambos estavam cansados e que se ficassem juntos era muito pouco provvel que conseguissem dormir dividindo a mesma cama. Levou-a at a porta, despedindo-se com um beijo que provocou arrepios em Sophie.
Ela entrou em casa com a sensao de que estava pisando em nuvens. Olhou em volta, dando-se conta do vazio que a ausncia de Richard causava. Ele realmente tornara-se parte de sua vida nesses ltimos dias.
Quando finalmente deitou, pronta para dormir, abraou o travesseiro que ele usara. Como queria que Richard estivesse ali! Procurou convencer-se de que eles estavam tendo apenas um caso passageiro. Ele no mencionara que pretendia ficar com ela muito tempo. Talvez no tivesse nem mesmo a inteno de prolongar o romance por mais do que aquele fim de semana.
E se Richard no a quisesse mais? O pensamento causou uma estranha dor em seu peito, fazendo-a encolher-se mais entre os lenis. Por mais que houvesse se prevenido durante os dias em que passara com Richard, pelo visto no pudera evitar de se apaixonar por ele. No adiantara nada querer manter a pose de mulher moderna e independente.
Droga, por que no conseguia ser como Brandy? Todavia, seria capaz de superar mais essa decepo, garantiu a si mesma. Afinal, no sobrevivera ao final do noivado com Wade? No fundara uma empresa de vestidos de noiva sozinha? Ento tambm podia controlar seus sentimentos com relao a Richard Parrish!
No tinha a mnima inteno de deixar que seu corao arruinasse o que poderia se tornar a melhor experincia de sua vida. Se Richard quisesse v-la de novo, ela estaria esperando por ele. E quando o interesse dele acabasse, ela sobreviveria. Mais uma vez.

CAPITULO VII

Do jeito que estava ansioso para almoar comigo hoje, suas frias devem estar sendo mesmo um bocado cansativas  Neal comentou, observando Richard por cima do menu.  Como pretende sobreviver a prxima semana e a metade da outra, at voltar a trabalhar?
Recordando o adorvel sorriso de Sophie, Richard concluiu que estaria muito bem ocupado durante o restante das frias, e] depois tambm. Todavia, ainda no estava preparado para dar a notcia ao amigo.
	No estou aborrecido com as frias. Sempre tentamos passar algum tempo juntos quando estou na cidade  Richard salientou olhando por cima de seu prprio menu.
Neal assentiu. Entretanto, conhecia Richard muito bem e suspeitava que por trs do convite para almoar havia algo mais.
Enquanto esperavam pelo almoo, conversaram sobre seus respectivos trabalhos. Contudo, como sempre acontecia, logo a conversa foi se desviando para o assunto preferido de Neal: sua filha,! Sara.
	Ela anda muito feliz ultimamente  Richard comentou, lembrando-se do sorriso que no saa do rosto da jovem.
	Sjm,  verdade. Ela contou sobre a proposta que Liz fez a ela?
	No. Que proposta?
Liz est pensando em manter o negcio que ela j tem em Atlanta e abrir uma segunda consultoria de casamentos em Birmingham, depois que ela e Chance se casarem. O casamentos no ocorrer antes de julho, depois que Sara e Phillip voltarem da lua-de-mel, por isso, Liz perguntou a Sara se ela no queria tomar conta do negcio aqui em Atlanta.
	 mesmo?  Richard levantou a vista do prato.  Ser que Sara conseguir dar conta?
	Bem, ela se formar em educao comercial em maio Neal lembrou.  Ela pretendia dar aulas, mas j que trabalha com Liz desde o tempo do colgio, ser mais vantajoso aceitar
a proposta. Tenho certeza de que ela se dar bem, especialmente com Liz orientando-a mesmo de Birmingham.
	E o que Sara disse a respeito?
	Ela est apreensiva. Admitiu que nunca pensou em se tornar consultora de casamentos, mas confessou que est adorando a ideia. Alm disso, Liz ter algum tempo para trein-la nos pr
ximos meses. Creio que o negcio dar certo.
	Para ser sincero, nunca imaginei que Sara tivesse pacincia para dar aulas  Richard revelou.  Nunca disse isso a ela, claro, mas no conseguia imagin-la em meio a uma sala repleta de alunos desobedientes.
	Tambm cheguei a pensar nisso  Neal concordou.  A ideia de Liz  realmente muito melhor.
	Quer dizer que nossa pequena Sara ser uma mulher de negcios daqui a alguns meses. Quem diria?
Neal suspirou.
	Sim. Parece que foi ontem que a ensinei a andar de bicicleta e levei-a  Disneylandia.
	Sentir falta dela.
Neal balanou a cabea que sim.
	Tem razo.
	 um bom pai, Neal. Deveria ter mais filhos.
Neal tomou um gole de suco e arqueou a sobrancelha ao dizer:
	Est brincando, no ?
Richard sorriu.
	Juro que no.

	Richard, estou com quarenta anos. J criei minha filha.
Agora cabe a ela iniciar a prxima gerao.
	Aposto que mudar de ideia quando morar sozinho. Sentir solido com o passar do tempo.
	Est falando igualzinho a Sara!  Neal protestou. 
Richard riu. Pensou em algo mais para dizer. Ainda no estava pronto para comear a conversa que precisavam ter sobre Sophie.
- Pretende ir  festa de caridade que Liz oferecer na prxima semana?
Neal fez uma careta.
	Como Sara diria, prefiro comer grama do que comparecer a esses eventos enfadonhos, ainda mais na data em que este ser
realizado. Trs semanas depois do Ano Novo  inadmissvel!
Porm, o fato de Liz ter trabalhado duro para realiz-lo, no me deixa alternativa. Talvez eu faa apenas uma breve apario por l.
Rindo da frase que Sara diria, Richard assentiu.
	Sei o que quer dizer. Liz vem tentando me convencer a comprar convites desde que descobriu que eu passaria o fim de semana aqui no centro da cidade.
	Seria bom se comprasse um. Assim eu compraria outro e nos livraramos logo de Liz.
- Boa ideia. Porm, Liz est insistindo para que eu compre dois convites. E, do jeito que so caros, no vou querer desperdiar; o outro.  provvel que eu leve uma acompanhante comigo.
Talvez Sophie gostasse daquele tipo de evento, pensou Richard. Por certo usaria um belo vestido criado por ela prpria. Sentiria-se! orgulhoso de ter uma linda mulher a seu lado.
Neal suspirou.
	Tambm comprarei dois convites  declarou.  Talvez eu convide Sophie para me acompanhar.
Richard derrubou o garfo sobre o prato.
	Sophie Fleming?
Surpreso com a reao do amigo, Neal respondeu:
	Bem, ela  uma mulher interessante, embora eu esteja convencido de que no se sentiu atrada por mim, na noite em que fomos jantar. Creio que no ser m ideia tentar mais uma vez.
Richard pigarreou.
	Neal, importaria-se se eu lhe pedisse para no convida Sophie?
Neal estreitou o olhar, depositando o garfo sobre o prato.
	Quer se explicar?  perguntou ao amigo.
Esse estava sendo um dos momentos mais delicados de sua vida, pensou Richard. Mesmo sabendo que tratava-se de uma exagero, pensou na possibilidade de ter que escolher entre a amizade com Neal e seus sentimentos com relao a Sophie. Experimentou um frio no estmago, ao concluir que no faria tal sacrifcio por nenhuma outra mulher do mundo, a no ser ela.
	Neal  comeou com cautela , por acaso j conheceu uma mulher e se sentiu como que atingido por um raio?  indagou, recordando o momento em que vira Sophie vestida de noiva.
	No. Creio que no  Neal respondeu, pensativo.  E voc?
	S uma vez.

	Recentemente, suponho?
Richard fitou os olhos do amigo.
	Sim.
	Estamos falando sobre Sophie?  Neal presumiu.

	Sim.  Richard respirou fundo.  Neal, ela  a mulher mais linda e fascinante que j conheci. No consegui tir-la da mente, desde que Sara nos apresentou na semana passada. Pelo visto, no sente o mesmo com relao a ela, no ?  perguntou, ansioso.
	Considero Sophie uma mulher muito talentosa e atraente  Neal replicou.  Todavia, no sinto o que voc diz sentir por ela.
	Ainda bem.
Ignorando o suspiro de alvio do amigo, Neal perguntou:
	Passou a pensar tudo isso dela s com o encontro da quinta-feira, quando Sara os apresentou?
Richard engoliu seco.
	Bem, no foi o nico momento que passei com ela confessou.
- Voltou a v-la?
Richard preferiu omitir o incidente da sexta-feira, quando bebera alm da conta e fora parar na casa de Sophie.
	Passei parte do sbado com ela  respondeu.  E ajudei-a a forrar papel de parede ontem.
Neal mordeu o lbio. Richard desconfiou, para seu grande alvio, que o amigo esforava-se para conter o riso.
	Voc forrou papel de parede?
	Sim. E foi muito divertido, se quer saber  Richard sorriu, lembrando de como Sophie atolara o p no balde de cola.
Neal encostou-se na cadeira, cruzando os braos.
	Quer dizer que passou a se encontrar com Sophie, mesmo sabendo que eu havia sado com ela na sexta-feira?
	No foi bem assim, Neal - Richard disse, mas, por fim, acabou voltando atrs:  Bem, talvez tenha sido. Mas...
Oh, droga, fiz tudo que pude para tir-la da cabea! Desculpe, Neal.
	Felizmente, no tem do que se desculpar. Sophie e eu somos apenas bons amigos. Duvido que nosso relacionamento fosse alm disso, mesmo que quisssemos. No sentimos atrao um pelo outro.
Richard massageou a nuca.
	Sinto que algo mudou em mim, desde que a conheci. Quando estou longe dela, mal posso esperar o momento de rev-la.
	Hmm, tenho que admitir que estou surpreso. Nunca o vi dessa maneira por causa de uma mulher.
Richard sorriu, conformado.
	Tambm nunca pensei que fosse me sentir assim. Agora vejo que me enganei.
	Richard...  Neal interrompeu-se, hesitante  ...conheci Sophie apenas recentemente, mas ela e Liz so amigas h muitos anos. Liz me contou algumas coisas a respeito dela. Disse que Sophie  uma pessoa distinta, no antigo sentido da palavra.  conservadora, tmida e um tanto quanto vulnervel.
Richard assentiu. Apesar do modo como Sophie lhe correspondera durante o fim de semana, desde o incio ele sentira que ela era meio introspectiva. Sorriu ao recordar as lgrimas que notara nos olhos dela quando vira o almoo que ele encomendara no sbado. Lembrou tambm do sentimento que ela transmitira na voz ao confessar que nunca haviam feito uma coisa daquelas por ela. Os homens que a conheceram deviam ser mesmo grandes idiotas para no se darem conta de que o que Sophie queria e merecia eram gestos romnticos.
	Ela contou que j foi noiva?
Richard franziu o cenho.
No  admitiu, relutante.
Neal ajeitou a gravata, parecendo pouco  vontade.
	Voc sabe que odeio fofocas. No sei com detalhes, mas parece que o rapaz a deixou aps dizer que ela era muito antiquada e conservadora para tornar-se esposa de um jovem executivo.
	Mas que grande idiota  Richard disse entre dentes.
	Liz contou que ele se voltou para a irm mais nova de Sophie, que mal havia sado da adolescncia na poca. A irm dela no se interessou por ele, mas mesmo assim Sophie sentiu-se muito magoada.
	Ah, como eu gostaria de pr as mos no sujeito  Richard cerrou o punho.
Como um homem em seu juzo perfeito poderia fazer uma coisa daquelas com Sophie?
	Oua, eu no deveria ter contado esses detalhes a voc, afinal o assunto no nos diz respeito. Minha inteno foi apenas preveni-lo. Gosto muito de Sophie e ela  a melhor amiga de minha irm. No a magoe, por favor.
	No tenho inteno alguma de mago-la  Richard anunciou, encarando o amigo com olhar sincero.
Surpreso com algo que notara na voz e na expresso de Richard, Neal observou-o em silncio, durante algum tempo.
	Est mesmo interessado em Sophie?  indagou, por fim.
	Muito  Richard no hesitou.
	Ento boa sorte  desejou Neal, parecendo intrigado e preocupado ao mesmo tempo.
Richard respirou fundo. At agora no se dera conta do quanto seus sentimentos para com Sophie o haviam afetado. Nunca sentira-se to vulnervel com relao a uma mulher! Embora a famlia o tivesse magoado h dezesseis anos, pelo visto seu corao permanecera intacto.
	Obrigado, Neal  agradeceu, por fim, imaginando que precisaria mesmo de toda sorte do mundo para no deixar aquela mulher escapar.
	Realmente no entendo por que vocs esto to preocupadas!  Sophie exclamou, erguendo as mos num gesto de incompreenso. - Sei o que estou fazendo.
Sentadas diante dela,  mesa do restaurante, Liz e Holly fitavam-na com preocupao. Liz foi a primeira a falar, depois de algum tempo:
	Sophie, no estamos querendo sugerir que voc no tem capacidade para cuidar de si mesma. E s que conheo Richard h anos e, embora eu goste muito dele, ele no  o que eu chamaria de "pretendente adequado". Est em Atlanta s porque o chefe pediu para que ele tirasse umas frias. Contudo, assim que esse perodo terminar ele voltar para o trabalho. E o que ser de voc, ento?
	Ora, isso pouco importa'1 Sophie lutava para demonstrar indiferena.  Tudo voltar a ser como era, antes de eu conhec-lo. Por acaso j me viu reclamar de que no estava satisfeita com alguma coisa? Sou independente; tenho minha prpria vida.
	No sei no, Sophie  replicou Holly, pouco convencida.
 A maneira como a vi olhar para ele... Tem certeza de que no est envolvida demais?
Sophie suspirou alto. Sentia-se grata pela preocupao das amigas, mas tambm achava frustrante que elas no confiassem no seu bom senso.
	Holly, eu estava olhando para Richard da maneira como qualquer mulher olha para um homem que considera atraente.
Voc mesma disse que o achou muito charmoso.
	E ele  mesmo  Holly confirmou.  Mas...
	Ento que mal h no fato de eu querer passar algum tempo ao lado dele, enquanto ele est de frias na cidade?
	Bem, no h mal algum, mas...
	Sou uma mulher adulta. Achei Richard muito atraente e fascinante, mas no espero que ele queira prolongar o relacionamento alm do perodo de frias. Satisfeitas, agora?
Liz franziu o cenho, os olhos muito azuis fitando a amiga com preocupao.
	Isso no soa como algo vindo de voc, Sophie. Essa  a primeira vez que a vejo interessada em um relacionamento passageiro com um homem. Por isso estou preocupada. No quero v-la magoada quando Richard partir.
Sophie ergueu o queixo.
	Ora, Liz, por acaso no lhe ocorreu que eu mesma possa pr um fim no relacionamento, antes que Richard o faa?  "Claro", soou uma voz interior. "Isso  to verdadeiro como dois mais dois so cinco". Fazendo questo de ignorar essa voz, Sophie prosseguiu:  Tenho minha carreira para me preocupar, e vocs bem sabem que ela exige um bocado de mim. No preciso de Richard nem de qualquer outro homem para completar minha vida. Todavia, no h motivo para que eu me comporte como uma freira por pensar assim.
Liz jogou os cabelos loiros para trs, fazendo a luz do restaurante se refletir sobre o brilhante de sua aliana de noivado.
	Desculpe por havermos nos intrometido, Sophie  disse ela.  Sua vida particular realmente no nos interessa. No quisemos sugerir que voc no  capaz de tomar suas prprias de cises.
	Tambm peo desculpas, Sophie  Holly acrescentou.  Se est feliz com ele, v em frente, garota! Deve ser um pouco de inveja da minha parte. Liz est noiva de um homem incrvel, voc est se encontrando com Richard e eu passei o fim de semana fazendo faxina l em casa.
Sophie lembrou de como Holly ficara preocupada quando pensara que ela havia dormido com Neal Archer, na noite de sbado. Imaginou se no fundo sua amiga no estaria interessada nele.
	Por que no convida algum para sair?  sugeriu, prestando ateno na reao de Holly.   a maneira moderna de agir, em vez de ficar em casa esperando algum telefonar, convidando-a para sair.
Holly fez uma careta.
	J fiz isso antes  confessou.  Mas agora quem eu poderia convidar para sair? No h muitos homens disponveis por a, sabia?
	Por que no convida Neal?  Sophie sugeriu.
Os olhos de Holly arregalaram-se quase comicamente por trs dos culos. Seu rosto enrubesceu no mesmo instante. Liz e Sophie fitaram-na com espanto, embora Sophie no houvesse ficado to surpresa com a reao de Holly quanto aparentara.
	Holly?  Liz chamou-a.
Balanando a cabea, Holly forou um sorriso.
 Neal? Que ideia mais absurda, Sophie!  declarou com mais nfase que o necessrio.
	Afinal, o que h de errado com meu irmo, para que nenhuma de vocs o queira?  Liz inquiriu, olhando de uma para a outra.
Holly voltou a sorrir.
	No h nada de errado com Neal  comunicou ela. Na verdade, eu o considero at muito atraente. Contudo, sei que no sou o tipo dele. Neal me trata como se eu fosse jovem o suficiente para ser filha dele. Creio que ele prefere mulheres mais velhas e sofisticadas.
	E o que a fez pensar que eu no era jovem demais para ele?  Sophie indagou, fingindo-se de ofendida.  Sou apenas trs anos mais velha que voc!
	Quinze anos  uma boa diferena  Liz comentou.  Chance  apenas alguns anos mais velho que eu. Temos muito em comum.
	Voc e Chance?  Holly questionou, incrdula.  A nica coisa que tm em comum  que so loucos um pelo outro.
No mesmo instante, Liz comeou a descrever as coisas que ela e o adorado noivo tinham em comum. Sophie sorria enquanto ouvia a amiga, dando graas pela conversa ter sido desviada de seu caso com Richard.
Por mais que avisasse a si mesma que aquele relacionamento no duraria e que Richard logo estaria fora de sua vida, ainda assim doa ouvir isso da boca de outras pessoas.
Esperava ter convencido as amigas de que o que sentia por Richard no era to profundo quanto aparentava. Infelizmente, ela prpria ainda no conseguira se convencer disso.
 noite, Sophie correu para atender  porta, sabendo exata-mente quem tocara a campainha.
Sorriu ao ver que no se enganara: l estava Richard com um buque de rosas amarelas e um irresistvel sorriso iluminando o rosto bonito.
	Est lindssima  ele elogiou, percorrendo o olhar pelo vestido cor-de-rosa de seda.
Sem conseguir esconder o sorriso de satisfao, Sophie ficou de lado para que Richard entrasse. Pegou as rosas que ele ofereceu e aspirou o aroma que elas emanavam.
	So lindas, Richard. Obrigada.
	Nem chegam a seus ps  ele disse, fazendo-a corar.
	Teve um bom dia?  Sophie perguntou, dirigindo-se  cozinha, a fim de colocar as flores em um vaso.
Richard a seguiu.
	Almocei com Neal. Depois fui comprar duas camisas novas... Nada muito interessante.
Sophie sorriu.
	Que coincidncia. Almocei com Liz e Holly. Voc e Neal discutiram algo importante?
	No. E vocs?
	Tambm no. Conversamos apenas sobre assuntos triviais.
Richard esperou que Sophie colocasse as rosas no vaso e a tomou nos braos logo em seguida.
	Senti sua falta, Sophie.
Ela tambm o abraou sem nenhuma hesitao.
	Tambm senti saudades.
Richard a beijou como se fizesse muito tempo que eles no se viam. Sophie correspondeu s carcias com o mesmo entusiasmo.
"Eu amo essa mulher", pensou Richard, estreitando-a mais em seus braos amorosos.
"Deus, no posso amar esse homem!", refletiu Sophie, embora estivesse sendo difcil resistir s carcias dele.

CAPITULO VIII

Sophie?
Ela abriu os olhos devagar. Seu corpo ainda estava lnguido, aps terem feito amor com tanta intensidade.
	Sim?
	Tem algum compromisso para a sexta-feira  noite?
	No. Por qu?
	No sei se est sabendo, mas Liz vai oferecer uma festa beneficiente.
	Sim, ela me falou. Trabalhou duro para conseguir organizar tudo, embora tenha sido praticamente obrigada a participar do comite pela me de uma das noivas a quem ela deu consultoria.
	Ah, ento foi. assim que ela se envolveu nessa histria?
Bem, de qualquer maneira, imaginei se no gostaria de ir comigo.
No marcou nenhum encontro com cliente nesse horrio, no ?
	No, Richard. Na verdade eu nem planejava sair de casa.
Mas ser um prazer acompanh-lo.
Richard sorriu, satisfeito.
	timo. Est combinado, ento.
  Combinado  Sophie confirmou. Richard aconchegou mais a cabea de Sophie na curva de seu ombro, deslizando a mo at as costas dela.
	Como est sua agenda para a outra semana? Muito ocupada?
 perguntou ele, aps um momento de silncio.
	Estou sempre ocupada  Sophie respondeu.  Mas s vezes posso ser um pouco flexvel com meus compromissos.
	O suficiente para deixar a cidade por alguns dias?
Sophie levantou o rosto devagar, observando-o com ateno.
	Deixar a cidade?  repetiu.
	Sim. Tenho um amigo que possui uma ilha no Caribe e...
	Seu amigo  dono de uma ilha?  Sophie surpreendeu-se.
Richard riu.

	 uma ilha pequena. Ele construiu uma pousada l. O lugar  muito calmo e a paisagem, magnfica. Prometeu que arranjaria um lugar para mim quando eu quisesse conhecer a ilha. Quero lev-la at l. Poderamos partir no sbado.
	Viajar no sbado para uma ilha no Caribe?  Sophie repetiu, sem acreditar que aquilo pudesse ser verdade.
	Minhas frias terminam na quarta-feira, mas poderei tirar mais um dia ou dois de folga, se quiser. Poderamos voltar na quinta-feira, se voc puder se ausentar at l. Isso nos daria quatro dias na ilha. Acha que pode ir?
Esforando-se para pensar com clareza, Sophie mentalizou os compromissos que havia assumido para a semana. Concluiu que no seria muito difcil conseguir cinco ou at seis dias de folga. Mali era muito competente e poderia cuidar das encomendas durante sua ausncia.
Sentiu o corao se acelerar com a perspectiva de passar alguns dias com Richard, em uma ilha do Caribe. Soava exatamente como algo que Brandy, sua irm, faria. Respirou fundo, reunindo coragem.
	Irei com" prazer, Richard. Nunca visitei o Caribe.
	Vai adorar o lugar  ele prometeu, beijando o rosto dela.
 Sero os melhores dias de sua vida.
Sophie ignorou a voz interior que insistia em dizer que aquela seria a primeira vez em sua vida que ela faria algo sem pensar nas consequncias.
Richard viu Sophie poucas vezes nos dias que se seguiram. Embora soubesse que ela estava trabalhando duro para organizar os negcios antes da viagem, ainda assim lamentava cada minuto Que tinha que passar longe dela.
Na quinta-feira  noite, tomava um refrigerante no bar onde costumava se reunir com os colegas jornalistas. Sophie estava ocupada com uma cliente, por isso no puderam se ver. Richard
ainda se espantava ao imaginar que nenhuma outra mulher ocupara seus pensamentos durante tanto tempo.
	Oi, Richard  Mitchell Drisco sentou-se diante dele. No o vi durante toda a semana. Como esto as frias?
Richard sorriu.
	Muito boas.
	Pelo menos sua aparncia est melhor  disse Tyler Jessica tambm sentando. Observou o rosto de Richard com seu costumeiro olhar perspicaz e acrescentou:  Realmente muito melhor. 
No est mais com aquele aspecto de quem pode desmaiar a qualquer instante, de exausto fsica.
Richard sentiu-se na obrigao de protestar:
	Hei, espere um pouco. Sa de frias porque estava precisando de um pouco de descanso e todos falam como se eu estivesse agindo como um invlido!
	O que aconteceu  mulher que o deixou arrasado na semana passada?  Mitchell inquiriu.  Seu amigo ganhou a competio?
Richard arqueou a sobrancelha.
	Ela ir comigo para o Caribe, no prximo sbado  respondeu.  E com a aprovao de meu melhor amigo  acrescentou, cruzando as mos sobre a mesa.
No tinha muita certeza se Neal aprovaria a viagem, mas esperava que o amigo entendesse que ele s queria passar mais algum tempo ao lado da mulher a quem estava amando to profundamente.
Mitchell riu.
	Esse sim  o Richard Parrish que conheo!  exclamou.
T.J. ainda observava Richard com ar pensativo.
- No sei por qu, mas estou com a impresso de que dessa vez a histria ser diferente  comentou ela. Richard a encarou sem pestanejar.
	Talvez porque tenha razo, Tyler  ele salientou.
Ela inclinou a cabea, fazendo os cabelos carem de lado.
 Gostaria de conhecer essa mulher.
	Ah, eu tambm  Mitchell interviu.  Oua, Hal oferecer uma pequena festa, amanh  noite. Por que no a leva? Todo o pessoal da tev aparecer por l.
	Haver at um pessoal da imprensa escrita  T.J. lembrou.
	Desculpem, mas j temos um compromisso para amanh.
Iremos a uma festa beneficiente no Marriott Marquis.
	Ora, ora  Mitchell insinuou , desde quando comeou a ir em festas beneficentes?
	Ok, admito que no gosto desse tipo de evento  Richard resmungou.  Mas  por uma boa causa. Alm do mais, comprei os convites a pedido de uma amiga.
T.J. suspirou, melodramtica.
	O que as mulheres americanas no fazem por um pouco
de publicidade! Talvez seja bom eu enviar um fotgrafo.
	Atrs de mais um furo, no , Tyler Jessica?  Richard provocou-a.
A bota dela bateu firme contra a canela dele.
- J disse para no me chamar assim! - lembrou T.J. quando Richard fez uma careta, abaixando-se para massagear o local dolorido.
Pensou em revidar a agresso, mas logo desistiu da ideia. Era cavalheiro demais para isso. Um dia algum ensinaria Tyler Jessica a ser menos tempestuosa. At l, o melhor mesmo era evitar cham-la pelo nome completo, que ela tanto detestava.
A certa altura da festa beneficiente, na sexta-feira, Sophie sentiu uma vontade repentina de olhar para baixo e se certificar se seus sapatos prateados de salto estavam mesmo tocando o cho. Nunca antes tivera a sensao de estar pisando em nuvens. Agora entendia bem o que a frase queria dizer.
Tambm nunca imaginara ter como acompanhante um homem to gentil e atencioso quanto Richard. Quando o vira trajando o smoking de corte impecvel, esforara-se para no abra-lo com fora e dizer o quanto o amava.
Julgando pelo modo como ele a olhara, Richard tambm ficara impressionado com a aparncia dela. Sophie trajava um vestido azul-royal com detalhes prateados, desenhado por ela mesma.
Richard no sara de seu lado desde que haviam chegado  festa, despertando olhares invejosos de muitas pessoas presentes. Ela e Richard danavam como se fossem parceiros de muitos
anos. Os passos combinavam com perfeio, enquanto ele a guiava com elegncia pela pista de dana.
Enquanto se divertia, Sophie no conseguia esquecer das malas que deixara prontas em seu quarto. Mal podia acreditar que na manh seguinte partiria com Richard para o Caribe! Lembrou das camisolas provocantes e dos biquinis que comprara especialmente para a ocasio. Dessa vez deixaria de lado as roupas conservadoras que costumava usar.
Nunca se sentira to feliz e excitada em sua vida. Mas tambm estava receosa. Porm, decidida a esquecer os receios que faziam questo de atorment-la, deixou-se aproveitar cada minuto da festa, rindo muito e flertando com Richard de uma maneira  qual no estava habituada.
A situao a fazia se sentir uma mulher sexy, interessante. Enfim, como toda mulher j sentira alguma vez, pensou, repousando a cabea no ombro de Richard.
O brao dele estreitou sua cintura com mais fora. Seus passos foram diminuindo at quase pararem. Ele riu com divertimento.
Sophie levantou o rosto, fitando-o com olhar indagador.
	 que foi?
Ele indicou o lado direito com um gesto de cabea.
 Pensei que eu e Neal fssemos os nicos a no nos sentirmos bem de smoking, mas agora vejo que h indivduos em situao pior que a nossa. Verdadeiros pinguins ambulantes.
Quando seguiu o olhar dele, Sophie no pde deixar de rir. Do outro lado da sala, Chance Cassidy franziu o cenho, enfiando as mos nos bolsos no smoking. Dono da Companhia Cassidy de Construo, em Birmingham, no Alabama, o noivo de Liz era um homem na casa dos trinta anos. Tinha aparncia de quem estava acostumado a grandes eventos e viagens para o exterior.
Entretanto, comportava-se como se estivesse pouco  vontade. Aborrecido com toda aquela movimentao, sem contar o fato de estar usando um smoking, claro.
	Pobre Chance  Sophie comentou.  Liz deve estar ocupada com a organizao da festa. Ele est parecendo um peixe fora d'gua, no est?
	Tem razo  Richard concordou.
	Phillip e Sara, por outro lado, esto se divertindo um bocado  Sophie virou a cabea, observando o casal que danava animadamente.  Phillip devia dar mais ateno ao irmo. Chance est realmente muito desanimado.
Richard respirou fundo, imaginando o que ela diria a seguir.
	Devamos fazer um pouco de companhia a ele, Richard Sophie sugeriu com um sorriso de desculpas.
	Sim, querida. Como quiser.
Ela riu da resignao de Richard, mas o conduziu com firmeza at o outro lado do salo.
Chance observou a aproximao dos dois com apreenso. Sophie sabia que ele ainda mantinha certa hostilidade com relao a ela. No haviam simpatizado um com o outro quando foram apresentados. Na poca, Chance estava determinado a romper o noivado de Sara com Phillip, por pensar que ambos eram muito jovens e inexperientes para se casarem.
Sophie no aprovara o comportamento de Chance e fizera questo de deixar isso bem claro. Porm, desde que ele e Liz haviam ficado noivos, Chance deixara de lado a implicncia com o noivado do irmo. Desde ento, Sophie tentara reconquistar a amizade dele, afinal, em breve Chance se tornaria o marido de sua melhor amiga.
	Oi, Chance  saudou-o com um sorriso.
	Oi, Sophie  ele respondeu com polidez.  Est muito bonita. Esse vestido  uma de suas criaes?
	Sim. Obrigada.
	Tambm gostei do preto que Liz est usando. Ela me disse que tambm  criao sua.
	Sim. O modelo ficou realmente muito bonito para ela. Chance, lembra-se de Richard, no?
	Claro  respondeu ele, estendendo a mo.  Como vai, Parrish?
	Melhor que nunca  Richard respondeu, sem tirar a mo da cintura de Sophie.  Como esto os planos para o casamento?
	Lentos  Chance respondeu, amuado.  Liz insiste em esperar at julho. Confesso que essas idas e vindas de Birmingham para Atlanta j esto me cansando.
	Aposto que Liz est torcendo para que o tempo passe logo.
Sophie assegurou-o.  O problema  que ela anda muito ocupada com o trabalho.
	Eu sei  ele assentiu.  Mas isso no ajuda a tornar a espera menos cansativa.
	Esperando por mim?  Liz uniu-se a eles com um sorriso de desculpas, enfiando a mo sob o brao de Chance.
	Sempre  ele respondeu com um sorriso apaixonado.
"Ele realmente a ama", Sophie pensou, observando a sinceridade de Chance. "Ele a far feliz".
Liz voltou-se para Richard com um olhar risonho:
	Espero que esteja se divertindo mais do que Chance e Neal.
Ele riu.
	Para mim, est tudo maravilhoso  disse, olhando para Sophie.  A propsito, onde est Neal? Faz algum tempo que no o vejo.
	A acompanhante dele est insistindo em lev-lo para a pista de dana  Liz respondeu.  E voc sabe o quanto ele odeia danar. Todavia, Neal est se esforando para agrad-la.
.    No conheo a mulher que est com ele  Sophie comentou.
	Neal deve t-la conhecido no escritrio ou em alguma reunio de negcios  Liz sugeriu sem muito entusiasmo.  O nome dela  Jean-alguma-coisa.
	E voc no gostou dela  Sophie acrescentou.
Liz deu de ombros.
	Ela ... "assanhada" demais para o meu gosto  ela admitiu.

	Isso foi puro elogio  Chance resmungou. E voltando-se para Richard, completou:  A mulher no passa de uma...
	Chance!  Liz o repreendeu.
	Oportunista  ele terminou.
Embora Liz o houvesse repreendido, Sophie entendeu o que Chance quisera dizer. Franziu o cenho ao imaginar Neal com uma mulher assim. Ele merecia algum to gentil e amvel quanto ele. Algum como Holly.
Como que lendo seus pensamentos, Richard perguntou:
	Onde est sua amiga, Holly? Eu no a vi.
	Ela foi fotografar um casamento  Liz explicou Chance olhou o relgio, impaciente.
	Quanto tempo acha que essa festa enfadonha ainda vai durar?
Liz acariciou o brao dele, tentando acalm-lo.
	Poderemos partir dentro de uma hora, querido  prometeu.
Chance resmungou algo ininteligvel. Sophie e Richard trocaram um olhar de divertimento.
	Esto prontos para viajar pela manh?  Liz perguntou aos dois.
Sophie notou o tom de preocupao que a amiga no conseguiu disfarar. Sabia o quanto estava sendo difcil para Liz aceitar seu comportamento diferente. Algumas semanas antes, nem a prpria Sophie teria acreditado se lhe dissessem que logo viajaria para uma ilha tropical em companhia de um homem que conhecia h apenas uma semana. Ser que Liz no podia entender que ela precisava correr o risco e se divertir um pouco, mesmo que essa fosse a nica vez em que faria isso na vida?
	Estamos prontos, sim  respondeu, por fim.
	Mais do que prontos  Richard confirmou, animado. Lembraremos de vocs aqui nesse frio, enquanto estivermos nos bronzeando- sob o sol do Caribe.
	Duvido!  Liz brincou.  No lembraro nem que ns existimos.
Richard lanou um sorriso insinuante para Sophie, fazendo o corao dela se acelerar.
	, acho que tem razo, Liz  disse ele.
Retribuindo o sorriso, Sophie imaginou que seria quase impossvel pensar em algo alm de Richard nos dias seguintes. Estava ficando cada vez mais difcil afast-lo de seus pensamentos.
Como que continuando o clima romntico que a festa havia inspirado, mais tarde Richard e Sophie fizeram amor bem devagar, de uma forma completa e terna ao mesmo tempo.
Ele foi retirando um grampo de cada vez, deixando os cabelos de Sophie carem soltos sobre os ombros, como ondas escuras de seda. Aos poucos foi abrindo o vestido, at que o corpo magnfico se revelasse totalmente. Sem pressa, conduziu-a  completa loucura do desejo, acariciando-a com as mos, os lbios, a lngua...
A certa altura, Sophie abraou-o com urgncia, implorando 
para que ele completasse o ato de amor. Richard murmurava palavras de carinho, possuindo-a devagar, como algum que saboreia uma fruta rara.
Por fim, o grito de prazer simultneo quebrou o silncio da noite. Depois o doce descanso, ainda nos braos um do outro. Nenhum pensamento, som ou preocupao teria o poder de invadir aquele paraso de amor. S o que importava naquele instante eram os dois, unidos no apenas pelo corpo, mas tambm pelo corao.

 
CAPITULO IX

Sophie achou muito engraado que Richard, um  homem que j fizera tantas viagens, tivesse medo de avio.
	Se tivesse visto o nmero de desastres areos sobre os quais j fiz cobertura jornalstica nos ltimos quinze anos, voc entenderia  explicou ele, depois que o avio decolou.
: Muito obrigada pelo comentrio encorajadorSophie brincou.
Mas claro que ela no tinha medo. Estava com Richard; o avio no ousaria estragar a viagem dos dois.
Richard fitou-a com um sorriso de desculpas, pousando a mo sobre a dela.
	Disse a sua me onde estaria durante a semana?  perguntou minutos depois, como se o pensamento houvesse lhe ocorrido de repente.
	Claro  Sophie respondeu.  No quis que ela ficasse preocupada se ligasse para minha casa e no conseguisse me encontrar.
Sophie preferiu omitir o detalhe de que no contara para sua me com quem iria viajar. Ajeitou-se melhor na poltrona, consciente de que a impresso que deixara para sua me fora a de que viajaria com uma amiga.
Na verdade, no a enganara, pensou consigo. O problema era que Alice nunca imaginaria que sua filha mais velha teria coragem de viajar para uma ilha com um homem que conhecia h menos de duas semanas.
	E o que ela disse?  Richard indagou.
Que esperava que eu me divertisse muito.
Ele sorriu.
	Gostaria de conhecer sua famlia algum dia. Voc a descreve to bem que posso quase visualizar sua av preparando doces caseiros, sua me voltando do trabalho no banco...
	E minha irm aprontando coisas para deixar as duas malucas.
Richard riu.
	Tambm gostaria de conhecer Brandy. Ela no deve ser muito diferente de voc.
	Ela . Acredite-me. E quanto  sua famlia, Richard?
Ele tornou-se apreensivo, como sempre ficava quando o nome da famlia dele vinha  tona.
	Meu pai era um baro e meu av tambm. Nossa famlia  muito tradicional na Inglaterra. Tenho um irmo mais velho que  um advogado bastante respeitado e uma irm, tambm mais velha, que tambm  muito benquista por l. Eu, por outro lado, sou a "ovelha negra" da famlia. Meu pai morreu se perguntando o que havia feito de errado na minha criao.
Foi a vez de Sophie acariciar a mo dele, tentando transmitir um pouco de conforto.
	Deve ter sido muito difcil para voc  ela conjecturou.
	Aprendi a conviver com isso.
	Ento seu pai era um baro?  Quando ele assentiu, Sophie indagou:  Isso significa que voc deveria ser tratado como lorde Parrish?
Ele riu.
	Sou o caula, lembra? Meu irmo herdou o ttulo. Sou um mero plebeu.
Sophie encostou a cabea no ombro dele.
	Prefiro os plebeus  sussurrou ao ouvido de Richard. Voc  um homem muito especial, Richard Parrish. Sua famlia deveria sentir orgulho de voc.
Ele balanou a cabea, como que tentando apagar lembranas desagradveis. Tocou o rosto de Sophie com carinho.
	Voc  adorvel.
Sem dvida, aquilo significava que o assunto estava encerrado. Sophie desconfiava que havia muito mais detalhes naquela histria. Talvez algo que explicasse a sbita partida de Richard para os Estados Unidos, com a idade de vinte e dois anos. Todavia, lembrou a si mesma que uma mulher envolvida apenas em um romance passageiro no deveria esperar saber muitos detalhes sobre a vida do amante.
Isso no deixava de ser um problema. Para ela, pelo menos, o relacionamento estava sendo muito mais que um caso. Seus sentimentos por Richard iam alm da mera atrao fsica. Sua vontade agora era tom-lo nos braos e confort-lo. Porm, sabia que no tinha o direito de fazer isso.
Decidida a no estragar o clima da viagem, mudou de assunto, passando a fazer perguntas sobre a pousada onde iriam ficar, o amigo de Richard e a ilha em si. Logo Richard estava rindo de novo, to entusiasmado quanto ela.
No permitiria que nada arruinasse os momentos que passaria ao lado de Richard, Sophie garantiu a si mesma.
	Richard! Que bom rev-lo!
Com a mo esquerda na cintura de Sophie, Richard estendeu a direita para o homem que fora ao encontro deles assim que os dois desceram do pequeno avio, na pista de pouso da ilha.
	Tambm estou contente em rev-lo, Rafe. E obrigado por haver providenciado estadia para ns, embora eu tenha feito as reservas quase em cima da hora.
	Ora, foi mais fcil do que imagina. Sempre guardo alguns quartos para amigos.
	Rafe, quero que conhea Sophie Fleming. Sophie, esse  Rafe Dancer, um amigo de muito tempo.
	Prazer em conhec-la, Sophie  Rafe estendeu a mo, observando-a com interesse.
Sophie retribuiu o cumprimento, e a observao tambm. Quando vira Rafe se aproximando para receb-los, com o porte esguio e os cabelos levemente grisalhos, no pde deixar de compar-lo ao sr. Roark, da srie A Ilha da Fantasia. S faltava mesmo um ano a seu lado, para completar a cena.
	Permitam que eu os conduza at o quarto onde ficaro Rafe ofereceu-se.  No se preocupem com as malas. O pessoal
da pousada se encarregar de lev-las para l.
Sophie ficou encantada quando ele os levou at um pequeno jipe branco. Enquanto percorriam as ruas da ilha, teve oportunidade de vislumbrar a beleza do lugar. Muitas palmeiras, a praia de areia muito branca, jardins com flores exticas, piscinas... Tudo sob um cu incrivelmente azul.
Outros hspedes, vestidos com roupas leves e coloridas, sorriam e acenavam quando o jipe passava por eles. Todos pareciam muito satisfeitos por estarem ali.
Sophie no se enganara ao imaginar que aquela viagem seria maravilhosa. Tudo que fazia em companhia de Richard acabava se revelando como algo sado de um conto-de-fadas.
	Oh, Richard,  tudo to lindo!  ela suspirou, quando Rafe estacionou* o veculo diante de uma bela cabana com vista para a praia.
Ao ouvir o comentrio, Rafe sorriu por sobre o ombro.
	Obrigada, Sophie. Repita isso para todos seus amigos, ok?
Quanto mais turistas melhor!
	Mal posso esperar para contar a Liz! Esse lugar  perfeito para uma lua-de-mel!
	Sophie trabalha no ramo de casamentos  Richard explicou a Rafe, que exibira uma expresso indagadora.  Ela desenha vestidos de noiva. Lis, a amiga dela,  consultora de assuntos matrimoniais. Como pode ver, a opinio de ambas pesa muito para casais prestes a realizar uma lua-de-mel.
	No sei como no pensou nisso antes, Richard  Sophie protestou.  Deveria ter recomendado esse lugar para Liz h muito tempo!
	Mas essa  a primeira vez que venho para c  ele se justificou.  No tive oportunidade de conhecer a ilha antes.
	Ainda assim, deveria ter deduzido que qualquer estabelecimento administrado por mim seria de primeira classe  Rafe salientou.
Richard suspirou.
	Tem razo. Prometo que falarei com todos s agentes tursticos que conheo, assim que colocar os ps em Atlanta. Logo essa ilha ficar to cheia que voc no poder nem guardar os quartos para os amigos.
Rafe voltou a olhar por cima do ombro.
Sempre haver lugar para voc aqui na ilha, Richard declarou, sincero.
Surpresa com a resposta de Rafe, Sophie olhava de um para o outro com expresso indagadora. Para sua surpresa, Richard corou, embaraado. Notando que ela estava confusa, Rafe sorriu.
	Devo minha vida a Richard  ele explicou.
Richard fungou, demonstrando que no gostava de tocar no assunto. Entretanto, a curiosidade de Sophie foi mais forte:
	Por qu?
	S tive a sorte de estar no lugar e na hora certos  Richard respondeu, evasivo, saindo do carro.  J cansei de dizer a Rafe que ele no me deve nada.
	Ele simplesmente levou uma bala destinada a acertar minha cabea  Rafe revelou.
Sophie levou a mo  boca, lembrando da cicatriz que vira no ombro direito de Richard. Quando perguntara como ela surgira, ele dissera que havia sido ferido em acidente, mas no dera mais detalhes. Estremeceu, ao pensar que Richard j havia sido baleado. .  Veja s o que fez  Richard repreendeu Rafe, que segurava a porta da cabana para que eles entrassem.  No foi um ferimento grave. Alm disso, no fiz nenhum gesto herico. Estava apenas procurando um furo jornalstico durante uma revoluo na Amrica Central, quando, ao dobrar uma esquina, encontrei um grupo de guerrilheiros cercando Rafe, que j havia sido muito espancado. Vi que um deles tinha uma arma apontada para a cabea dele, e, sem pensar duas vezes, gritei para que parassem. O homem que segurava a arma atirou na minha direo. O bando saiu correndo quando ouviram mais pessoas gritando atrs de mim. Rafe me levou a um mdico e nos tornamos amigos desde ento. Foi s isso, no foi, Rafe?
 Sim.
Rafe respondeu de uma maneira que fez Sophie desconfiar que havia algo mais na histria. Mesmo assim, ela no conseguiu conter um riso. Aqueles dois mais pareciam dois meninos teimosos.
Rafe abriu mais a porta. Com um gesto floreado, convidou-os a entrar. Sophie prendeu o flego quando viu o interior da cabana.
Assemelhava-se a uma elegante sute de hotel de luxo, com carpete, mveis confortveis e pinturas coloridas.
	Que lindo!  exclamou.  Oh, Rafe,  adorvel!
	Obrigado  ele agradeceu, orgulhoso.  H um barzinho e uma pequena geladeira naquele canto  apontou uma espcie de armrio de mahogany.  O quarto fica ali  acrescentou, indicando a porta.
Sophie tentou encarar a situao como uma mulher moderna faria, entretanto, o rubor de suas faces traiu seu intento. Foi olhar uma parede de vidro no fundo da sala, fingindo interesse na paisagem.
	O servio de quarto j est disponvel  Rafe continuou, ignorando o embarao de Sophie , mas o restaurante  excelente, se preferirem jantar fora. Tambm temos um salo de danas.
Durante o dia, lanchas circulam pelas principais ilhas da regio para que os turistas possam fazer as compras que quiserem.
	Muito bom, Rafe  Richard comentou.  Obrigado.
Uma batida discreta  porta fez os trs olharem na mesma direo.
	Deve ser a entrega das malas  Rafe avisou.  Vou deix-los  vontade agora. No hesitem em me chamar se precisarem.
	Vou acompanh-lo at l fora  Richard ofereceu-se, passando pelo rapaz vestido de branco que entrara com as malas.
 Voltarei em um minuto, Sophie.
Ela sorriu e foi correndo para o quarto. Estava ansiosa para vestir uma roupa mais confortvel e passear pela ilha.
	Sophie  uma bela mulher  Rafe comentou quando ele e Richard caminhavam em direo ao jipe.
	Sim. Mas j est muito bem comprometida, por isso mantenha os olhos longe dela.
Rafe riu.
	Sophie  um tanto diferente para voc, no ?  comentou.
 Tive a impresso de que ela no  o tipo de mulher que iria para uma ilha com um homem, se no houvesse um sentimento mais srio envolvido.
Richard teve vontade de rir ao se dar conta de que durante os poucos dias em que estava envolvido com Sophie, j havia sido avisado vrias vezes de que ela no era seu tipo de mulher. O que teria ela para despertar sentimentos de proteo por parte de pessoas que nem mesmo a conheciam direito? E por que todos achavam que suas intenes para com ela no eram boas?
	Realmente h algo mais srio entre ns  Richard confirmou.  Muito srio.
	Meus parabns  Rafe sorriu.
Richard tambm sorriu.
	Obrigado. Ainda no nos conhecemos muito bem, mas estou deixando Sophie se acostumar  minha presena, para que eu possa dizer a ela que pretendo oficializar nosso relacionamento.
	No espere demais, amigo. Nesses assuntos, quanto mais rpido se age, melhor.
Richard fez ar de pouco caso.
	Como se voc entendesse desses assuntos!  zombou.
Rafe deii de ombros.
	J fui casado uma vez. Aprendi que dilogo  algo muito importante para que uma relao d certo, e no apenas uma boa parceria na cama.
	Procurarei lembrar do seu conselho.
	Faa isso.  Rafe entrou no jipe e ligou o motor. Aproveite a estadia, Richard.
	Pode crer que aproveitarei at o ltimo instante.
Sophie levantou a vista assim que Richard entrou no quarto.
	Veja s esse quarto!  indicou a cama ampla e confortvel.
No  lindo? Precisa ver o banheiro!  quase do tamanho do quarto!
	Rafe s gosta de coisas de primeira linha  Richard salientou.
Incrvel como Sophie ficava ainda mais linda quando estava feliz. A todo instante ela o presenteava com um sorriso mais bonito que o outro. Para manter as mos ocupadas, pelo menos Por enquanto, Richard pegou uma de suas malas e ocupou-se em desfaz-la.
	O que achou dele?
	De Rafe?  Sophie parou um instante. Inclinou a cabea, pensativa.  Gostei dele  respondeu devagar.
	E...?
Ela balanou a cabea.
	Nada mais. Apenas gostei dele. Ele  um amigo muito leal e, ao mesmo tempo, isso o torna um inimigo perigoso.
Richard ficou satisfeito ao notar a preciso com que Sophie analisara a personalidade de seu amigo.
	Tem razo  disse a ela.  Ele  realmente um amigo de confiana.
	O que ele estava fazendo no meio de uma revoluo na Amrica Central?  Sophie inquiriu.

	Creio que na poca ele trabalhava para uma parte do servio secreto ligado ao trfico de drogas. No conheo muito sobre o passado de Rafe.
	Servio perigoso.
	Sim.
	Voc deve conhecer muitas pessoas fascinantes  Sophie conjecturou, voltando a se concentrar nas malas.  Rebeldes, revolucionrios, lderes mundiais...
	Sim, conheci muitas pessoas durante minhas viagens  Richard confirmou.  Tenho muitos amigos. Ainda assim, Neal e Rafe so os nicos aos quais eu confiaria minha vida, se fosse necessrio.
	Neal?  Sophie surpreendeu-se.  Ele  uma tima pessoa, mas est longe de ser do tipo ousado e aventureiro.
Richard riu, tirando uma camisa da mala.
	Por acaso j o viu tendo um acesso de raiva?  perguntou a ela.
	Ele sabe o que  isso?  Sophie ironizou.
Richard voltou a rir, mas logo mudou de assunto:
	O que q\ier fazer primeiro?
	Passear pela ilha  Sophie respondeu de pronto.  Quero ver tudo!
	Isso ser fcil  Richard sorriu com charme.
Sophie fechou a mala vazia e colocou-a em um armrio.
	Oh, Richard, tudo aqui  exatamente como sonhei!  Sorriu para ele:  Obrigada por haver me trazido. 
Ele deixou a mala de lado e abraou-a com carinho.
 Obrigado por ter vindo comigo  sussurrou antes de beij-la.
Sophie enlaou o pescoo dele, ficando na ponta dos ps para tomar o abrao mais ntimo. Richard fechou os olhos, rendendo-se  doura daqueles lbios.
Talvez estivessem mesmo em um paraso, ele pensou consigo. Qualquer lugar se tomava um recanto maravilhoso quando Sophie estava a seu lado.
Passaram os dias seguintes em um delicioso clima de romance. Sem se interessar em fazer compras nas ilhas vizinhas, preferiam desfrutar os prazeres da ilha.
Faziam longas caminhadas de mos dadas, conversando sobre assuntos diversos e o que estava acontecendo com eles. Nadaram na praia, na piscina. Danaram  meia luz, com os corpos unidos movendo-se no ritmo envolvente da msica.
E fizeram amor. Um amor que realizou todas as fantasias de Sophie, e at algumas que ela nunca imaginara! Sem dvida, aquilo era o que se poderia chamar de paraso.
Enxugando os cabelos com uma toalha, aps uma chuveirada, na manh de quarta-feira, Richard aproximou-se da mesa que havia na varanda da cabana. Encontrou Sophie concentrada em um bloco de esboos.
	O que est fazendo, Sophie?
Ela levantou a vista. Suspirou ao vislumbrar Richard vestido apenas com o jeans; o peito desnudo refletindo o brilho de algumas gotculas em meio aos plos escuros. Sabia que j deveria estar acostumada a v-lo daquele jeito, mas pelo visto nunca se cansaria de admir-lo, por mais que viesse a conhec-lo.
	O que perguntou?  indagou ao se dar conta de que a questo escapara de sua mente.
Richard sorriu, apontando o bloco.
No me diga que est trabalhando em nossos dias de folga.
 Bem... s um pouquinho  Sophie admitiu.  Estou inspirada essa manh.
	Vejamos...
Richard posicionou-se ao lado dela, a fim de examinar o esboo.
O vestido era apropriado para um casamento em uma ilha como aquela. O modelo era uma espcie de sarongue drapeado, em seda branca, ornamentado com orqudeas, tambm em sedai branca. A noiva usava os cabelos soltos com uma delicada coroai de flores na cabea. Segurava um buque que assemelhava-se a uma cascata de flores tropicais. Sophie conseguia at visualizar as damas-de-honra vestidas no mesmo estilo, s que em tons delicadamente coloridos.
Richard sorriu, demonstrando aprovao.
	Muito bonito. No  tradicional, mas tem estilo.
Sophie deu um risinho.
	O que voc tem contra vestidos que no sejam tradicionais?

	Digamos que sou do tipo que prefere coisas feitas do modo tradicional  disse e beijou-a no rosto.
	Oh, claro  o tom de Sophie transmitia ironia.
Richard era um conhecido reprter de tev, acostumado a entrevistar pessoas famosas. Alguns dias depois de conhec-la conseguira lev-la para uma ilha administrada por um ex-agente do servio secreto. Definitivamente, Richard estava longe de ser "tradicional"!
Ele pegou o bloco das mos dela e o fechou sobre a mesa.
 Chega de trabalho  informou-a, estendendo a mo para ela.  Hora do desjejum.
Sophie pousou a mo sobre a dele, acompanhando-o sem pensar duas vezes, alis, como sempre fazia quando Richard a chamava para alguma coisa.
Precisava aproveitar o tempo restante, afinal, s passaria mais um dia naquela ilha incrvel ao lado daquele homem maravilhoso.
As sandlias prateadas de Sophie balanavam em sua mo direita. A outra segurava a de Richard com firmeza, enquanto caminhavam ao longo da praia, ouvindo apenas o murmrio das ondas quebrando o silncio da noite. Era a ltima noite que passariam juntos na ilha, e os dois estavam muito conscientes disso.
Fechando os olhos, Sophie permitiu-se inspirar longamente, exalando um suspiro em seguida. Queria levar consigo a lembrana daquele aroma noturno, uma mistura impressionante de flores e maresia. Nas noites longas e solitrias que enfrentaria
em breve, as lembranas de tais momentos seriam seu nico consolo.
	No que est pensando?  Richard perguntou com voz profunda.
Sophie abriu os olhos e sorriu para ele. Observou o rosto bonito sob a luz do luar.
	Estava pensando em como esses dias foram perfeitos.
Richard parou de andar e voltou-se para ela. Percorreu a ponta do dedo sobre o rosto delicado. Sophie beijou a palma da mo dele.
	Graas a voc  ele sussurrou em resposta.
Sophie passou os braos em torno do pescoo de Richard, ainda segurando as sandlias.
	Gostaria que estivssemos sozinhos na ilha  ela disse num impulso.  Faramos amor aqui, nesse momento, sob o luar, ao som das ondas do mar, com essa essncia de flores nos envolvendo... Na alvorada, assistiramos o nascer do sol um nos braos do outro...
	E faramos amor novamente  Richard acrescentou.
	Sim.
Os braos dele a estreitaram mais e seus olhos tornaram-se enevoados de desejo.
	Sophie...  murmurou com voz rouca, o rosto cada vez mais prximo do dela.  Sophie, eu...
Os lbios de ambos estavam prestes a se unirem quando um barulho de vozes interrompeu a magia do momento. Sophie olhou em volta e viu outro casal se aproximando pela praia, to absortos um no outro quanto ela e Richard. Suspirou alto.
Richard fungou, impaciente. No instante seguinte, ele a puxava em direo  cabana. Divertindo-se com a impacincia dele, Sophie apressou-se em acompanh-lo.
Quando a areia terminou, ela parou, impedida de seguir em frente, j que estava descala. Sem pensar duas vezes, Richard tomou-a nos braos, seguindo adiante.
	Richard! No pode me carregar daqui at a cabana!
	No? Espere e ver.
O sorriso desafiador provocou arrepios por todo o corpo de Sophie. Richard a carregava como se ela no pesasse nada, fazendo-a lembrar do corpo msculo que ela j conhecia to bem. Pressionou os lbios contra o pescoo dele e no mesmo instante sentiu os braos fortes apertarem-na com mais fora. Estavam quase alcanando a cabana quando encontraram Rafe.
	No diga nada, Rafe  Richard avisou antes que o outro pudesse falar.
Rafe ergueu as mos num gesto defensivo.
	Eu s ia desejar boa noite!
	Diga boa noite a ele, Sophie  Richard ordenou sem parar de andar.
	Boa noite, Rafe  ela repetiu, obediente, por sobre o ombro de Richard.
Um ms antes, teria ficado embaraada com tal situao, mas esse tipo de atitude pertencia  antiga Sophie. Ela mudara muito desde ento, e estava satisfeita com isso.
	Agora  disse Richard, colocando-a ao lado da cama vamos fingir que estamos sozinhos na ilha, sob a luz do luar com as ondas se espalhando sobre a areia e a essncia de fio ao nosso redor.
Sophie sorriu, fechando os olhos. Acabou descobrindo que n era difcil fazer o que ele dissera. Um agradvel aroma de flori entrava pela janela, unido ao murmrio das ondas, l fora.
Abriu os olhos e viu Richard iluminado por uma rstia de luar que entrava pela janela. Os braos fortes a estreitaram com carinho. Ficou feliz ao notar que o corao de Richard estava to acelerado quanto o seu. No. No era nem um pouco difcil imaginar que estavam sozinhos em uma ilha, ou mesmo no mundo!
Devagar, as mos de Richard alcanaram os botes de seu vestido. Porm, Sophie o interrompeu.
	Essa noite, eu farei amor com voc.
Dizendo isso, beijou Richard. Para seu prazer, viu que ele tornou-se passivo, deixando-a livre para liberar sua fantasia.
Sophie foi desabotoando a camisa, parando de vez em quando para beijar o peito desnudo. Quando livrou-se da camisa, jogando-a sobre uma cadeira, passou a acarici-lo com as mos, entrelaando os dedos entre os plos escuros, macios. Acariciou a cicatriz que Richard tinha no ombro, obtida pela coragem de arriscar a vida para salvar um estranho. Sorriu de leve quando ele estremeceu sob seu toque.
Abriu o zperdo jeans que Richard usava, livrando-o do restante da roupa. Em seguida, ela fez com que ele deitasse. S ento Richard notou que Sophie ainda estava completamente vestida.
Como que adivinhando seus pensamentos, ela prpria livrou-se da roupa, revelando o corpo de formas arredondadas, exuberantes. Deitou ao lado de Richard e quando ele tentou abra-la, ela o interrompeu novamente.
	Sophie, no conseguirei aguentar por muito tempo...  ele gemeu.
Ela deitou sobre ele, sorrindo ao dizer:
	Ento quer que eu pare?
	Por Deus, no.
Uniram-se quase no mesmo instante. Juntos, iniciaram a sensual dana do amor, deixando que seus corpos ardentes de desejo marcassem o ritmo que os levaria ao triunfo final. Quando esse momento chegou, renderam-se a ele por completo, compartilhando a maravilhosa sensao de serem um s.
Richard no saberia dizer quanto tempo se passara quando ele finalmente abriu os olhos. Sophie ainda estava deitada sobre ele. Beijou o alto da cabea dela e a deitou a seu lado, mantendo o brao em torno dos ombros desnudos.
Com certeza, no poderia haver momento melhor para declarar seus sentimentos.
	Sophie?  sussurrou, virando o rosto para olh-la.
Ela estava adormecida. Um leve sorriso insinuava-se nos lbios rosados, tornando-a ainda mais bela.
Richard sorriu. Beijou-a na testa, voltando a fechar os olhos. Claro que Sophie sabia quais eram seus sentimentos, pensou ele. Como poderia no saber que ele a amava depois desses dias em que haviam compartilhado um verdadeiro paraso?

CAPTULO X

Richard manobrou o carro para fora do estacionamento do estdio de tev. Era noite de sexta-feira e j fazia quase vinte e quatro horas que no via Sophie. Estava contando os minutos para t-la novamente em seus braos.
	Voc est mesmo louco de amor, meu velho  disse a seu prprio reflexo no espelho retrovisor.
Franziu o cenho ao lembrar da viagem que teria de fazer logo na manh seguinte. Seu produtor mal o cumprimentara pela volta ao trabalho e.j dera a notcia de que ele seria enviado para a frica durante as prximas semanas. frica. Sem dvida, ficaria muito distante de Sophie, pensou com um suspiro desolado.
Todavia, nem mesmo isso conseguiu desanim-lo da expectativa de rev-la. Acelerou mais o carro. Sentia-se como um adolescente apaixonado pela primeira vez. O que Hal, T.J. e Mitchell diriam se o vissem agora? Por certo, ririam um bocado. Ora, estava pouco ligando para o que pensariam dele!
Sophie abriu a porta com um sorriso.
	Richard! Entre.
Ele entrou, fitando-a com olhar indagador.
	Parece surpresa em me ver  comentou.
	Bem, no havamos combinado nada para essa noite  ela lembrou.  Mas estou contente que esteja aqui.
Richard a abraou pela cintura, trazendo-a mais para perto de si.
	E onde mais eu poderia estar?
Beijou-a com uma nsia que denunciava a falta que sentira de Sophie nas ltimas vinte e quatro horas que passara sem v-la.
Ela retribuiu o beijo com a mesma intensidade, demonstrando que tambm sentira falta de Richard. Porm, o sorriso de Sophie no estava muito seguro quando ele se afastou.
	Est com fome?  ela perguntou.  Estava pensando em preparar um espaguete para o jantar, mas se preferir posso fazer outra coisa.
	Um espaguete ser timo. O que posso fazer para ajud-la?
- Apenas me faa companhia enquanto o preparo.
Quando chegaram  cozinha, Richard sentou em uma cadeira.
Apoiou o queixo sobre as mos cruzadas, observando-a trabalhar.
	Como foi seu dia?  perguntou a Sophie.
Ela respirou fundo.
	No muito normal. Frustrante, talvez.
	Por qu? O que aconteceu?

	Lembra do vestido que provei no dia em que voc me surpreendeu com uma visita?
	Como poderia esquecer?
Richard ainda lembrava do impacto que sentira quando vira Sophie usando o vestido. Provavelmente comeara a am-la naquele momento.
	Bem, a noiva, Sheila, ia se casar amanh  noite.
	Ia?
	Sim  Sophie confirmou com a cabea.  Pelo visto ela voltou atrs no comeo dessa semana e resolveu desistir. Liz est correndo para cancelar o que j havia sido providenciado e verificar quais so as multas que Sheila ter que pagar.
	E quanto ao vestido?
Sophie revirou os olhos.
	Sheila me ligou logo cedo, hoje, para saber se eu poderia reembols-la. Consultou Mali no incio da semana, mas ela disse que Sheila teria de esperar at que eu voltasse, para obter uma resposta. Em uma situao normal eu no devolveria o dinheiro de um vestido to caro e trabalhoso, ainda mais assim, no ltimo instante. Mas com esse vestido em particular...  ela interrompeu-se e acabou sorrindo.  No suportei a ideia de v-lo guardado em uma caixa ou ento vendido atravs de um anncio de jornal.  um dos vestidos mais bonitos que j fiz. Por isso, resolvi devolver o dinheiro a ela.
	Todo?  Richard arqueou as sobrancelhas. Afinal, Sophie merecia algum pagamento pelas horas que trabalhara no vestido. 
	Deduzi uma parcela para pagar meu trabalho. Ela tambm ter que pagar uma multa a Liz. Sheila realmente deveria ter decidido antes que no queria se casar.
	E como o noivo dela recebeu a notcia?
	Liz me contou que ele ficou arrasado. Pelo jeito, ele a ama de verdade. Ele tentou dar a Sheila mais uma chance para pensar, mas Liz disse que ela no quer nem falar com ele.
	Pobre rapaz.
Richard voltou a pensar no vestido. Estaria Sophie com planos de guard-lo para seu prprio casamento? Olhou para ela, notando o ar distrado com que ela preparava o jantar.
"Talvez essa no seja a melhor ocasio para pedi-la em casamento", pensou ele, convencendo-se a ter pacincia. Uma mulher como Sophie merecia flores, msica, romance, e no uma proposta impulsiva feita na cozinha.
	Sophie...
Richard no sabia ao certo o que diria naquele instante. Talvez que a amava, ou ento que estar ali, observando-a preparar o jantar, deixava-o to feliz que seu peito parecia querer explodir de emoo. Entretanto, foi interrompido pelo telefone.
Sophie lanou-lhe um sorriso de desculpas ao atender o aparelho.
	Al? Ah, oi, Holly. Sim, a viagem foi maravilhosa.
Sophie apoiou o fone no ombro e continuou a preparar o jantar enquanto conversava com Holly. Quando desligou, voltou-se para Richard com outro sorriso.
	Era Holly  disse.
	Eu notei. Como est ela?
	Ainda morrendo de inveja de nossa viagem.
	E com razo  Richard salientou.
	Hum-hum.
O sorriso de Sophie foi to adorvel que Richard teve que se conter para no ergu-la nos braos e lev-la para o quarto. Lembrou a si mesmo que uma relao como a deles no se baseava apenas em sexo.
Enquanto o espaguete cozinhava, Sophie serviu duas xcaras de ch e sentou-se diante dele.
	No me contou como foi seu dia  disse.  Ficou feliz por voltar ao trabalho?
O comentrio fez Richard lembrar que ainda no contara sobre a viagem  frica.
	Quando voltei j havia um compromisso a minha espera.
Terei que viajar amanh cedo.
Sophie tornou-se sria, mas no desviou os olhos dos dele.
	Viajar? Para onde?
	Vou cobrir uma insurreio em um pequeno pas da frica sobre o qual a maioria das pessoas nunca ouviu falar. Dentro de
uma semana, mais ou menos, quase todo mundo estar falando daquele pas. Parece que a situao est muito sria por l.
	frica  Sophie repetiu num tom vazio.  Ser perigoso para voc?
Richard empertigou-se na cadeira, lembrando-se das situaes perigosas nas quais j se metera sem pensar duas vezes.
	Serei cuidadoso  disse, por fim.
	Claro  Sophie forou um sorriso.  Como sempre foi.
	No se preocupe, amor  ele insistiu.  Prometo que tomarei cuidado.
Dessa vez ele tinha um motivo muito importante para isso: o amor que sentia por ela.
Sophie olhou para o ch, como que tentando vislumbrar o futuro ali.
Aos poucos o silncio tornou-se embaraoso. Richard tentava deduzir o que haveria de errado. Estaria Sophie aborrecida com sua partida? Preocupada com sua segurana? Talvez esse fosse o momento de revelar seus outros planos a ela. Antes, porm, seria melhor avis-la do que deveria esperar nas semanas seguintes.
	Sophie, gostaria de saber o dia certo em que estarei de volta, mas receio no poder informar nem uma data aproximada.
Esse trabalho pode durar desde dias at meses. Quanto  comunicao... bem, terei sorte se conseguir telefonar para meus produtores quando for necessrio...
Sophie interrompeu-o com um sorriso de falsa animao:
	Por favor, Richard, no precisa dar explicaes! Entendo perfeitamente.
Ele estreitou o olhar, apreensivo.
	Voc entende o qu, perfeitamente?
	Bem, que seu trabalho faz de voc um homem muito ocupado. Tenho certeza de que precisar de toda sua perspiccia para se manter fora de perigo enquanto estiver realizando a cobertura.
Richard no gostou do tom falsamente compreensivo com o qual Sophie falava. O que dera nela, afinal?
	Sophie...
Ela ficou de p sem encar-lo. Voltou a se concentrar no jantar.
	O espaguete ficar pronto dentro de alguns minutos. Tirei algumas almndegas do freezer essa manh. Irei adicion-las ao molho. Gosta de compota de frutas?
Aquilo j estava ficando ridculo, Richard concluiu. Era como se Sophie houvesse se transformado em outra pessoa; uma mulher que ele no conhecia.
	Sophie, quanto  viagem... Como eu j disse, no sei quando estarei de volta...
	Eu sei. Assistirei suas reportagens todas as noites. Tenho certeza de que sero fascinantes, como todas as que voc j fez.
	Droga, Sophie...
Ela olhou para ele com um sorriso indefinvel, que o fez interromper a frase pelo meio.
	Quero que saiba que essas duas semanas foram maravilhosas, Richard. Obrigada por haver me levado  ilha de Rafe. Foram os melhores dias da minha vida.
	Mas que diabos...
Richard exalou um suspiro de frustrao quando foi novamente interrompido, dessa vez pela campainha da porta. Antes que pudesse impedir Sophie de ir atend-la, que era o que pretendia fazer, ela j havia escapado da cozinha.
	Oh, droga!  exclamou, furioso, batendo o punho cerrado sobre a mesa.
O que estava acontecendo, afinal de contas? Por que Sophie se comportava daquela maneira? Ela falara como se estivesse se despedindo dele!
Enrijeceu o maxilar com determinao e foi atrs dela. Encontrou-a na sala, em companhia de uma loira muito atraente, cujas curvas eram denunciadas pela roupa justa.
	Deus meu!  a moa exclamou quando viu Richard. Quem  esse gato?
Sophie respirou fundo, impaciente.
	Brandy, tente se lembrar das boas maneiras, sim?
Richard inclinou a cabea, curioso.
	Ento essa  sua irm? * perguntou, observando Brandy com mais ateno.
Sophie realmente no exagerara ao dizer que as duas eram muito diferentes.
Brandy sorriu e aproximou-se dele, estendendo a mo.
	Sou Brandy Fleming. E voc ...?
	Richard Parrish  ele respondeu apertando a mo dela.
	Richard Parrish...  Brandy repetiu, pensativa. Seus olhos muito maquiados arregalaram-se de repente:  O reprter da tev!
	Brandy, anda mesmo assistindo o noticirio?  Sophie indagou, espantada.
A jovem riu.
	Li um artigo sobre voc na revista People, h pouco tempo  respondeu ela, ignorando a pergunta da irm.  As fotos no revelaram nem um por cento do que voc  pessoalmente.
	Obrigado - Richard agradeceu, meio embaraado.
Brandy voltou a rir, aproximando-se um pouco mais.
	Onde conheceu Sophie? No acredito que minha irm frequente os mesmos crculos que voc.
Richard arqueou uma sobrancelha.
	Sua irm  muito respeitada pelo trabalho que realiza. Em alguns crculos, o nome dela  mais conhecido que o meu.
	Oh, como ele  corts  Brandy comentou como que para si mesma.  Estou mesmo sentindo um cheirinho de comida, Sophie? Voc sempre cozinhou to bem. Igual  vov. Eu, por outro lado, no tenho a mnima vocao para a cozinha  disse a Richard em particular.  No tenho pacincia para ficar medindo xcaras de farinha, sabe.
	Brandy, por que veio at aqui?  Sophie perguntou.
A jovem lanou um olhar significativo para Richard antes de voltar a encarar a irm.
	Por que no me convida para jantar para que possamos conversar sobre isso? Posso ajud-la a arrumar a mesa. Richard, voc se importa? No vejo minha irm desde o Natal. Fiquei sabendo que ela saiu da cidade na semana passada em companhia de uma pessoa.
	Ela e eu voltamos ontem do Caribe  Richard revelou.
 Passamos dias incrveis, no foi, amor?
Sophie sentiu o rosto corar, mas recusou-se a responder  pergunta de Richard. Em vez disso, concordou que Brandy ficasse para o jantar.
	Desde que se comporte  avisou.
	Oh, Sophie, s vezes voc age igualzinho a nossa me!
	Com licena, vou lavar as mos para o jantar  Richard anunciou, retirando-se em direo ao banheiro.
"Pelo visto, teremos uma noite interessante pela frente", pensou ele.
 Sophie entrou na cozinha e cobriu o rosto com as mos. Que-noite horrvel! Um visita surpresa de Brandy era s o que faltava para completar o desastre de saber que Richard partiria para a frica logo na manh seguinte.
Claro que j esperava que um dia a separao fosse acontecer, assim como tinha conscincia de que Richard daria explicaes furadas, dizendo que no poderia manter contato com ela.
Afinal, no sabia todo o tempo de que seu papel na vida dele era apenas o de uma diverso de frias? Algo com que ele pudesse ocupar o tempo enquanto no voltava a trabalhar.
Pelo menos, Richard tivera a delicadeza de romper o relacionamento de uma maneira gentil. Se no estivesse to arrasada por dentro, chegaria at a sentir orgulho de si mesma pela maneira como conseguira lidar com a situao. No protestara, chorara ou fizera cena. Agira como uma mulher moderna reagiria ao final de um romance. Mas, oh, Deus, como doa! S ela sabia a mgoa que estava sentindo.
	Voc est bem, Sophie?
Levantou a cabea ao ouvir a voz da irm.
	Tudo bem, Brandy. Ainda no disse por que veio at aqui e por que se convidou para jantar.
Brandy ocupou-se em olhar as unhas.
	Decidi ficar para o jantar porque quero conhecer Richard melhor  explicou.  Nunca conheci um reprter famoso antes.
No pode me culpar por t-lo achado interessante.
	Por que veio at aqui?  Sophie perguntou pela terceira vez, recusando-se a aceitar a outra explicao.	,
Brandy suspirou, abaixando as mos.
	Ok, Sophie, vim procur-la porque estou com problemas.
Aquela idiota da minha chefe resolveu me despedir, s porque nunca gostou de mim, e agora estou devendo por algumas compras que fiz antes de ser despedida. Pensei em pedir dinheiro emprestado  mame, mas...
	No pea a ela  Sophie a interrompeu.  Emprestarei o dinheiro at voc arrumar outro emprego.
	Oh, eu sabia que podia contar com voc, maninha!  Brandy sorriu.  Obrigada.
	De nada. Os pratos esto naquele armrio, perto da geladeira.
	Pratos?
	Disse que me ajudaria a arrumar a mesa, lembra?
Sem muito entusiasmo, Brandy foi at o armrio e retirou trs pratos. Sophie terminou de preparar o espaguete.
	Estou surpresa com voc, Sophie. No acha que j est meio grandinha para esconder de mame com quem anda saindo?
Sophie colocou a travessa de espaguete sobre uma bandeja.
	No escondi nada de mame. No mencionei o nome de Richard simplesmente porque com certeza ela ficaria preocupada se soubesse que sa do pas com um homem que ela no conhece.
	Como o conheceu?
	Fomos apresentados por uma amiga em comum.
	Perdoe-me a sinceridade, Sophie, mas ele no parece ser o seu tipo de homem.
	E qual  o meu tipo, Brandy?
	Oh, voc sabe. O tipo comum, sem esprito aventureiro.
	Voc quer dizer idiota? - Sophie completou.
Brandy sorriu, dando de ombros. Porm, sua expresso logo se tornou sria:
	Sophie, importa-se em ouvir um conselho? Voc sabe que tenho mais experincia com homens como Richard.
	Brandy, por favor...
	Eu a conheo muito bem e no quero v-la magoada. Provavelmente deve estar pensando em usar alianas, vestir-se de noiva, ter filhos, mas homens como Richard no esto interessados nesse tipo de compromisso. De acordo com a People, ele nunca se envolveu muito tempo com uma mulher. Isso deve revelar algo a respeito dele.
	Brandy, no precisa me avisar nada sobre as intenes de Richard. Sei exatamente o que esperar dele.

	Exatamente como sabia o que esperar de Wade?
Sophie mordeu o lbio.
	Esse comentrio foi indelicado, Brandy.

	Eu sei. Desculpe  a outra se desculpou com uma sinceridade que no lhe era comum.  Acho que fiquei surpresa demais por encontr-la com Richard e saber que esto saindo juntos.
Voc sempre foi to conservadora a respeito desses assuntos...
	To idiota, voc quer dizer  Sophie deduziu novamente.
Sua pacincia estava chegando no limite.  Bem, ento talvez esteja na hora de voc e todo mundo saber que no sou nenhuma virgem tmida, esperando por um prncipe encantado! Sou independente, Brandy. Talvez minha vida no seja to emocionante e aventureira quanto a sua, mas estou feliz com ela. Adoro minha carreira e meus amigos. Tenho minha prpria casa e ganho o suficiente para me manter muito bem. Agradeo aos cus todos os dias por no haver me casado com Wade. Quanto a Richard, ele  realmente um homem magnfico. Gostamos da companhia um do outro, s isso. O que a faz pensar que quero algo alm da amizade dele?
	Bem, eu...
	Voc com certeza nunca se apaixonou por homem algum, no , Brandy?  Sophie inquiriu, sabendo muito bem que a irm evitava envolvimentos emocionais com o mesmo empenho com que hipocondracos evitam contato com vrus.  Mesmo assim, j notei que no dispensa a companhia deles.
	No estou interessada em me casar e ter filhos, pelo menos, no durante alguns anos  Brandy admitiu.  Porm, gosto de ser vista ao lado de homens atraentes e interessantes.
	Exatamente!  Sophie replicou com satisfao.  Que mulher no gostaria de ter um pequena aventura em uma ilha tropical na companhia de um homem interessante?
	Nenhuma que eu conhea  Brandy respondeu, rindo do raro momento de concordncia com a irm.
	Nem eu  Sophie retribuiu o sorriso.
Ela prpria tentava se convencer de que acrescentara um pouco de ousadia a sua vida. Pelo menos, agora Brandy no a consideraria uma idiota. Contudo, por que isso no diminua a dor de ter que terminar o romance com Richard?
Provavelmente porque sempre fora muito mais que um romance. O que sentia por ele era amor mesmo, e sempre fora, desde o incio.
Um leve som vindo da porta fez Sophie levantar a vista. Richard a observava com ateno. Algo na expresso dele fez com que ela sentisse um aperto no peito. Por que ele parecia to zangado? Pensou que Richard ficaria aliviado ao saber que ela no o perseguiria quando ele a deixasse, que no esperaria nada quando ele voltasse da frica. Afinal, no era isso que ele estivera tentando dizer antes de Brandy chegar?
Disfarando o embarao, olhou em volta, verificando o que faltava para que o jantar pudesse ser servido. Viu que os pratos que Brandy tirara do armrio ainda estavam sobre a pia.
	Brandy, ainda nem comeou a arrumar a mesa?  disse  irm, sentindo o olhar de Richard sobre si.  Os talheres esto ali  apontou uma gaveta.  Pode me ajudar com as bandejas, Richard?
Ele obedeceu em silncio. Seus movimentos estavam mais bruscos, impacientes.
Sophie suspirou alto, imaginando o que mais poderia dar errado nessa noite.
Brandy no se demorou muito depois do jantar. Ficou apenas o suficiente para ter certeza de que a irm emprestaria o dinheiro que ela estava precisando.
Mesmo decepcionada por Richard no ter correspondido s suas tentativas de flerte durante o jantar, ela se despediu dele com um caloroso sorriso, sugerindo que ligasse para ela quando quisesse.
Depois que Brandy partiu o silncio caiu pesadamente sobre os dois. Sophie arriscou um olhar para Richard e notou que ele estava com uma expresso distante.
	Richard? H algo errado?  perguntou, hesitante.
	Acho melhor ir embora. O vo parte bem cedo amanh.
Num impulso, Sophie segurou o brao dele.
	Richard, por favor. O que foi?
O modo como ele a fitou, fez Sophie abaixar a mo.
	No imagina o quanto fiquei satisfeito ao ouvi-la dizer que gostou muito de nossa "pequena aventura em uma ilha tropical".
Ela deu um passo atrs, assustada com a violncia com que Richard proferira tais palavras.
	Ouviu minha conversa com Brandy.
	Sim. E foi muito esclarecedora para mim. Diga-me, Sophie,  o que a fez pensar que tudo o que eu queria de voc era um relacionamento passageiro, uma "aventura"?
	Eu sempre soube disso  ela respondeu.  Quer dizer, todo mundo sabe que voc no est interessado em nada srio.
	Ah, claro. Todo mundo sabe disso  ironizou ele com os olhos escuros de raiva.  Pensei que voc fosse diferente. Imaginei que quando olhava para mim via algo que ningum mais conseguia enxergar. S que voc no  diferente dos outros, no , Sophie? Criou uma opinio a meu respeito antes mesmo de me conhecer direito e o pior  que nada do que fiz desde ento conseguiu acabar com seu preconceito.
	Richard!  Sophie o seguiu at a varanda, tentando desesperadamente entender o que estava acontecendo.  Est aborrecido por que chamei nosso relacionamento de aventura?
Ele parou ao lado do carro, enfiando a mo no bolso para pegar a chave.
	Acertou em cheio!  ironizou, abrindo a porta.
	Bem, e como diabos queria que eu o chamasse?  Sophie bradou, irritada.
Richard voltou-se para ela antes de entrar:
	Eu chamaria de namoro.
Dizendo isso, partiu antes mesmo que Sophie tivesse tempo de se recuperar do choque e pedir alguma explicao.

CAPITULO XI

Na primeira sexta-feira de fevereiro, Sophie levantou a vista do bloco de esboos e consultou o relgio. Sara estava atrasada de novo. Dessa vez para fazer a primeira prova do vestido.
Com o queixo apoiado na mo, tornou-se pensativa, lembrando que fazia quatro semanas que Sara a apresentara a Richard. Quem poderia imaginar que sua vida mudaria tanto desde ento?
Nada em sua vida fora to doloroso quanto perder Richard. Por mais que houvesse se preparado e avisado a si mesma que um dia iriam se separar, ainda assim sentia-se arrasada. No conseguira mais dormir direito desde que ele partira. Richard deixara um grande vazio em sua vida.
Alm de todo o sofrimento, havia dvidas que a atormentavam constantemente. Dvidas que no podiam ser ignoradas. Teria perdido Richard por interpretar mal as intenes dele? Ser que o magoara por no acreditar nele?
"Pensei que voc fosse diferente. Imaginei que quando olhava para mim via algo que ningum mais conseguia enxergar". As palavras que ele dissera ainda ecoavam em sua mente. Sophie cobriu o rosto, na v tentativa de esquecer.
Sabia que havia algo misterioso no passado de Richard; algo que o magoara profundamente e que fora a causa de ele haver sado da Inglaterra. Teria ela feito algo que o fizera recordar tal episdio? E o que ele quisera dizer com a frase que proferiu antes de partir? "Eu chamaria de namoro".
Namoro no vocabulrio de Sophie referia-se a um relacionamento destinado ao altar e a uma vida de felicidade. Todavia, Richard nunca demonstrara tais intenes para com ela. Nem mesmo quando faziam amor e ele sussurrava palavras carinhosas, na tentativa de faz-la acreditar que havia mais do que atrao fsica entre eles.
Nas duas longas ltimas semanas desde que ele partira, Sophie chegara a uma concluso bem clara: ela no era imune ao amor. Apaixonara-se pelo primeiro homem interessante que aparecera em sua vida. S o que desejava agora era casar e passar o resto de sua vida ao lado dele. No conseguia nem se imaginar ao lado de outro homem, nem tampouco suportava a ideia de Richard fazer amor com uma outra mulher.
S agora Sophie se dava conta do quanto errara ao tentar demonstrar uma personalidade que no era sua. De tanto comparar sua vida  de Brandy, acabara esquecendo-se de que gostava de ser como era. Sua irm queria aventura, dinheiro, badalao. Ela, por outro lado, queria uma carreira de sucesso, um marido, filhos, enfim, uma vida estvel.
Teria perdido a nica chance de conseguir tudo isso ao recusar-se a enxergar o verdadeiro Richard que existia por trs daquela fachada de sucesso?
Pestanejou quando lgrimas embaaram sua viso. Recusava-se a chorar de novo. Derramara lgrimas demais nas duas ltimas semanas.
O som da campainha interrompeu seus pensamentos. Passou a mo pelos cabelos e foi atender  porta, rezando para que Sara ficasse to empolgada com o vestido que esquecesse de mencionar o nome de Richard durante o encontro.
Sara realmente adorou o vestido, embora ele ainda no passasse de um camisolo. A renda, bordados, aplicaes e a gola seriam acrescentados depois.
	Est perfeito!  Sara exclamou, tirando o vestido.
Sophie sorriu.
	S que liso demais.

	Sim, mas j posso at imaginar como ele ficar com as rendas e bordados. Meu vestido ser o mais bonito de todos!
	Toda noiva diz a mesma coisa  Sophie riu, pendurando o vestido em um cabide.
J vestida com jeans e suter, Sara passou a olhar os outros vestidos em vrias fases de acabamento. Parou diante de um coberto com um fino plstico transparente.
	Oh, Sophie! Que vestido maravilhoso!
Sophie olhou na direo da amiga. Quase comeou a chorar quando inmeras lembranas lhe vieram  mente. Sara referia-se ao vestido que ela experimentava no dia em que Richard a surpreendera. Por algum motivo, aquele vestido tornara-se especial para Sophie. Sentiu um aperto no corao s de olh-lo.
	 o modelo que Sheila Hankins ia usar.
Sara revirou os olhos.
	Aquela desmiolada! Do jeito que tratava o pobre do noivo no merecia mesmo um vestido to lindo.  Observando o vestido com mais ateno, acrescentou:  E inacreditvel... Veja s esse bordado! Sophie, ele  lindo. Deveria fotograf-lo para uma dessas revistas de noivas.
Sophie comeou a se preocupar que Sara acabasse gostando mais daquele vestido do que o que estava sendo feito para ela. Como que lendo seus pensamentos, Sara voltou-se com um sorriso:
	Claro que no faz o meu gnero. Eu pareceria uma criana brincando de vestir roupas de adulto com um vestido to elaborado quanto esse. Mas em uma mulher mais alta e esguia, algum com classe suficiente para...  Seu olhar tornou-se mais atento:
 Sophie, esse vestido ficaria perfeito em voc.
	Em mim?  ela forou um sorriso.
	Sim. Posso at imagin-la vestida nele!
Fingindo interesse em recolher alguns alfinetes, Sophie sorriu sem entusiasmo.
	Talvez seja melhor nos concentrarmos apenas no seu, por enquanto  disse.  Como esto indo os preparativos? J decidiu qual ser o menu da recepo?
	Ainda no. Teve notcias de Richard desde que ele partiu?
Sophie furou o dedo em um dos alfinetes.
	No, Sara. No tive notcias dele.

	Oh. Eu e papai tambm no. De fato, papai achou muito estranho Richard no ter ligado nem mesmo antes de partir. Ele costuma ligar.
	 mesmo?  perguntou Sophie, fingindo indiferena.
	Hum-hum. Viu alguma reportagem feita por ele?
	Sim.
Sophie assistia o noticirio todas as noites, na esperana de ver Richard. Quando o via, sentia uma profunda dor no peito e mal conseguia se concentrar na reportagem.
	A aparncia dele no est muito boa  Sara comentou.
 Papai e eu estamos preocupados com ele. Essa cobertura deve estar sendo a mais difcil que Richard j fez. O prprio jornalista que apresenta o jornal chegou a comentar isso ontem.
Sophie vira a reportagem. O jornalista explicara que o pas africano no estava recebendo bem os estrangeiros, especialmente reprteres. Aqueles que j haviam sido enviados para l estavam dormindo pouco e a alimentao tornava-se cada vez mais escassa. Um cameraman da Inglaterra desaparecera no dia anterior, capturado por soldados que haviam sido flagrados espancando um rebelde desarmado.
Como se no bastasse a dor que Sophie sentia pela separao, tambm estava apreensiva quanto  segurana de Richard. Mesmo que ele quisesse um relacionamento mais srio com ela, precisaria pensar muito bem para concluir se aguentaria conviver com as preocupaes geradas pelo trabalho ao qual ele se dedicava:
Pensando bem, isso no faria qualquer diferena em sua deciso, pensou ela com um suspiro. Se Richard quisesse uma outra chance, ela daria. Sem impor condies. Amava aquele homem.
Dando-se conta de que Sara ainda esperava uma resposta, limpou a garganta antes de dizer:
	Richard j esteve em situaes perigosas antes. Ele sabe se cuidar muito bem.
	No sei, Sophie. Dessa vez parece haver algo diferente.
Como se houvesse mais alguma coisa preocupando-o.
Sophie notou que Sara estava prestes a perguntar o que acontecera entre ela e Richard. Claro que Sara sabia que os dois haviam tido um romance e por certo estava curiosa para saber o que acontecera depois.
	Sara, prefiro no falar sobre esse assunto, se no se importa.
Richard e eu... no terminamos muito bem. Poderamos mudar de assunto, por favor?
Sara segurou as mos da amiga entre as suas.
	Desculpe, Sophie. No quis mago-la, trazendo  tona lembranas tristes. S estou preocupada com vocs dois.
	Eu sei  Sophie tentou sorrir.  Tenho sorte de ter amigas como voc, Liz e Holly.
Sara partiu logo, dizendo saber que Sophie estava ocupada. Despediu-se com um abrao afetuoso, voltando a elogiar o vestido.
Sophie lutou contra as lgrimas depois que Sara foi embora. E o melhor remdio para evit-las era concentrar-se no trabalho.
S voltou a sentir vontade de chorar quando, por acaso, abriu o bloco de esboos no vestido estilizado que criara enquanto ela e Richard estavam na ilha. Novamente, precisou de toda sua determinao para conter as lgrimas.
Convenceu-se de que estava melhorando. Afinal, conseguira passar as ltimas dez horas sem chorar. Se pudesse, gostaria de aliviar a dor que ainda persistia em seu peito, no lugar onde seu corao existira, antes de Richard lev-lo consigo. 
Liz e Holly foram visitar Sophie  noite. Liz segurava duas pizzas e Holly duas garrafas de vinho.
	Resolvemos que voc precisa de companhia esta noite  Holly declarou, entrando sem cerimnia.  Pretende nos expulsar?
Sophie riu.
	Sabem que eu nunca faria isso. Sentem-se.
	Foi ideia de Holly  Liz justificou-se , mas achei que ela estava certa.
	Estou contente que tenham vindo  Sophie asseverou.
	Ento vamos logo para a cozinha  Holly anunciou, animada.  Estou morrendo de fome e esse cheirinho de pizza est tentador!
Sophie fez uma expresso amuada a olhar para o relgio.
	Est quase na hora do noticirio. Quero ver a reportagem de Richard.
	Ento faremos uma espcie de piquenique na sala e assistiremos juntas, enquanto comemos  Liz sugeriu.  Pegue uma toalha de mesa e Holly se encarregar dos copos. Preciso pr essas pizzas em algum lugar, antes que elas queimem meu brao.
Dez minutos depois as trs sentaram-se diante da tev. As pizzas e o vinho haviam sido colocados sobre a toalha estendida no cho.
	Isso me faz lembrar dos piqueniques que meus pais faziam quando eu era criana  Holly comentou, mordendo a pizza.
	Tambm tomavam vinho?  Sophie indagou, movendo o copo quase vazio.
	Claro que no  Holly riu.
	Meus amigos e eu organizamos uma festa de despedida uma semana antes d nos formarmos  Liz sorriu da lembrana.
 Ficamos bbados de tanto tomar rum com coca-cola. Passamos mal o resto da semana. Meus pais ficaram furiosos, mas Neal achou divertido, embora tenha me dado um longo sermo de irmo mais velho, a respeito de como eu deveria me comportar.
	Na minha festa de despedida, tivemos muita pipoca e chocolate quente -  foi a vez de Sophie lembrar.  O Morro dos Ventos Uivantes oi exibido pela tev, de madrugada. Assistimos ao filme deitados em nossos sacos de dormir. Depois comentamos as diferenas entre o livro e o filme, antes de dormir.
	Ento sua festa foi bem mais cultural, eu diria  Holly comentou.
	Sim  Sophie confirmou.  J naquela poca eu no gostava muito de badalaes.
	Est arrependida por no ter sido mais aventureira?  Liz perguntou, limpando a boca com o guardanapo.
Sophie fitou o rosto compreensivo da amiga e lanou-lhe um sorriso.
	No mais  respondeu.  Gosto de levar uma vida calma.
Aprecio prazeres simples, como comer pizza com as amigas ela riu , visitar minha me e av uma vez ou outra, passear
pelo parque, ler bons livros, ouvir msicas suaves, assistir filmes romnticos... Brandy acha tudo isso uma chatice, mas no acredito que ela seja mais feliz que eu.
Liz ergueu o copo num brinde, fazendo o anel de noivado brilhar sob a luz.
	Um brinde  boa vida  disse ela.  Famlia, amigos e carreiras bem-sucedidas.
Aps o brinde, Holly suspirou.
 Voc, pelo menos, tem Chance  lembrou a Liz.  Eu tenho os amigos e a carreira, mas gostaria de ter uma famlia tambm.
Holly no fez segredo de que gostaria de ter filhos. Com vinte e cinco anos, estava determinada a realizar seu sonho um dia. O nico problema, segundo Holly, era que ela era conservadora; do tipo que preferia o casamento antes dos filhos. Alm disso, recusava-se a se casar com um homem a quem no amasse.
Em silncio, Sophie concordou com a amiga. Ela prpria precisava de algum com quem pudesse compartilhar sua vida. Todavia, fizera a idiotice de afastar o nico homem com quem desejava fazer isso.
De repente, ouviu o nome de Richard na tev. Pegou o controle remoto no mesmo instante e aumentou o volume.
	...no dia de hoje, Richard Parrish visitou o local onde as famlias das tropas rebeldes esto vivendo em condies subumana.
Richard apareceu na tela, o rosto atraente denunciava sinais de cansao e tristeza pelo sofrimento que presenciara durante as duas ltimas semanas. Mulheres, velhos e crianas reunidos em torno dele, fitavam a cmera com olhares parados. Richard mantinha a voz controlada enquanto descrevia o andamento da insurreio sangrenta.
Ajoelhado ao lado de uma criana esqueltica, Richard explicou que meses de uma seca severa havia acabado com o estoque de alimentos, gerando mortes por doena e inanio.
	Inmeras crianas como essa morrem de fome e sede, enquanto os alimentos que poderiam salv-las apodrecem em armazns controlados pelo governo  Richard declarou.
Sophie sentiu um n na garganta ao ver o homem que ela amava tocar aquela criana. Sabia que Richard estava sofrendo por presenciar tanta desgraa. Seus olhos encheram-se de lgrimas por ele.
Liz tocou sua mo, segurando-a com firmeza. Sophie lanou um olhar agradecido  amiga.
A imagem da tev voltou ao estdio de onde o noticirio era transmitido.
	Essas foram as imagens enviadas pelo reprter Richard Parrish  disse o jornalista.  Os lderes rebeldes j foram presos e um porta-voz do governo anunciou que a tentativa de rebelio falhou. Os jornalistas estrangeiros foram informados de que devero deixar o pas imediatamente. No estamos em contato com nossa equipe no momento, mas todos j receberam instrues para sair do pas. Anunciaremos qualquer nova notcia em edio extra. O presidente anunciou hoje...
	Oh, Deus...  Sophie fechou os olhos, preocupada com a segurana de Richard.
	Ele ficar bem, Sophie  Liz tranquilizou-a com voz firme.
	Richard j esteve em situaes difceis antes. Ele sabe se cuidar.
Sophie abriu os olhos, respirando fundo.
	Eu sei.  s que...  no conseguiu terminar.
As mos de Liz seguraram as de Sophie com mais fora.
	Oua, querida, no sei exatamente o que aconteceu entre voc e Richard, mas tenho certeza de que voc no teria ido com ele para aquela ilha se no estivesse apaixonada. Est evidente que ocorreu alguma coisa depois que vocs voltaram. No estou forando-a a contar. S quero que saiba que se precisar de mim, estarei aqui do seu lado.  E olhando para Holly, acrescentou:
	Ns duas estaremos.
	Eu sei  Sophie sussurrou.   muito bom ter amigas como vocs. Gostaria de poder explicar o que aconteceu, mas...
Como poderia dar alguma explicao se nem mesmo ela entendera direito o que havia acontecido? S o que sabia era que Richard sara furioso. Tanto que ela nem tinha certeza se voltaria a v-lo um dia.
Tambm no estava certa de como o enfrentaria, se fosse ao encontro dele. E se ela estivesse enganada e Richard houvesse mesmo ficado aliviado com o fim do romance entre os dois? Ser que valeria a pena procur-lo?
	Sophie, no tenho nenhum compromisso esta noite  Holly anunciou.  Posso ficar aqui com voc, se quiser. Poderemos esperar juntas por mais notcias.
	Oh, Holly, obrigada pela preocupao, mas no  necessrio 	Sophie assegurou-a.  No creio que eu seria uma boa com panhia. Ficarei bem, de verdade.
Holly olhou-a de uma maneira que denunciava toda sua solidariedade pela amiga.
	Voc o ama muito, no ?
	Sim. Mais do que posso suportar no momento.
Era a primeira vez que Sophie admitia seus sentimentos com relao a Richard para outra pessoa, alm dela mesma.
	Talvez lhe sirva de consolo saber de um detalhe  Liz interviu.  Neal me disse que nunca viu Richard to afetado por uma mulher quanto ele ficou por voc. Neal chegou a pensar que o relacionamento de vocs logo se tornaria mais srio.
Esforando-se para controlar as lgrimas, Sophie balanou a cabea:
	Se Richard tinha essa inteno, no demonstrou em nenhum momento.
	Alguma vez disse a ele como voc se sentia?  Liz indagou, gentil.
	No  Sophie admitiu, decepcionada consigo mesma.
Richard partira com a ideia de que ela encarara o relacionamento dos dois como uma mera "aventura". Ser que ele no entendera que para ela havia sido muito mais, embora tivesse dito aquelas tolices para Brandy? Se pelo menos houvesse tido uma chance de se explicar!
No conseguiu dormir depois que Liz e Holly foram embora. Permaneceu sentada na cama, tentando ler um livro, enquanto mantinha parte da ateno voltada para a tev, que ela levara para o quarto.
Respirou aliviada quando viu Richard em meio  equipe de jornalistas, desembarcando no aeroporto do Cairo.
	Graas a Deus  sussurrou para si mesma.
S ento permitiu-se relaxar e dormir um pouco, pelo restante da madrugada.
"Richard est a salvo!", pensou consigo mesma assim que acordou. Sua cabea doa, devido  noite mal-dormida. Entretanto, a felicidade de saber que seu amor estava bem superava qualquer dor.

CAPITULO XII

Richard olhou para o calendrio do relgio e observou a data. Sbado, vinte e nove de fevereiro. No gostava de anos bissextos. E os coitados que haviam tido a infelicidade de nascer nesse dia? Como diabo faziam para comemorar seus aniversrios?
Respirou fundo e abaixou o brao. Na verdade, pouco ligava para a data. Como j fizera inmeras vezes nas ltimas semanas, estava apenas entretendo a mente para no pensar em Sophie.
Perambulava pela casa, imaginando que a tarde e a noite que viriam seriam enfadonhas. Pelo menos mantivera-se bastante ocupado durante todo o ms, pulando de um compromisso para outro, sem muito tempo para passar em Atlanta. A opo fora sua. Pedira para realizar cada uma das matrias para as quais fora designado durante aquele perodo, na tentativa de manter-se ocupado o suficiente para esquecer sua prpria dor.
Se ao menos conseguisse esquecer os momentos que passara ao lado de Sophie! E pensar que chegara a fazer planos de casamento, filhos, enquanto ela s pensava no fim do relacionamento.
"Gostamos da companhia um do outro, s isso. O que a faz pensar que quero algo alm da amizade dele?"
Richard gemen quando as palavras voltaram a sua mente.
"Que mulher no gostaria de ter uma pequena aventura em uma ilha tropical na companhia de um homem interessante?"
Como se no bastasse a decepo que ele sentira ao ouvi-la dizer aquilo  irm, o que Sophie afirmara depois conseguira arras-lo ainda mais:
"Todo mundo sabe que voc no est interessado em nada srio".
Imaginara que a falta de confiana que a famlia tinha por ele o magoara muito, anos antes, mas ouvir Sophie dizer que no esperava que ele se tornasse mais nada para ela, alm de um parceiro sexual temporrio, realmente o deixara estarrecido.
Sobressaltou-se ao ouvir a campainha. No esperava ningum. Na verdade, poucas pessoas sabiam que ele estava na cidade. Seria Sophie? No, era pouco provvel que ela fosse procur-lo. Indeciso, foi abrir a porta.
	Neal!  sorriu, animado, ao ver o amigo.  Entre.
	Tem uma cerveja por a?  Neal brincou, entrando na sala.
	Claro.
	timo. Assim poderemos beber um pouco enquanto assistimos o jogo de futebol que ser exibido hoje.
Minutos depois, os dois estavam sentados diante da tev, cada um com uma lata de cerveja na mo.
	E ento, Neal? Como esto as coisas?
	Tudo bem. Sara saiu com PhiBp. Sa do trabalho mais cedo e resolvi passar por aqui para v-lo.
	Fico feliz que tenha vindo.
Assistiram o jogo durante algum tempo. Richard conhecia bem o amigo e esperou com pacincia que ele decidisse o melhor momento de revelar o verdadeiro motivo que o levara at ali.
	J se recuperou daquele seu ltimo trabalho?  Neal finalmente voltou a falar.  Cobrir um furaco nas Filipinas no deve ter sido nem um pouco fcil.
	No cheguei a desmaiar, se  isso que est querendo dizer.
Na verdade, no presenciei o furaco, Neal. Minha matria foi feita depois que ele j havia passado.
	Felizmente. Bem, est em Atlanta h mais de vinte e quatro horas, j ligou para Sophie?
Os dedos de Richard apertaram a lata de cerveja com mais fora.
	No.
	E pretende ligar?
	No.
	Por qu?
	No creio que ela esteja interessada em receber um tele fonema meu.
	Desculpe, mas no acredito. Liz e Sara me contaram que Sophie ficou arrasada desde que voc partiu. Se ela estiver com a sua aparncia, ento elas esto certas.
Richard fungou, impaciente.
	Por que Sophie sentiria minha ausncia? Afinal, ela j esperava que nosso relacionamento acabasse um dia. Todo mundo sabe que no estou interessado em nada srio. Certo?
Neal apertou um boto do controle remoto, deixando a tev sem som.
	Quer desabafar com um amigo?
O prprio Richard ficou surpreso ao aceitar a sugesto de Neal. Comeou a contar desde o dia em que Sara os apresentara, passando pela viagem que haviam feito, at o dia em que ele ouvira a conversa que Sophie tivera com a irm.
Neal ouvia com muita ateno, mantendo uma expresso de simpatia no rosto. Quando Richard terminou, ele tomou um gole de cerveja antes de dizer: 
	Realmente fez um drama de tudo isso, no , meu amigo?
Richard encarou-o, atnito.
	Fiz um drama?
Neal assentiu, tomando o restante da bebida.
	Neal, ser possvel que no ouviu nada do que falei? Eu estava apaixonado por ela, droga! Foi Sophie quem pensou que estvamos tendo apenas um caso passageiro!
	E como ela poderia pensar diferente?  Neal perguntou com calma.  Voc falou muito em conquist-la, jantar com ela, cortej-la, mas no disse uma palavra sequer sobre revelar quais so seus verdadeiros sentimentos. Por acaso j falou para Sophie o que sente por ela? Mencionou que planejava um futuro com ela?
	Bem, no com todas as palavras  Richard admitiu.  Eu estava dando um tempo para que ela me conhecesse melhor e determinasse seus prprios sentimentos em relao a mim.
	Ela teve duas semanas inteiras  Neal lembrou.  E em todo esse tempo no conseguiu conhec-lo direito? No acha que a subestimou?
	Droga, Neal...
	Voc, por sua vez, teve duas semanas para conhecer Sophie.
Diga-me, Richard, ela parece ser do tipo que iria para o Caribe com um homem quase estranho s para ter uma "pequena aventura"?
	Eu tambm pensava isso antes, mas depois do que ela disse  irm...
	J pensou na possibilidade de Sophie querer se proteger de um desapontamento, por voc nunca ter revelado a ela seus verdadeiros sentimentos?
	Mas ela devia ter percebido!  Richard resmungou.   
	Ah, quer dizer que esperava que ela lesse seus pensamentos?
Richard cruzou os braos com um suspiro.
	No sou bom nessa histria de expressar sentimentos. Voc sabe disso. Alm disso, tenho algumas cicatrizes antigas que me tornam um tanto sensvel ao fato de ser julgado erroneamente.
	Pois oua meu conselho, Richard  Neal anunciou, ficando de p, preparando-se para partir , se no quiser perder Sophie,  melhor ir procur-la e explicar por que ficou to magoado com o que ela disse e por que nunca mencionou o quanto ela significa para voc.
Richard deixou a bebida de lado e tambm ficou de p.
	Voc no entende, Neal.
	Entendo sim, meu amigo. No gosto de v-lo arrasado dessa maneira.
	Nem eu, para dizer a verdade  Richard confessou.
Ento tome alguma providncia, homem! Sophie  uma mulher especial. No vale a pena perd-la por um simples mal-entendido.
	, talvez tenha razo - Richard tentou sorrir.
Depois que Neal foi embora, Richard ainda pensou muito no que o amigo dissera. Ser que Sophie agira mesmo daquela maneira para se proteger de uma desiluso? Existiria ainda alguma esperana para eles, se ele fosse procur-la, mesmo correndo o risco de se magoar novamente?
O homem elogiado tantas vezes por sua coragem e determinao de repente via-se amedrontado diante da simples perspectiva de reconquistar uma mulher. Tambm no era para menos: Sophie tinha o destino de sua vida nas mos.
A campainha da casa de Sophie tocou s dez horas, na noite de sbado. Ela sobressaltou-se, levantando a vista da pilha de esboos que tinha diante de si. Da ltima vez em que fora atender  porta quela hora da noite encontrara Richard bbado. Sophie engoliu seco. Ser que dessa vez tambm...?
Cruzando os braos com firmeza, respirou fundo, aproximando-se da porta.
	Quem ?  perguntou.
	Richard. Sei que  tarde, mas...
Ela abriu a porta antes de ele terminar de falar.
	Richard  Sophie repetiu, observando sinais de apreenso no rosto bonito.  Entre  disse, ficando de lado.
Richard passou por ela com as mos enfiadas no bolso da jaqueta. Sophie fechou a porta e voltou-se para ele.
	Suponho que queira saber o que me trouxe aqui  Richard foi o primeiro a falar.
	Sim.
	No estou bbado.
Sophie sorriu, apesar da tenso.
	Eu sei.
Com um suspiro, Richard balanou a cabea.
	Estou fazendo um drama de tudo isso  disse como que para si mesmo.
Sophie aproximou-se, sentindo que ele precisava de ajuda.
	Por que no tira a jaqueta e fica mais  vontade?  sugeriu.
 Quer algo para beber?
	No, obrigado.  Ele tirou a jaqueta, deixando-a de lado.
Em seguida, apontou o sof:  Precisamos conversar, Sophie.
Ela assentiu, mas em vez de sentar ao lado dele no sof, preferiu se acomodar em uma cadeira.
	Qual o assunto?  indagou Sophie.
Richard continuava tenso. Sophie teve vontade de abra-lo. Agora via que seu amor no diminura nem um pouco durante as semanas de separao. Pelo contrrio, amava Richard ainda mais que antes.
	H algo que eu queria ter dito a voc antes de viajar para a frica  Richard comeou de repente.  Eu no deveria ter ido embora sem revelar o quanto voc me magoou com o que disse a sua irm.
	Pode... pode me dizer agora?  Sophie pediu num fio de voz.
	Tentarei. Ser um bocado difcil para mim. Nunca conversei com ningum sobre meu passado. Neal sabe um pouco do que aconteceu, mas no tudo. Quero contar a voc.
	Mas por qu...?
Richard ergueu a mo, silenciando-a. A expresso em seu rosto era indefinvel.
	Apenas me oua, est bem?
Sophie mordeu o lbio, fazendo sinal para que ele prosseguisse.
	Eu contei a voc que vim de uma famlia importante. Meu pai era um respeitado baro. Meu irmo mais velho  to respeitado quanto ele era. Minha irm, Honria,  a filha mais desejada que qualquer famlia poderia ter. E eu sou o caula.
Sophie lembrou que ele mencionara algo sobre ser a "ovelha negra" da famlia. Richard continuou:
	Nunca fui como eles queriam. Tudo que eu fazia era censurado por algum motivo. Durante anos tentei agrad-los, mas acabei me cansando daquilo. Esperavam sempre o pior de mim e, por fim, foi isso mesmo que conseguiram.
	Oh, Richard. Sinto muito.
Ele balanou a cabea, indicando que ainda no havia terminado.
	Quando eu estava com vinte e dois anos finalmente fiz algo que agradou a todos: fiquei noivo de uma moa que eles haviam escolhido para mim desde minha infncia. Ela tambm pertencia a uma famlia nobre da regio. Parece histria de romance antigo, no ?  ele tentou sorrir.
	Voc a amava?
	No. Mas pensei que aquela seria uma ltima oportunidade de agradar minha famlia. Tudo ia bem, at eu conhecer Anna.
Sophie prendeu o flego.
	Anna?
O olhar de Richard tornou-se triste.
	Ela tinha dezenove anos. Estava sempre rindo e animando iodos a sua volta. Anna era tudo que minha noiva, Evelyn, no conseguia ser. No sei se cheguei a amar Anna, mas fiquei encantado com ela. Porm, a todo instante lembrava a mim mesmo de que estava noivo e que no era certo querer outra mulher. Juro que s o que fiz foi beij-la num momento em que no consegui resistir. Infelizmente, o beijo ocorreu no jardim da casa da minha noiva, e na noite do nosso noivado. Quando dei por mim, Evelyn havia nos flagrado.
	Oh, no.
	Ela ficou histrica. Nossas famlias ento, nem se fala. Na frente de todos, meu pai acusou-me de ser um playboy que mantivera um romance paralelo e enganara a pobre noiva. Disse que a partir daquele momento recusava-se a tentar fazer de mim um homem respeitvel. Anna ficou to embaraada que nunca mais quis me ver. Ela partiu para a Frana no dia seguinte, para a casa de alguns parentes. Meu noivado,  claro, estava terminado.
	Quando voc saiu de l?  Sophie perguntou.
Richard deu de ombros.
	Duas ou trs semanas depois, quando no consegui mais suportar a indiferena de todos para comigo. Quando anunciei minha partida, meu pai desejou que eu criasse juzo vivendo na Amrica. Minha me chorou muito, mas nem por um instante me pediu para desistir da ideia. Meus irmos demonstraram alvio;
pelo menos eu no os embaraaria mais.
	Voc conhecia algum aqui? Havia algum parente esperando-o?
	No. Viajei sozinho, com uma pequena herana deixada por meu av materno, com a qual eu poderia me manter at arrumar um emprego. Consegui me formar em jornalismo e arrumei emprego em uma redao de jornal, em Nova York. Mostrei toda minha competncia no trabalho, no desperdiando nenhuma chance que aparecia diante de mim. H cinco anos, mais ou menos, aceitei um convite para trabalhar como reprter em um canal de tev de Atlanta. Trabalho e moro aqui, desde ento.
Sophie continuou em silncio, notando que havia algo mais a ser dito. Richard inclinou-se um pouco para a frente. Olhando-a intensamente, prosseguiu:
	Desde que sa da Inglaterra, tentei conviver da melhor maneira possvel com a rejeio de minha famlia. Passei a evitar envolvimentos mais srios e grandes responsabilidades. Meu nico objetivo era obter sucesso na minha carreira e eu arriscava tudo para isso. Era como se eu quisesse provar algo para mim mesmo, entende? E, no fundo, creio que para eles tambm. Houve uma poca em que cheguei a pensar que no merecia mesmo uma famlia e que no passava de um derrotado do ponto de vista sentimental. Foi ento que conheci voc.
	E isso mudou alguma coisa?
	Se mudou? Minha vida mudou! Pensei que finalmente estava tendo uma chance de ser o homem que eu sempre quis ser aos olhos de algum que olhava para mim e via o verdadeiro Richard Parrish, e no a imagem pblica que formaram de mim. Quando estava convencido disso, ouvi sua conversa com Brandy e me dei conta de que sua opinio a meu respeito no era diferente da de minha famlia e de outros que me viam apenas como um libertino, acostumado a usar mulheres como um passatempo.
Atnita, Sophie uniu as mos.
	Richard, no. No foi isso que eu quis dizer.
	No?  ele continuou encarando-a.
A ironia atingiu Sophie como uma bofetada. Afinal, no fora isso mesmo o que pensara dele? No fora esse o motivo que a levara a no querer se envolver demais, imaginando que a qualquer momento ele poderia se cansar dela e partir para uma nova aventura?
Julgara Richard de uma maneira completamente errada. E ao faz-lo, perdera-o. Mas por que ele voltara a procur-la mesmo depois de ter sido to magoado?
	Richard, sinto muito  foi s o que conseguiu dizer.
Ele tomou a mo dela entre as suas.
	No foi culpa sua, Sophie. Foi minha. Eu nunca disse o que sentia por voc. Nunca dei razo para que voc acreditasse que eu queria algo mais srio entre ns. Estava to convencido de que voc sabia o que eu queria, que no me importei em revelar meus sentimentos verbalmente. Para um homem que ganha a vida se comunicando, isso foi realmente imperdovel. Sei que no houve muito tempo para me conhecer direito, e que por isso no deveria ter esperado tanto de voc. Contudo, gostaria de saber se  tarde demais para recomearmos. Quero mostrar que posso mudar; que tenho muito a oferecer, se voc me der uma nova oportunidade para isso. Eu te amo desde o primeiro instante, Sophie. Por favor, d-me uma chance de ensin-la a me amar tambm. Duas lgrimas silenciosas rolaram pelo rosto de Sophie. Segurou as mos de Richard entre as suas ao dizer:
	Oh, Richard, no precisa provar nada para mim. Sei o homem maravilhoso que voc . Fui tola ao permitir que meus medos e inseguranas me afastassem de voc. Mas  que eu tinha receio de me magoar por am-lo demais e talvez no ser correspondida.
Richard ficou de p e a fez ficar tambm.
	Voc me ama?  ele perguntou, como que duvidando do que ouvira.
	Desde o primeiro instante em que o vi  Sophie confessou.
 S que fiquei to preocupada em me preparar para o fim do relacionamento que no me dei conta do que havia realmente entre ns.
Ser que pode me perdoar por hav-lo magoado daquela maneira?
	Sophie...  ele abraou-a com fora, escondendo o rosto entre os cabelos dela.  Oh, meu amor, perdoarei qualquer coisa, se disser novamente que me ama.
	Eu te amo, Richard. Muito.
Selaram com um beijo a promessa de um futuro juntos. Um futuro sem dvidas nem receios.
J passava da meia-noite. Sophie e Richard ainda estavam acordados. Abraados na cama, ainda desfrutavam o prazer de haverem confessado o amor que os unia.
Richard no se cansava de abra-la e toc-la, mal acreditando que depois de tantas semanas de solido, finalmente tinha Sophie em seus braos. E agora para sempre.
	Sophie?
	Hmm?  respondeu ela, aninhando-se melhor junto a ele.
Richard hesitou um momento.
	Sei que ainda  cedo para tocar nesse assunto. Quer dizer, s nos conhecemos h algumas semanas e passamos algum tempo separados...
Sophie levantou a cabea para olh-lo.
	O que foi, Richard?
Ele acariciou o rosto delicado com a ponta dos dedos.
	Quero que saiba que nunca deixarei de am-la. Assim que se sentir preparada para tanto, quero que se torne minha esposa. Sei que  cedo para esperar uma resposta...
	Poderemos casar at mesmo amanh, se voc quiser! Sophie sorriu.
A certeza com que ela dissera aquilo, deixou-o exultante.
	Tem certeza?  perguntou, ansioso.  No est sendo impulsiva ou levada pela paixo?
Sophie voltou a sorrir e beijou-o.
	Richard, eu quis me casar com voc desde o dia em o vi em minha porta. Quanto  minha deciso, sim, ela  resultado da profunda paixo que sinto por voc.
Richard no lembrava de j ter se sentido to feliz na vida. Nunca se esqueceria desse momento em que a mulher a quem amava aceitara passar o resto da vida ao lado dele.
	Voc  muito especial, Sophie Fleming.
Ela sorriu, beijando-o mais vez.
	Voc tambm, meu amor.
Richard virou-a de lado, deitando sobre ela.
	S mais coisinha  disse.
Sophie acariciou a nuca dele. 
	 sobre meu trabalho.
	O que tem ele?
	Estou pensando em mudar meu esquema de trabalho. Algo que no exija tantas viagens. J recebi muitas propostas interessantes, mas claro que primeiro quero discuti-las com voc.
	Realmente no  necessrio. Quer dizer, claro que eu adoraria t-lo por perto todo o tempo, se possvel, mas nunca pediria a voc para mudar sua carreira por minha causa. Tenho a minha para me manter ocupada e serei muito feliz por saber que voc sempre voltar para mim quando terminar seus compromissos.
	Mas eu ficarei infeliz se tiver que passar muito tempo longe de voc  Richard replicou.  No quero ser um marido e pai que se dedica pouco  famlia. Quero um lar, Sophie. Uma famlia de verdade.
	Oh, Richard  ela sussurrou.  Eu te amo.
Ele beijou-a com carinho, demonstrando de que maneira pretendia se dedicar a ela e  vida que comeariam juntos.
EPLOGO

O flash da mquina fotogrfica foi acionado bem no momento em que a me de Sophie arrumava o vu sobre a cabea da filha.
Notando que outro precioso momento de seu casamento acabara de ser registrado, Sophie voltou-se para Holly com um sorriso:
	Voc  mesmo incorrigvel, Holly! Nem notei que estava a!
	 por isscr que sou a melhor  Holly vangloriou-se.  Registro momentos muito interessantes com minha mquina.
	Oh, Sophie, esse vestido  to lindo...  Alice suspirou, os olhos marejados de lgrimas.  E o mais bonito que voc j desenhou.
 Obrigada, mame.
Sophie olhou-se ao espelho, imaginando a expresso de Richard quando ele a visse com aquele vestido. Pelo visto o destino o reservara apenas para ela desde o incio.
	Ainda acho que no  bom Richard j t-lo visto antes do casamento  salientou a av de Sophie, ajeitando com cuidado as flores do buque.  Todo mundo sabe que d azar.
Sophie sorriu.
	Ora, vov, pois com esse vestido se deu o contrrio. Se Richard no tivesse me visto vestida nele naquele dia, talvez as coisas tivessem sido bem diferentes.
Brandy ajeitou a saia do vestido de um tom claro de pssego, em organza.
	No gostei muito desse meu vestido, sabe, Sophie? ... suntuoso demais!
	Mas, querida, voc est linda!  Alice discordou.  Ele  perfeito para um casamento nessa estao do ano!
Brandy fez uma careta, ainda contrariada em ter que usar o modelo. Sophie riu. Nada poderia estragar esse dia para ela, nem mesmo as reclamaes de Brandy.
	E a vem a dama-de-honra!  Holly apontou a mquina para a porta quando Liz entrou.
O tom claro de pssego ficara perfeito para ela. Sophie sabia que a cor do tecido seria perfeito para suas damas-de-honra.
	Ainda acho que deveria ter deixado a mquina fotogrfica de lado para ser minha dama-de-honra tambm  Sophie reclamou, olhando para Holly.  Voc sabe que eu gostaria de t-la l em cima, ao meu lado.
	Eu estarei, sua boba  Holly respondeu, erguendo a cmera com um sorriso.  Ter as fotos para provarem isso.
O lbum e vrias fotos extras do casamento seriam o presente de Holly para Sophie e Richard.
- A cerimnia est quase comeando  Liz anunciou a todas.  Esto prontas? E voc, Sophie?
	Mais que pronta  respondeu a noiva.  Liz, voc foi incrvel ao providenciar tudo to rpido para mim.
Liz sorriu.
	Duvido que Richard conseguiria esperar mais uma semana por esse casamento. No pensei que outro homem pudesse ser to impaciente quanto Chance para querer casar, mas Richard conseguiu igualar-se a ele.
	Ambos sabem a sorte que tm  Holly comentou.
	Bem, vamos  cerimnia, meninas  disse a av de Sophie, apressando-as.
A me e av de Sophie se posicionaram ao lado do altar. A igreja, toda enfeitada e iluminada, parecia cenrio de um romance pico.
Sophie esperou no vestbulo da igreja. Uma menininha espalhava ptalas de rosas  pelo corredor, seguida por Brandy e Liz. O melodioso rgo comeou a tocar e todos os convidados se levantaram. Foi a vez de Sophie entrar.
L estava Richard, esperando por ela. A roupa suntuosa deixara-o mais atraente que nunca. Quando o olhar de ambos se encontrou, Sophie perdeu a noo das pessoas a sua volta. Que importncia tinha o resto do mundo quando o homem a quem amava estava bem ali,  sua frente, esperando para se unir a ela?
Quando Richard segurou sua mo, ela sentiu firmeza, segurana. O sorriso que ele lhe lanou foi terno, confiante.
	Eu te amo  Richard sussurrou para que apenas ela ouvisse.
	Eu te amo  Sophie sussurrou em resposta, feliz por saber que nunca mais teriam receio de revelar seus sentimentos.

FIM





